Seplan esclarece razões de altas e baixas entre os produtos da cesta básica

Amostras são coletadas nos mercados varejistas de grande, pequeno e médio portes que possuam maior representatividade populacional no município de Rio Branco

A Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), através do Departamento de Estudos e Pesquisas Aplicadas à Gestão, divulgou o relatório de preços da cesta básica referente ao mês de março, estando nos ajustes finais do levantamento de preços para o mês de abril, com previsão de divulgação ainda na primeira quinzena de maio. 

Segundo o chefe da Divisão Técnica de Pesquisas e Indicadores, Roney Wellington da Silva Caldera, os preços são pesquisados em 51 estabelecimentos comerciais (mercados varejistas de grande, médio e pequeno portes, açougues e panificadoras) distribuídos em diferentes bairros de Rio Branco, utilizando os seguintes critérios: as amostras são coletadas nos mercados varejistas de grande porte – no caso dos mercados que possuem filiais, mercados varejistas de médio e pequeno portes e os de maior representatividade populacional no município -, selecionados aqueles de fácil acesso e com maior freqüência da população, além de açougues e padarias. Roney explica que a coleta de preços serve como referência para medir a variação de preços da cesta básica mensal, sem qualquer veiculação à inflação ou índices de preço ao consumidor. 

A cesta básica de alimentação é composta de 14 produtos: arroz, feijão, carne, frango, leite, pão, café, açúcar, farinha, mandioca, tomate, banana, óleo, manteiga, considerando as respectivas quantidades. Cinco produtos do item limpeza pessoal – absorventes higiênicos, dentifrícios (pasta ou creme dental), sabonete, papel higiênico e barbeador descartável -, considerando suas quantidades, e mais nove produtos de limpeza doméstica – água sanitária, esponja de aço, sabão em barra, sabão em pó, detergente, desinfetante, cera, inseticida e vassoura -, considerando as respectivas quantidades.

Principais produtos em alta – Quanto à variação nos preços dos produtos que compõem a Cesta Básica Alimentar, sete itens tiveram o preço médio acima do praticado em fevereiro, destacando-se o óleo. Sete apresentaram baixa no preço médio, destacando-se a banana. Segundo informações do comércio varejista, as causas das maiores variações na Cesta Básica Alimentar foram ocasionadas pelos seguintes motivos:

• Óleo (9,98%) – aumento do preço motivado pela demanda internacional da soja, seu principal insumo, que proporciona um preço desfavorável ao consumidor.
• Tomate (6,87%) – alta em função de fator climático (período chuvoso), motivo que prejudica a produção nos principais Estados produtores.
• Carne (1,88%) – alta do preço motivada pela demanda internacional desse produto.
• Arroz (1,60%) – produto encontra-se no período de entressafra, que pressiona o preço para cima.
Principais produtos em queda
• Banana (-8,22%) – ligada ao início da safra, proporcionando um preço favorável ao consumidor.
• Feijão (-6,49%) – redução motivada pelo aumento da produção e início do período de safra
• Mandioca (-5,68%) – queda do preço em função da maior oferta no mercado local
• Frango (-2,71%) – queda em razão do baixo nível de exportações do produto, ocasionando uma melhor oferta no mercado interno.

Com o objetivo de adquirir os elementos necessários à subsistência mensal, um trabalhador com carga horária de 220 horas e remuneração mensal de um salário mínimo vigente (R$ 415) necessitaria trabalhar em março 78 horas e 10 minutos (aproximadamente 9,77 dias).

Usando o antigo valor do salário mínimo, de R$ 380, o trabalhador necessitaria trabalhar 85 horas e 22 minutos (aproximadamente 10,67 dias). Pelo estudo da Seplan, uma família padrão é composta por dois adultos e três crianças (considerando que uma criança consome a metade da provisão de um adulto).

Uma família "padrão" gasta por mês R$ 516,14 na aquisição na Cesta Básica Alimentar, o equivalente a 1,24 salário mínimo, se usado o antigo valor do salário mínimo (R$ 380) como referência.

Nonato Sousa
Agência de Notícias do Acre