O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), decidiu manter nesta quarta-feira as eleições para a escolha do novo presidente da Casa. Em reunião com os líderes partidários, Viana também decidiu que a votação da proposta de prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) também ocorrerá amanhã –logo após a escolha do novo presidente do Senado.

Viana explicou que, na sessão desta tarde, a base aliada do governo já vai dar início ao processo de votação da CPMF, com o encaminhamento da matéria e as discussões sobre o "imposto do cheque" –para que na quarta-feira ocorra somente a votação da proposta.

"Se depender de mim, a CPMF vai ser encaminhada e votada hoje, mas o governo tem o recurso de reduzir o quórum, o que pode adiar para amanhã", disse o petista.

Após o encaminhamento da votação, a base aliada do governo vai esvaziar o plenário do Senado com o objetivo de empurrar a votação da CPMF para amanhã. O Palácio do Planalto ainda não conseguiu reunir os 49 votos necessários para garantir a prorrogação do "imposto do cheque", por isso vai aproveitar mais 24 horas nas articulações em busca de votos.

Os governistas também querem assegurar as presenças dos senadores Roseana Sarney (PMDB-MA) e Flavio Arns (PT-PR) no plenário, já que os dois pretendem retornar à Casa Legislativa após tratamento de saúde. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reconheceu que não pode abrir mão de dois votos favoráveis ao "imposto do cheque" porque avalia que terá o apoio de 50 parlamentares à prorrogação da CPMF –um voto a mais que o mínimo necessário.

Viana disse que o regimento interno do Senado assegura a redução de quórum (número de senadores presentes) como forma de obstruir a votação da CPMF. "É claro que o recurso da obstrução está assegurado pelo regimento. A oposição avisou que fará a defesa da votação esta tarde, mas o governo tem todas as condições de reunir 49 votos e votá-la hoje e amanhã", disse o petista.

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) admitiu que o prazo mais largo de negociações será fundamental para que o governo reúna votos pró-CPMF. "Acho importante que o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] possa dialogar com os senadores da base. Falta tempo para votar e estão faltando votos", afirmou.

Fonte: Folha Online