Projeto Novo Olhar, desenvolvido com menores em conflito com a lei, muda perspectivas

Com uma proposta pedagógica pensada para alunos do ensino médio da rede estadual que cumprem medidas socioeducativas e se encontram em distorção idade/série, o Instituto Socioeducativo (ISE), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), criou o projeto Novo Olhar.

Focado para o universo do trabalho, desenvolvimento de aptidões e formação de cidadania plena, o projeto tem como objetivo oferecer aos socioeducandos um novo olhar na educação capaz de resgatar vidas de jovens que se envolveram no mundo da vulnerabilidade.

“Esse é um direito dos adolescentes em atendimento socioeducativo e que está sendo colocado em prática. Aqui eles têm acesso aos livros, mas com a participação dos professores o trabalho se torna mais eficaz”, disse Rafael Almeida, diretor-presidente do ISE.

Alunos com idade entre 14 e 15 anos obtiveram notas que variam de 470 pontos a 720 pontos (Foto: Pedro Paulo)
Alunos com idade entre 14 e 15 anos obtiveram notas que variam de 470 a 720 pontos (Foto: Pedro Paulo)

Segundo Almeida, os internos têm se mostrado entusiasmados com as ações de educação oferecidas pelo governo do Estado dentro das unidades, por verem nos estudos a esperança de uma nova vida ao sair do centro.

A professora Lúcia Regina lembra que na Escola Darquinho, que funciona sob a responsabilidade do ISE, o projeto Novo Olhar também está inserido.

“No Centro Mocinha Magalhães, a equipe pedagógica distribui livros de vários gêneros literários aos internos, com trocas semanais, para estimular a leitura”, destacou.

Novos caminhos e oportunidades

(Foto: Angela Peres/Secom)
Projeto é desenvolvido em parceria pela Secretaria de Educação e pelo ISE (Foto: Angela Peres/Secom)

No Centro Socioeducativo Santa Juliana, a coordenadora pedagógica da unidade, Anatalina Figueiredo, identificou 27 adolescentes que interromperam os estudos ao se iludirem com o crime, mas decidiram mudar essa realidade.

Anatalina realizou cadastro dos adolescentes no Ministério da Educação (MEC). A partir daí, foi autorizado um plano de ensino especial denominado “aulão”, para atualizar disciplinas dos socioeducandos do 1º ao 3º ano do ensino médio e a inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“O que o governo está fazendo traz uma oportunidade de efetivamente colocar no patamar de ressocialização todos nós que cometemos algum delito e estamos à margem da sociedade. Por meio  deste ‘aulão’, temos a oportunidade de recomeçar e voltar ao convívio social da forma mais racional possível”, afirmou N.C., de 15 anos.

“Aulões” pré-Enem fazem a diferença

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(Foto: Arquivo)

Ao todo, 102 jovens dos centros da capital e do interior em atendimento socioeducativo realizaram o Enem. O resultado surpreendeu – os alunos com idade entre 14 e 15 anos obtiveram notas que variam de 470 a 720 pontos.

O desempenho dos adolescentes foi tão positivo que, se tivessem o ensino médio concluído e a idade adulta, pela pontuação no Enem ingressariam em vários cursos superiores.

Para mantê-los em sala de aula, o ISE e a SEE atuam juntos no Programa Especial do Ensino Médio (PEEM), cuja grade curricular está em análise, com previsão de aulas a partir de agosto deste ano.