Serviço de desintoxicação do Hospital de Urgência e Emergência é referência nacional

Por mês são atendidas entre 50 e 60 pessoas em síndrome de abstinência ou intoxicação aguda. Acre é um dos dois Estados que atende todas as exigências do MS

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Equipe do serviço de desintoxicação atende, de forma integral, as recomendações do Ministério da Saúde(Foto Gleilson Miranda/ Secom)

Daniel Paiva, 22, procurou o Serviço de Desintoxicação do Hospital de Urgências para dar início a uma luta contra a dependência química. Lá ele encontrou apoio para fugir do álcool e das drogas e espera receber alta para ser encaminhado a uma casa de apoio terapêutico.

O Serviço de Desintoxicação do Hospital de Urgências é um dos dois únicos no Brasil reconhecidos como referência nacional pelo Ministério da Saúde (MS). Segundo o diretor-geral do hospital, Marivam Nobre, o Acre é referência desde outubro de 2008 por cumprir todas as exigências do MS, fato que os demais Estados, além do Ceará, não conseguiram cumprir.

Podem acessar o serviço de desintoxicação pacientes em quadro de síndrome de abstinência ou intoxicação aguda do álcool e outras drogas. Uma equipe multiprofissional formada por assistente social, enfermeiros, clínico geral, psiquiatra, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo acompanha os pacientes diariamente.

Daniel passou nove anos envolvido com álcool e outras drogas. Decidiu pôr um ponto final na história quando sofreu uma overdose. “É preciso ter muita força de vontade, porque enquanto a gente não quer, não adianta fazer tratamento. Sou um cara novo e as drogas já acabaram com muito tempo da minha vida. Vou até o fim no tratamento, agarrado em Jesus, e vou terminar meus estudos, procurar um pré-vestibular e passar na faculdade. Tem gente mais velha que eu se formando, eu também vou conseguir”, disse.

Entre as rotinas dos pacientes estão atividades com os grupos das casas terapêuticas (Arco-Íris, Peniel, Caminho de Luz, Narcóticos Anônimos, Apadeq), além das reuniões com as famílias. “O tratamento do dependente químico não acontece de forma isolada. A família também precisa ser acompanhada”, explicou a coordenadora do serviço de desintoxicação, Maria Estela Cordovil.

Por mês são atendidas em média entre 50 e 60 pessoas, que ficam em tratamento emergencial até ser encaminhadas para casas de apoio terapêutico. “Os pacientes chegam por conta própria ou encaminhados por nossos parceiros, como a Vara de Tóxicos, da Justiça, delegacias e casas terapêuticas. Mas temos que seguir os critério do Ministério da Saúde para desintoxicação em hospitais gerais e só podemos atender quem chega em crise aguda de intoxicação ou com síndrome de abstinência”, informou Estela.