Operação Linha Fria no Vale do Juruá

Com o trabalho de fiscalizar, combater e controlar as queimadas, iniciativa acontece simultaneamente em todos os municípios do Acre

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Profissionais do Ima instruem produtores à outras práticas de trabalhar a terra para o plantio (Foto: Felipe Mesquita / Imac)

A Operação Linha Fria, iniciada no último dia 3, intensifica a fiscalização dos focos de calor durante o período mais seco. Profissionais de vários órgãos estão mobilizadas e a estrutura montada, inclusive com o uso de mais de 20 veículos em todo Estado. A operação realizada pelo Governo do Estado do Acre, por meio do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), tem também o objetivo de orientar em casos de desastres ambientais e repassar dicas para evitar incêndios.

Em Cruzeiro do Sul, a operação Linha Fria está sendo coordenada pelo Núcleo Regional do Imac local. Estão sendo montadas barreiras fixas nas estradas com a determinação de fiscalizar o transporte ilegal de qualquer tipo de produto florestal. E as equipes móveis estão percorrendo os ramais para fazer averiguação dos pontos de queimadas apontados pelas imagens de satélites na região. A presença do órgão nos ramais impede ainda que os produtores, que ainda insistem nas queimadas, coloquem fogo em suas áreas.

De acordo com o chefe do Núcleo de Cruzeiro do Sul, Issac Bernon, a fiscalização continuará intensiva nos municípios de atuação do núcleo (Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo), seguindo a orientação dos dados obtidos nas imagens de satélites.

Conscientização – Alguns produtores rurais da região do Vale do Juruá já concordam que a prática de recorrer ao fogo não oferece bons resultados por muito tempo. Em poucos anos a propriedade fica degradada e o solo, empobrecido e seco por falta da cobertura vegetal. O caseiro Francisco Barbosa afirmou que gosta de trabalhar com o verde e não está disposto a "ficar apagando o fogo colocado por outros produtores".

Francisco conta que precisou arriscar a própria vida para salvar um galinheiro com mais de 500 pintos recém-comprados pelo dono da chácara onde trabalha. Enquanto salvava as aves, não teve condições de cuidar das outras áreas onde o fogo que viera de outra área se alastrou, destruindo cercas, fruteiras e uma grande área de floresta. O caseiro estava sozinho e por pouco o incêndio não atingiu a casa e as demais propriedades vizinhas.