Mais de duas toneladas de Pirarucu Manejado foram comercializadas em Manuel Urbano

Incremento de 18,6% de produção e de 40% da renda revertida aos pescadores confirma a consolidação do projeto

untitled-1_01.jpg untitled-1_02.jpg untitled-1_03.jpg

A segunda Feira do Pirarucu Manejado apresentou resultados positivos que começam a superar as expectativas das instituições parceiras e da comunidade de Manuel Urbano. A consolidação do projeto, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Extensão Agroflorestal e de Produção Familiar (Seaprof), WWF, prefeitura local, Colônia dos Pescadores Z-7 e famílias ribeirinhas, foi apresentada durante os três dias de evento.

foto-angela-peres-13.jpg foto_angela_peres_415.jpg foto_angela_peres_.jpg

Parceiros enfatizam os resultados do manejo durante solenidade de lançamento da II Feira de Pirarucu Manejado. Foram comercializadas mais de duas toneladas do produto

Neste ano, o período de pesca aconteceu entre os dias 4 e 15 de agosto, quando os pescadores capturaram 27 pirarucus, o que, segundo o técnico da Seaprof Leopoldo Lima de Oliveira representa a elevação de 30%, já que em 2007 foram pescados 21. A produção também teve um aumento significativo, passando de 1.781 quilos para 2,3 toneladas em 2008. “A renda dos pescadores será 40% maior com os resultados obtidos na segunda feira”, destacou o representante da Seaprof.

{xtypo_rounded2} Pescadores são surpreendidos com os avanços do projeto

foto_angela_peres_16.jpg foto_angela_peres_17.jpg

Mais de 200 famílias são beneficiadas direta e indiretamente com o manejo do pirarucu em Manoel Urbano. Francisco Filho destaca a importância do projeto como forma de geração de renda

“No começo tínhamos muitas dúvidas, mas os resultados estão mostrando que esse pode ser o caminho.” Esta foi a definição do pescador Francisco Filho, do projeto Manejo Participativo do Pirarucu. Ele conta que fora do período de despesca sobrevive fazendo pequenos serviços nas colocações da redondeza. “Com o dinheiro da feira do ano passado, comprei alguns bens para a família.”

Francisco mora a oito quilômetros de Manuel Urbano com mais cinco pessoas da família. Os pescadores são os responsáveis por fiscalizar e acompanhar o cumprimento dos acordos de pesca. “E eu vou acompanhar de perto o resultado do nosso trabalho até que tudo seja vendido.”

Para o pescador Geraldo Bispo de Almeida, o manejo do pirarucu tem garantida uma renda anual aos pescadores, à Colônia Z-7 e às famílias envolvidas.

Dois pescadores de Santarém (PA) participam desde o ano passado da despesca. O manejo comunitário já faz parte da realidade naquela cidade, com resultados significativos para os pescadores envolvidos. “É muito importante essa troca de experiência. Nos dias em que estivemos aqui buscamos passar os princípios da pesca manejada. A paciência faz toda a diferença”, ressaltou o pescador de Santarém Juvenal da Silva Pinto. {/xtypo_rounded2}

O secretário de Extensão e Produção Familiar, Nilton Cosson, enfatizou durante a solenidade de lançamento da feira que a política de Estado, que visa o fomento das atividades com foco na produção familiar, tem mais um exemplo em Manuel Urbano com o manejo do pirarucu, por meio da participação das famílias.

Cosson salientou ainda que o projeto viabiliza uma alternativa de renda aos pescadores e populações ribeirinhas, além de garantir a preservação dos lagos e da espécie.

“Nos próximos anos a equipe estará ainda mais sedimentada no processo de manejo. O governo trabalha para oferecer condições para a produção familiar e também fortalecer e contribuir com o desenvolvimento sustentável do Estado”, disse o secretário.

A pesca de um dos maiores peixes de água doce só é permitida no Estado uma vez por ano, no período que antecede a realização da Feira de Pirarucu Manejado. A fiscalização é realizada pelos próprios pescadores e moradores do entorno dos lagos. O Ibama, em parceria com o Governo do Estado e a prefeitura, capacitou 15 agentes ambientais voluntários que auxiliam no monitoramento e esclarecimento quanto à necessidade de preservação.

De acordo com o superintendente do Ibama no Acre, Anselmo Forneck, os resultados obtidos com o manejo mostraram na prática a importância dos acordos de pesca e da preservação do ecossistema e das espécies. “Os pescadores estão experimentando os resultados”, concluiu o representante do Ibama.

Antônio Oviedo, engenheiro agrônomo da WWF, conta que o trabalho de manejo do pirarucu em Manuel Urbano nasceu da necessidade de otimizar a produção e como forma de criar um modelo com resultados efetivos e que pudesse ser replicado em outras regiões. Segundo ele, é o papel da WWF é trabalhar com as instituições parceiras para gerar laboratórios com várias experiências. “Estamos na etapa de dinamização e expansão do projeto.”

  Pescadores participam de seminário 

foto_angela_peres_10.jpgComo parte da programação da II Feira de Pirarucu Manejado, foi realizado um encontro que reuniu 35 pescadores durante dois dias com o objetivo de avaliar as estratégias municipais de manejo de pesca. Participaram do seminário representantes do Governo do Estado, WWF, instituições envolvidas com manejo e lideranças comunitários, além dos pescadores. 

“No ano passado o seminário tratou do assunto de forma estadual. O desafio de 2008 foi apresentar as políticas em escala municipal”, destacou o representante da WWF Antônio Oviedo.

Desde o início do projeto, pesquisas e estudos vêm sendo realizados nos lagos da região para detectar o potencial de pesca. Um dos pontos já identificados refere-se ao fato de que em alguns lagos a população tem gasto menos tempo para capturar uma quantidade maior de peixes.

Para o gerente da Seaprof em Manuel Urbano Augustinho Fortunato, a participação das famílias tem sido primordial na construção e na execução dos acordos de pesca.

Os acordos prevêem os instrumentos que podem ser utilizados na pesca, o período, a quantidade e o número de canoas. “Nesses encontros podemos aprofundar as discussões e avaliar se o acordo está atendendo as necessidades”, destacou Marcelo Apel, da Seaprof. 

Produção


  2007 2008
Número de peixes (un) 21 27
Produção (kg) 1787 2300
Lucro (R$) 8725 12400

 

Fotos: Angela Peres / Secom