Concluída a primeira etapa do complexo agroindustrial de aves de Brasiléia

Projeto valoriza eixo de desenvolvimento do Alto Acre, fortalecendo a economia da região

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Com tecnologia para garantir o desenvolvimento dos pintos até o momento do abate, os aviários são construídos num padrão de 30 por 8 metros, com sistema de ventilação, nebulização, aquecimento e controle de luminosidade e calor que mantém temperatura equilibrada em 24 graus Celsius.
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 Ao lado do galpão é construído um silo onde é armazenada a ração. Toda a estrutura tem custo de R$ 23 mil. A construção da granja é financiada pelo Governo do Estado, com recursos do Programa Pró-Florestania e contrapartida do produtor na compra da madeira e responsabilidade sobre a mão-de-obra.
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Famílias de produtores rurais da região do Alto Acre começam a ver concretizado o projeto do Complexo Agroindustrial de Aves de Brasiléia, iniciado ainda em 2004 com o Programa de Avicultura realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof). Cinco alojamentos de frangos industriais (de granja) e quatro de frangos caipiras já foram instalados, dando início à criação de 17 mil aves. Até o fim desta primeira fase de implantação do projeto, 132 aviários serão construídos em propriedades de produção familiar.

Toda a produção de aves da região será abatida no frigorífico do complexo, que inclui ainda a fábrica de ração, a central de incubação e o matrizeiro. Previsto para ser inaugurado no início de julho, o frigorífico terá capacidade inicial de abate diário de 7.500 aves, número que representa em torno de 35% do que o mercado local consome. O empreendimento será gerido pelo sistema público-privado-comunitário, envolvendo a empresa AcreAves, detentora da concessão; a Agroaves, cooperativa dos produtores; e a Seaprof, que atua por intermédio da assistência técnica e de fomento à produção.

Ao longo do ramal do Pólo Wilson Pinheiro, 42 famílias das 74 assentadas participam do Programa de Avicultura do Alto Acre. Já é possível identificar ao longe os silos construídos para abrigar a ração. No assentamento, a predominância é de frangos caipiras. O sistema de criação é diferenciado e permite a saída dos animais do aviário para fortalecer e equilibrar a alimentação desse tipo de frango, influenciando na qualidade e sabor da carne. O produtor e presidente da cooperativa dos produtores de frango, Juarez Coelho da Silva, recebeu 527 pintos de frango caipira e comemora a efetivação do programa. "Estamos organizando a cooperativa, trabalhando para tudo dar certo."

Eixo do desenvolvimento – O produto sairá do frigorífico na forma de frango industrial e caipira, resfriado e congelado. Até chegar à mesa do consumidor, terá percorrido toda a cadeia produtiva da região, que engloba a produção de grãos para a fabricação de ração e estimula a criação de empresas fornecedoras de insumos.

A aposta na região considera o eixo do desenvolvimento que parte do início da BR-364 até Assis Brasil (fronteira com o Peru). "A intenção do Governo do Estado é descentralizar de Rio Branco a economia do Acre e oferecer opções de negócios para a população em outros municípios", explica o chefe da Divisão de Agronegócios da Seaprof, Alder Cruz.

O investimento está mudando o cenário e o ânimo dos moradores dos municípios de Xapuri, Brasiléia e Epitaciolândia, que acreditam no potencial do complexo como gerador de oportunidades de trabalho e negócios.  "O Vale do Acre aposta nisso. Quando um projeto envolve uma cadeia produtiva ampla, aquece a economia, gerando trabalho para muitas pessoas. A meta é ousada e trará um retorno importante para a essa região produtiva", avalia a prefeita de Brasiléia, Leila Galvão.

O responsável técnico da Acre Aves diz que a estimativa é de que o complexo agroindustrial gere, nos próximos seis meses, cerca de 50 empregos diretos. Quando estiver plenamente instalado, até 2014, deverá envolver 340 produtores familiares na criação de frangos e gerar em torno de 200 empregos diretos e abate de 50 mil aves.

Cadeia de integração – A produtora Iolanda Amorim cria frangos industriais (de granja) há quase 30 dias. Em mais 12 dias, as 3 mil aves dessa espécie do primeiro alojamento instalado estarão prontas para o abate. A projeção indica, ao final, um lucro por produtividade equivalente a uma média de R$ 800 mensais para cada família. A produtora está se adaptando ao novo projeto, mas se diz entusiasmada com mais uma oportunidade de renda. A propriedade da família agrega outras fontes econômicas, como pecuária de leite e sistemas agroflorestais com a plantação de seringueiras e culturas diversas. "É uma cadeia que integra a lavoura, a pecuária e o cultivo de árvores, agregando valor à propriedade. A criação de aves é uma renda a mais para os produtores", diz o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Nilton Cosson. Ele destaca que o investimento prevê a integração de outros projetos, como o do milho produzido na região de Rio Branco, que será absorvido pela fábrica de ração e terá capacidade para produzir 12 toneladas por dia, devendo começar a operar em agosto com a produção de oito toneladas.

O processo agrega também políticas públicas e ações de governo. Para tornar o empreendimento viável, foi necessária a definição do Programa Estadual de Sanidade Agrícola, que desenvolverá o controle sanitário, com postos de fiscalização nas zonas prioritárias. O objetivo é criar uma barreira para impedir a entrada de doenças, como a gripe aviária e a doença de New Castle consideradas de nível A pelo governo federal.

Para o presidente do Instituto de Defesa Animal e Florestal do Acre (Idaf), Paulo Viana, o desafio é observar o primeiro ciclo de criação desses animais desde o nascedouro até o abate, colher sangue para inquérito sorológico e trabalhar a prevenção. O frigorífico passará por inspeção federal. A medida visa a exportação dos produtos para países com Peru, Bolívia e Venezuela até 2009.