É preciso agir

Esse é o tema da campanha Setembro Amarelo 2020, que referenda o mês de ações preventivas que combatem o suicídio.

E se pararmos para transformar o tema em uma interrogação? Por que é preciso agir? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio ao ano, números registrados em relatório de 2016. Ainda segundo a organização, o ato suicida “é todo ato em que o indivíduo cause uma lesão a si mesmo, qualquer que seja o grau de intenção letal e conhecimento do verdadeiro motivo do ato”. Em 2014, 10.631 pessoas cometeram suicídio no Brasil.

Muitos são os fatores que têm contribuído para que esse número se torne cada vez mais alarmante, porém vamos nos ater a um deles, o social. O sociólogo Emile Durkheim assinalou, no século XIX, um conceito de “laço social” que se perpetua até os dias de hoje, em que “quanto maiores os laços sociais de uma determinada comunidade, menores seriam as taxas de mortalidade por suicídio”. Esse conceito sociológico é transposto para o nível individual, em que quanto menos laços tem um indivíduo, maior o risco de suicídio.

Hoje, a sociedade tem fragilizado cada vez mais seus laços afetivos, e, com a pandemia, que teve início no Brasil no final de fevereiro de 2020, a situação tem piorado. As poucas relações, outrora preservadas, deram lugar a meios de comunicação virtual e ao isolamento social.

É necessário fazer um caminho de volta, pois as pessoas precisam se sentir acolhidas, sem que haja espaço para críticas destrutivas ou julgamentos desnecessários. Quando voltarmos a ter uma compreensão do outro, seus medos, anseios, tristezas, dores na alma e sensação de solidão, entre outros sintomas, estaremos começando a agir de forma positiva na vida de quem precisa ser abraçado, mesmo em tempos pandêmicos.

Meu anseio particular é que não venhamos a precisar de campanhas nacionais ou termos casos de suicídio na família para começar a agir. O ser humano tem a capacidade de evoluir e de ter a empatia com o outro para construir novos caminhos, em que pensamentos de que a vida “não tem mais jeito” venha a dar lugar à esperança de que dias melhores virão.

“Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 13: 34)

Cláudia Costa é assistente social, especialista em Saúde Mental, Gestão do Sistema Prisional e Instrumentalidade do Serviço Social. Atualmente é gerente da Divisão de Assistência Social e Familiar do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen)