Defesa Civil e Corpo de Bombeiros atuam no apoio às famílias atingidas pela cheia do Rio Acre: ‘dependo 100% deles’, diz moradora

Tentar amenizar os impactos de fenômenos naturais é o trabalho da Defesa Civil Estadual e Corpo de Bombeiros, que concentram seus esforços no atendimento humanizado às famílias atingidas pela cheia dos rios do Acre e inundações de igarapés.

As equipes trabalham no monitoramento das áreas alagadas e são a ponte para que as pessoas consigam sair de suas casas, seja para abrigos ou casas de parentes. O trabalho ocorre em parceria com os órgãos municipais dos 22 municípios.

Corpo de Bombeiros ajuda na retirada das famílias das áreas alagadas. Foto: Neto Lucena/Secom

“Todo sistema estadual de proteção e Defesa Civil, que é composto por todas as instituições do governo do Estado, vem atendendo todos os municípios. A bacia do Rio Acre subiu em todas as cidades. Uma equipe está se deslocando até Jordão para dar apoio para a prefeitura de lá e outra equipe está se deslocando para Plácido de Castro. Então, o Estado está envolvido nas ações em todos esses município”, disse o coordenador da Defesa Civil estadual, coronel Carlos Batista.

As pessoas que não estão indo para casa de famílias estão sendo abrigadas inicialmente em escolas públicas. Mas, o Parque de Exposições está sendo preparado para receber essas famílias.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Charles Santos, destacou que o apoio às ações fazem com que os impactos sejam amenizados.

“Vamos para Plácido de Castro e Jordão, onde vão decretar emergência, fazer nosso trabalho de equipe com esse atendimento, de encontro da população, levando para os abrigos que estão sendo destacados tanto pelo governo do Estado do Acre, como pelas prefeituras municipais e também auxiliando nos trabalhos de desobstrução desses entulhos junto ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre [Deracre], que é uma das principais preocupações”, disse.

Bairros foram atingidos por transbordamento de igarapé e também aumento do nível do rio. Foto: Neto Lucena/Secom

A mão que ajuda

A união desses esforços precisa chegar a quem mais precisa. Como é o caso da dona de casa Railda Evangelista.

Ela mora na Rua Campo Novo, Bairro Ayrton Senna, e depende 100% do poder público para ser levada a um abrigo. No caso dela, a inundação foi do Igarapé Sobral.

“Subiu muito rápido, assim como no ano passado. Hoje, às 8h liguei para os bombeiros me ajudarem a tirar as coisas de casa, porque no ano passado eu perdi algumas coisas”, relembrou.

Os moradores da casa, que são três, estão sendo levados para uma escola na mesma região. “Se não fosse o governo, eu não tinha como sair”, conta.

No bairro 6 de Agosto, Ingrid da Silva também se organizava para sair de casa. Com a água no quintal da casa, que é uma estrutura alta, ela preferiu se antecipar.

“Vamos para a casa da minha avó no Taquari. Ano passado a água cobriu quase a casa toda, então, dessa vez eu não vou esperar”, disse.

Há situações delicadas também, como o caso atendido na 6 de Agosto. De mãos dadas com os bombeiros, Sara Nascimento, de 16 anos, foi resgatada com a filha de apenas três meses. “Meu pai chamou ajuda e estamos agora indo para a casa dele no Areal”, disse.

Coronel Charles Santos destaca que as equipes reforçam o atendimento no interior do estado. Foto: Neto Lucena/Secom

Decreto e ações

Desde os avisos meteorológicos esta semana, o governo tem monitorado e colocado em prática o plano de contingência. Na sexta-feira, 23, o governo assinou e publicou o decreto de alerta devido às chuvas e inundações de igarapés.

Com isso, todos os órgãos estão organizados e com equipes multiprofissionais para atender toda a população.

Todos os dados e tomada de decisões são embalados pelos dados concentrados no Centro Integrado de Geoprocessamento Ambiental (Cigma).

Após percorrer o Rio Acre, o governador do Acre, Gladson Cameli, disse que tem se antecipado e focado em ações para minimizar os impactos desses fenômenos naturais.

Apoio do Estado chega a famílias atingidas pela cheia dos rios e igarapés. Foto: Neto Lucena/Secom

“Nós estamos antecipando todas as medidas, chegando com a presença do Estado na frente da população para diminuir os danos. Também irei para o Alto Acre para acompanhar de perto a situação de Brasileia e Epitaciolândia, que decretaram situação de emergência”, disse.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou um novo alerta de chuvas intensas que vale a partir deste sábado, 24, até as 10h de domingo, 25. O aviso prevê chuvas entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 km/h). Risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

A Energisa, distribuidora de energia no Acre, informou que houve desligamento de 457 clientes em todo o estado, sendo 58 em Rio Branco, 390 no Jordão, 5 em Assis Brasil e 4 em Brasileia. A distribuidora alerta que não se deve tentar consertar eventual falta de energia sozinho e, em caso de dúvida, deve-se acionar a Energisa.

 

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