Governo participa de esforço de instituições para combater desnutrição do povo Madija

O governo do Acre, por meio das secretarias de Assistência Social, dos Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres (SEASDHM) e de Produção e Agronegócio (Sepa), participou, nesta segunda-feira, 30, de uma reunião interinstitucional com o Ministério Público Federal (MPF) e outras entidades, sobre a apresentação de resultados de um diagnóstico alimentar das aldeias do povo Madija.

A segurança alimentar do povo Madija foi declarada prioridade entre as instituições envolvidas. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Após alerta do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em 2019, o MPF convocou as instituições responsáveis para realizar uma análise e propor soluções para a alta prevalência de desnutrição infantil nas aldeias do povo Madija, da Terra Indígena Alto Rio Purus, localizada nos municípios de Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano.

O diagnóstico alimentar do povo Madija

Os resultados foram levantados após acompanhamento na terra indígena, elaborados pela parceria da Fundação Nacional do Índio (Funai), SEASDHM, Sepa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Dados apresentados pela Funai apontam que a terra indígena é a residência de 1.592 madijas. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Na ocasião, os indigenistas especializados da Funai, Samyr Farias e Thayná Ferraz, apresentaram um panorama geral sobre as informações obtidas nas visitas às aldeias. Os atuantes identificaram seus hábitos alimentares e as maneiras de obtenção de alimentos, seja por cultivo, extrativismo, coleta, caça, pesca ou compra.

O procurador Lucas Costa levantou a necessidade de urgente mobilização das instituições envolvidas com a promoção de políticas públicas indígenas. Foto: Marcos Vicentti/Secom

A desnutrição, o tratamento da água e a segurança alimentar são problemas encarados como urgentes pelo procurador da República Lucas Costa, que assegura “Até então não tínhamos dados do povo Madija, esse diagnóstico presta uma função importante para atendermos uma das etnias mais vulneráveis. A partir dele, poderemos traçar políticas públicas e estabelecer uma rede de apoio”.

A participação da Assistência Social

A gestora da SEASDHM, Ana Paula Lima, apreciou o material apresentado e observou que o cunho social dos problemas enfrentados pelos indígenas é pertinente à pasta, colocando-se à disposição para intervir em favor daquele povo. “É importante esse levantamento feito diretamente com os madijas, compreendendo as suas necessidades e desejos, pois assim temos melhor entendimento do que pode ser feito para atender suas questões”.

A titular da SEASDHM (D) destacou a importância de articulação com os líderes das terras indígenas, para identificar suas maiores demandas. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Andréia Guedes, técnica de referência para Assuntos Indígenas da SEASDHM, alertou acerca da dificuldade enfrentada pelos indígenas beneficiados por programas de transferência de renda: “Muitos comerciantes confiscam os cartões e senhas dos indígenas, impossibilitando que sejam devidamente assistidos pelo Estado e colocando-os em vulnerabilidade social”. Dados apresentados no encontro mostram a atuação do Programa Auxílio Brasil como fonte de renda domiciliar de 55,6% das famílias madijas consultadas.

Levantamento de soluções

Suhelen Alves, chefe de Departamento de Proteção Familiar da Sepa, levantou a possibilidade de proporcionar oficinas e capacitações abordando a agricultura e o meio ambiente nas aldeias. “A educação e a assistência técnica são soluções viáveis para as problemáticas enfrentadas pela comunidade”, aponta Suhelen.

Equipe da Secretaria de Produção e Agronegócio é parte fundamental no levantamento de ideias para o desenvolvimento das aldeias. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Durante a troca de informações entre as instituições participantes, outras possibilidades foram levantadas para fortalecer as aldeias, como a distribuição de kits de ferramentas, para proporcionar maior facilidade no plantio. A diversificação de espécies plantadas e os apoios de pesquisa e técnicos também foram sugestões para combater a desnutrição do povo Madija.

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