Cerca de 40 lideranças indígenas do Acre estiveram reunidas na última semana para trocar experiências sobre Mudanças Climáticas e Serviços ambientais (Foto: diretor, encerramento e Almir (Assessoria IMC)
Cerca de 40 lideranças indígenas do Acre estiveram reunidas na última semana para trocar experiências sobre Mudanças Climáticas e Serviços ambientais (Foto: diretor, encerramento e Almir (Assessoria IMC)
Cerca de 40 lideranças indígenas do Acre estiveram reunidas na última semana para trocar experiências sobre Mudanças Climáticas e Serviços ambientais (Foto: diretor, encerramento e Almir (Assessoria IMC)

Cerca de 40 lideranças indígenas do Acre estiveram reunidas na última semana para trocar experiências sobre Mudanças Climáticas e Serviços ambientais (Foto: diretor, encerramento e Almir (Assessoria IMC)

Cerca de 40 lideranças indígenas do Acre estiveram reunidas na última semana para trocar experiências sobre Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais. O resgate do saber tradicional, gestão consciente dos recursos naturais, proteção do território, proteção dos mananciais, proteção da biodiversidade e recursos hídricos são alguns dos serviços ambientais que os indígenas prestam a todo o planeta.

A oficina foi promovida pelo Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), em parceria com a Comissão Pró-Índio e a ONG Forest Trends, com objetivo de dialogar com o conhecimento tradicional, técnico, atual e confiável sobre o aquecimento global e seus efeitos locais, bem como sobre a Política de Incentivos a Serviços Ambientais do Acre.

“Estamos ofertando informação ampla, confiável e verdadeira sobre os impactos das mudanças climáticas e sobre o que o governo do Estado está fazendo para evitar mais degradação e para beneficiar as pessoas que, por vontade própria, assumem o papel de protetores da natureza e da biodiversidade, com ênfase para as populações mais vulneráveis”, explicou o diretor-presidente do IMC, Eufran Amaral.

“Dinheiro não é solução. É instrumento.” Essa foi a resposta de Almir Surui, chefe do povo Paiter (RO), para aqueles que afirmaram que sua tribo estava “vendendo” as terras ao elaborar o projeto de compensação por serviços ambientais. Os recursos provenientes dos serviços ambientais (que são o resgate do saber tradicional da tribo, a gestão consciente dos recursos naturais, o reflorestamento e a luta contra o desmatamento) pagam a implementação do Plano de 50 Anos do Povo Paiter, sendo, certamente, o maior projeto da tribo. O projeto Carbono Surui é o primeiro de compensação por serviços ambientais concebido no Brasil e o primeiro indígena do mundo.

A oficina é um processo de construção compartilhada, no qual todos os tipos de saber são importantes. “Todos são alunos e todos são professores”, afirma Amaral.

A palestra de Almir Surui, chefe dos Paiter, no último dia da Oficina de Informação sobre o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa), mostrou a experiência pioneira do povo Surui com a valorização dos serviços ambientais e encheu todos – índios e não-índios – de esperança. A proteção da floresta e da biodiversidade tem valor.

Este plano foi desenvolvido depois que a etnia quase desapareceu. “O contato com os brancos foi um desastre. Nós éramos mais de 5 mil pessoas, e dois anos depois sobraram só 290. Nós quase acabamos. O que nos levou a fazer a gestão da nossa terra foram a diminuição das pessoas, a invasão dos madeireiros e a perda da nossa cultura. Hoje nós somos 1.325 pessoas. Nós aprendemos que não basta apenas ter o território. Nós temos que mostrar que somos capazes de planejar o nosso território”, relatou Almir.

A oficina contou com apoio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), da Associação Metareila do Povo Indígena Surui, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), do Centro de Pesquisa de WoodsHole, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola  (Imaflora), da Assessoria Especial de Assuntos Indígenas (AEAI) e da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC).

O cenário mundial das mudanças climáticas

A desestabilização do clima que está acontecendo no mundo já não é novidade. O aquecimento global é alimentado pelas atividades humanas que emitem CO² no ar, e nosso estilo de vida em dissintonia com o ritmo de regeneração do planeta tem acelerado o processo de aquecimento. Como resultado disso, já podemos sentir na pele verões mais secos e prolongados, que deixam a floresta mais suscetível a incêndios. Na outra mão vemos também cheias mais irregulares, com repiquetes e alagações fora de época. Esses efeitos citados não são os mais preocupantes, de acordo com relatório divulgado na última segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo estimativas da ONU, até 2030 o mundo precisará de pelo menos 50% a mais de alimentos, 45% a mais de energia e 30% a mais de água. Caso essas necessidades não sejam supridas, três bilhões de pessoas serão levadas à  pobreza.

A organização afirmou que o desenvolvimento sustentável praticado atualmente não é  forte o suficiente e falta vontade política para que a situação melhore. “O atual modelo de desenvolvimento global é insustentável. Para alcançar a sustentabilidade, é necessária uma transformação na economia global”, diz o relatório.

ERRAMOS: Em respeito às lideranças indígenas, à Comissão Pró-Índio, ao Grupo de Trabalho da Amazônia, à ONG Forest Trends e aos cientistas e pesquisadores, corrigimos a matéria sobre oficina sobre serviços ambientais, publicada segunda-feira, 6.