Feito a mão

Índios Yawanawa transformam madeira morta em peças delicadas e móveis expressivos apresentados na Expoacre

 Veja o video com Biraci Yawanawa
 
 Indios Yawanawa produzem móveis com árvores mortas.
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"Esse é nosso verdadeiro projeto, o de transformar essa madeira morta em madeira viva", declarou Biraci Yawanawa (Foto Gleilson Miranda / Secom)

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Oficina despertou habilidade para a confecção de objetos que aliam a tradição e design (Foto Gleilson Miranda / Secom)

Depois de expressar a cultura, história e crença através de pinturas em roupas, os índios Yawanawa inovam com a produção de móveis artesanais, expostos pela primeira vez na Expoacre, usando como inspiração o lugar que habitam. A floresta, às margens do Rio Gregório, em Tarauacá, oferece a matéria-prima: árvores mortas trazidas pelas águas. Pelas mãos dos novos artesãos passam madeiras velhas largadas ao longo das margens, algumas apodrecidas e que se transformam em móveis, utensílios domésticos e objetos de decoração. 

A idéia e incentivo de estimular os Yawanawa a produzir peças do mobiliário brasileiro aliando técnicas de design e a tradição indígena partiu do senador Tião Viana. Trinta pessoas da comunidade participaram de uma oficina e descobrem o valor de suas peças durante a Expoacre.  "Não imaginei que seria tão bem aceito. Temos muitas encomendas, existe uma demanda para esde tipo de móveis, mas será atendida respeitando o nosso tempo", diz Biraci Yawanawa, que acredita no envolvimento de todos no trabalho.

As peças expostas durante a Expoacre estão todas vendidas. Animais, árvores, as curvas dos rios e a forma da própria madeira são aproveitados para a composição de bancos, sofás, mesas, cadeiras e objetos de decoração. Os índios Yawanawa usam formões, talhadeiras e outros utensílios para esculpir a madeira. Espécies desprezadas comercialmente como algodoeiro, araçá e madeira branca, além de cumaru-ferro, cerejeira ou cedro, são usadas para dar forma a pássaros escondidos em árvores ou bancos em formato de porquinhos-do-mato.
Para a comunidade, esea não é só uma oportunidade de desenvolver a economia própria e gerar renda para as cercas de 200 pessoas que ali vivem.  É também a oportunidade de transformar a madeira morta, retirada para feitio do roçado e caída às margens dos rios da região, em peças utilitárias com valor agregado. "Estamos felizes de ver que essa madeira que apodrecia se transforma em madeira viva, que vai para as salas, quartos e cozinhas das pessoas.