O cinza não tem graça

Grafite reflete sobre conscientização ambiental em estação de água

A ocupação das estações de água visa incentivar o movimento artístico-cultural (Foto: Diego Gurgel/Secom)

O grafite é uma arte que vem das ruas e traz o grito de artistas talentosos sobre aspectos sociais e culturais da sociedade. Em Rio Branco, as pinturas estão espalhadas em muros, fachadas e prédios da capital, trazendo mensagens de respeito, amor, tolerância e até preservação ambiental.

Na estação elevatória de água do bairro Nova Esperança, o trabalho é coordenado pelos artistas do TRZ Crew, que realiza a ocupação artístico-visual da estação com duas artes que fazem refletir sobre as queimadas e o desperdício de água. Nos desenhos, são retratados animais nativos, como macacos e preguiças, com máscara de incêndio e também o planeta Terra dentro de uma gota d’água, representando a importância da água para a vida.

“As estações de água têm grandes telas (paredes) e o grupo tinha a proposta de fazer o projeto Águas Sagradas, tanto pelo elemento químico quanto pelo significado que a água tem na nossa vida”, explica o grafiteiro José Alberto Júnior. Ele acrescenta que devido ao fenômeno climático do Acre, que enfrenta intensos períodos de cheia e seca, cada gota é indispensável e não deve ser desperdiçada.

A ocupação das estações de água da capital é uma sugestão do governador Tião Viana para incentivar a arte e a cultura. O projeto das Águas Sagradas foi aceito pelo próprio governador pelo conceito que remete à conscientização ambiental. Os resultados também pode ser vistos na estação de água do bairro Adalberto Sena, em Rio Branco.

Arte da rua

“Desde que me entendo por gente, trabalho com essa arte e hoje vivo 100% do grafite”, diz José Alberto Junior, fundador do grupo TRZ Crew. Em março, o grupo, junto com o de seis integrantes, junto com o Coletivo de Artes Urbanas Acreano (Caua), realizou o encontro RB Grafite, que reuniu 20 artistas de outros estados do país e até de fora do Brasil.

Durante o encontro, foram entregues 89 obras pela cidade. “Todo grafiteiro quer levar uma mensagem à sociedade, por isso escolhemos lugares na periferia, que normalmente passam despercebidos e depois causam impacto imediato nas pessoas”, analisa Júnior.