Mais que obras, ZAPs ressaltam o valor do trabalho e da família

Comunidades das Zonas de Atendimenbto Prioritário  receberão capacitação profissional, encaminhamento ao emprego e microcrédito para pequenos negócios

vicente_sustenta_a_famlia_fazendo_artesanato_com_cip_e_madeira.jpg

Vicente sustenta a família fazendo artesanato com cipó e madeira (Foto Sérgio Vale / Secom)

alexandre_em_primeiro_plano_com_seus_pais-trabalho_e_famlia.jpg

Alexandre, em primeiro plano, com seus pais: trabalho e família (Foto Sérgio Vale / Secom)

patrcia_e_sua_filha-esperana_de_uma_morada_nova.jpg

Patrícia e sua filha-esperança de uma morada nova. (Foto Sérgio Vale / Secom)

a_menina_luana_corre_sobre_o_trapiche-alegria_sem_fim.jpg

A menina Luana corre sobre o trapiche-alegria sem fim. (Foto Sérgio Vale / Secom)

As Zonas de Atendimento Prioritário (ZAPs) são  um conceito de política pública que garante levar serviços básicos e estruturantes às comunidades mais carentes do Acre.  Na ZAP 2, região do bairro da Conquista, dezenas de famílias vivem às margens do igarapé Fundo, manancial bastante poluído e disseminador de diversas doenças. "Minha mulher está mal da saúde há três meses", queixa-se Joaquim Pinto de Araújo, morador da Comunidade do Monte Alto, que suspeita ser o mal-estar resultado da convivência diária com a poluição do Fundo.

Joaquim, a mulher Maria Nazira e o filho Alexandre trabalham fabricando e consertando cadeira de balanços de ferro. Recebem R$ 30 por restauração e cerca de R$ 80 por cadeira produzida. A família vive há 12 anos em Monte Alto e se diz pronta para deixar o local. "Acho bom esse projeto porque a gente pode ir viver em outro lugar", diz Joaquim.

Mais que obras, as ações sociais, educacionais, ambientais e de segurança pública de curto, médio e longo prazos buscam, em seu contexto, fazer do Acre o melhor lugar para se viver na Amazônia em 2010. Nesse contexto, explica a secretária de Estado de Ação Social, Maria das Graças, trabalhadores e autônomos receberão qualificação profissional e microcrédito para tocarem seus negócios.  "Todo o governo está envolvido na política das ZAPs. Estamos fazendo um levantamento personalizado de cada família e, na questão da capacitação, será uma parceria com o  Insituto Dom Moacyr", disse Maria das Graças.

As ZAPs surgiram a partir do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), o mapeamento mais detalhado que o Estado produziu acerca de seu território, população e recursos, naturais ou não.  Junto com as Zonas Especiais de Desenvolvimento (ZEDs), as ZAPs compõem os eixos do projeto sócio-econômico-ambiental que desde 1999 vem se consolidando no Acre.  Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Os investimentos do PAC naquela ZAP são substanciais e mudarão o aspecto do Monte Alto, hoje uma vila cortada por canais de esgoto a céu aberto. A região será totalmente urbanizada e o manancial, recuperado com tratamento de esgoto.

Além da qualificação, os trabalhadores cuja situação demanda outras ações serão encaminhados para as empresas parceiras do projeto para avaliação de emprego.

Material que se estragava vira arte

Depois de uma tragédia familiar que provocou grandes mudanças em sua vida, Vicente Roberto decidiu viver do artesanato. Mesmo sem experiência anterior, passou a produzir vasos e enfeites a base de cipó, madeira  e cachos secos de palmeira. "Comecei com 120 reais e agora tenho um estoque bom e as vendas vão bem", contou ele, que mora há mais de doze anos na comunidade do Monte Alto, às margens do igarapé Fundo, no bairro da Conquista. 

O artesanato de Vicente gera trabalho e renda para outras pessoas do Monte Alto. "Pago pela coleta das palhas de palmeira e para envernizar as peças prontas", disse. Os vasos são vendidos a prestação, o que facilita a comercialização.

Espaço pequeno com diversão garantida

As ZAPs urbanas estão localizadas em fundos de vale e as rurais estão em terras  indígenas, unidades de conservação, assentamentos tradicionais e assentamentos diferenciados.  Nas cidades, as ZAPs apresentam baixa urbanização, assentamento precário com baixo capital social, vulnerabilidade ambiental, elevado número de pessoas vivendo em condições de pobreza e miséria e alto índice de pessoas envolvidas em infrações, contravenções e crimes.

Na comunidade do Monte Alto, as casas estão construídas como em palafitas umas muito próximas das outras. Em boa parte, os moradores são parentes próximos ou de segundo e terceiro graus. As crianças são em grande número e, devido à falta de espaço, improvisam as brincadeiras em qualquer lugar, como Luana, seus amigos e irmãos, que jogam "amarelinha" na única parte limpa do quintal, na beira do  igarapé poluído.

{xtypo_rounded2}ZAP 2 – CONQUISTA

zap_02_070708.jpg

 

Nº Famílias 3.800

Nº de pessoas 11.400

Mulheres chefes de família 50%

Nº de famílias em situação de risco 333

 Renda média familiar (1 a 3 SM

Rede de abastecimento de água: 8.754 metros

Rede de esgoto sanitário: 12.279 m

Drenagem pluvial: 6.207 m

Pavimentação: 76.164 m²

Recuperação ambiental: 19 hectares

Produção de unidades habitacionais: 219

Desapropriação: 286 unidades

Urbanização: aproximadamente 57 hectares

Valor do investimento: R$ 17,75 milhões

{/xtypo_rounded2}