Seringueiros do Acre completam primeira fase do contrato de FDL com indústria francesa

Carga de 2,2 toneladas de Folha Defumada Líquida foi enviada nesta sexta-feira

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Folha Defumada Líquida é uma técnica desenvolvida pela Universidade de Brasília e feito com o látex coagulado (Foto: Sérgio Vale/Secom)

A Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista de Assis Brasil (Amopreab) enviou nesta sexta-feira, 27, para a França o lote de encerramento da primeira fase do contrato de fornecimento de Folha Defumada Líquida (FDL) com a francesa Veja, indústria de calçados orgânicos. Foram embarcados a partir de Rio Branco 2,2 toneladas de FDL, no valor de R$ 13,6 mil, com destino ao Rio de Janeiro. Dali, a borracha é enviada a Paris, onde é processada e transformada em solado de tênis.

Nessa primeira etapa do acordo, a Amopreab forneceu dez toneladas de FDL. O contrato foi assinado em dezembro de 2007, e em março próximo, segundo prevê Marco Antônio Santos Góes, gerente do escritório da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof) de Assis Brasil, deve ser firmado novo acordo. Atualmente, 30 famílias participam do negócio. Em 2009, de acordo com a Seaprof, devem ingressar mais 23 famílias dos seringais Divisão, Guanabara, Cumaru e Amélia, todos na Reserva Extrativista Chico Mendes.

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Estudos da UnB demonstraram que a borracha resultante dessa técnica é mais flexível e resistente que a sintética (Foto: Sérgio Vale/Secom)

O seringueiro vende a folha a R$ 5 o quilo para a Amopraeb, que repassa para a Veja a R$ 6 mais impostos. Os produtores estão sendo apoiados por programas públicos, como o Pró-Ambiente, que busca ampliar o uso de técnicas sustentáveis na produção rural. O sistema FDL foi desenvolvido pela Universidade de Brasília e é bastante simples. O látex colhido da seringueira é coagulado com o uso de ácido pirolenhoso, subproduto da carbonização da madeira, que já incorpora ácidos e alcatrões. A secagem da FDL é feita em temperatura ambiente, ao ar livre, dispensando a fase de defumação. Isso livra o seringueiro da exposição excessiva à fumaça. Os estudos da UnB demonstraram que a borracha resultante do uso dessa técnica é mais flexível e mais resistente que a sintética ou a obtida com a defumação tradicional.