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Saúde realiza primeiro webinário sobre doença renal crônica na Atenção Primária

Público-alvo são os profissionais de saúde, gestores, acadêmicos e população em geral

O governo do Acre, por meio do Departamento de Atenção Primária à Saúde (Daps) da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), realiza nesta quinta-feira, 10, o Primeiro Webinário Acreano sobre Doença Renal Crônica na Atenção Primária à Saúde, em alusão ao Dia Mundial do Rim, estabelecido sempre às segundas quintas-feiras de março.

Idealizado pelo Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas do Daps, a iniciativa tem como parceiros e apoiadores o Núcleo de Telessaúde do Acre, a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco, a Universidade Federal do Acre (Ufac), os centros universitários Unimeta e Uninorte, a Central de Transplantes do Acre, a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), a Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados do Estado do Acre.

Foto: Divulgação

A abertura do webinário será às 9h, e em seguida serão realizadas as palestras: Doença Renal Crônica: um desafio de Saúde Pública (9h15 – 9h30), A enfermagem na prevenção da doença renal crônica (DRC) e cuidados ao paciente renal na Atenção Primária  (09h30 – 10h), O papel do ACS no cuidado ao paciente renal na comunidade (10h – 10h30), Debate/Intervalo (10h30 – 11h), Manejo Clínico da DRC na Atenção Primária (14h – 14h30), Abordagem nutricional na DRC (14h30 – 15h), Cuidados odontológicos na DRC (15h – 15h30), Debate/ Encerramento (15h30 – 16h).

O link de acesso, que estará disponível no dia do evento, é www.youtube.com/telessaudeacre

A doença renal crônica

A doença renal crônica (DRC) se caracteriza pela lesão irreversível nos rins, mantida por três meses ou mais, afetando uma em cada dez pessoas no mundo e com taxas crescentes de acometimento na população. Quando diagnosticada de forma precoce, sua progressão pode ser controlada ou retardada, na maior parte dos casos. Porém, em geral, a DRC não provoca sintomas significativos ou específicos nos estágios iniciais, fazendo com que seja fundamental o conhecimento sobre a doença, seus principais fatores de risco (como hipertensão arterial e diabetes mellitus) e exames simples de rastreamento diagnóstico (creatinina sérica e exame de urina).

A DRC pode ser grave, sobretudo quando evolui para estágios avançados, quando são necessários tratamentos como a diálise e o transplante renal. No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes com DRC avançada é crescente, sendo que atualmente mais de 140 mil pacientes realizam diálise no país. 

Segundo dados do Sistema de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o Acre apresentou uma estimativa entre os anos de 2000 a 2016, de taxa de mortalidade de 14,5%. Além disso, até novembro de 2021, houve 193 casos de internações por insuficiência renal no Estado do Acre (SIH/SUS/Sesacre 2021) e 705 pessoas cadastradas com IR na Atenção Primária (e-gestor SUS/2021).

Mesmo com a estimativa de que em 2040 a doença renal crônica possa ser a 5ª maior causa de morte no mundo, existe uma persistente lacuna de conhecimento sobre a doença, que não tem sido preenchida. A campanha do Dia Mundial do Rim (DMR) 2022, idealizada pela International Society of Nephrology (ISN) e coordenada no Brasil pela SBN, foca justamente na educação sobre a doença renal em todos os setores de saúde:

  • Comunidade – Os obstáculos para uma melhor compreensão da saúde renal incluem a linguagem complexa utilizada nas informações sobre a DRC, a falta de conhecimento básico, a disponibilidade limitada de informações sobre o tema e a falta de prontidão para o aprendizado.
  • Profissional da saúde – Outra barreira que deve ser superada para garantir uma melhor conscientização sobre a doença renal é a formação mais focada dos médicos relativa ao tema. 
  • Formuladores de políticas em saúde pública – A doença renal crônica é uma ameaça global à saúde pública, mas não é priorizada nas agendas governamentais de saúde, junto às outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).

A conscientização e a educação sobre a doença renal nesses diversos setores é o intuito da presente campanha. Além disso, o DMR 2022 tem como objetivos: 

– Reforçar a importância de incentivar a população geral e os pacientes renais crônicos a adotarem um estilo de vida saudável;

– Conscientizar os pacientes renais e suas famílias, capacitando-os para alcançarem uma melhor qualidade de vida;

– Incentivar e apoiar médicos da atenção primária a melhorarem o conhecimento e condução da DRC em todo o espectro de prevenção da doença;

– Integrar a DRC às outras DCNT em programas de serviços abrangentes e integrados, possibilitando a detecção precoce e rastreamento da doença renal crônica em âmbito nacional, além de informar os gestores públicos sobre o impacto da doença nos orçamentos/sistemas de saúde, encorajando a adoção de políticas e alocação de recursos, de forma a garantir a todos os renais crônicos uma adequada qualidade de vida.