Centro Socioeducativo realiza torneio de futebol para os adolescentes

Os adolescentes não se desanimaram com a chuva, aproveitaram cada instante de lazer (Foto: Brenna Amâncio/ISE)
Os adolescentes não se desanimaram com a chuva, aproveitaram cada instante de lazer (Foto: Brenna Amâncio/ISE)

O futebol, há muito tempo, deixou de ser apenas parte da aula de educação física nas unidades socioeducativas. Além de cuidar da saúde mental dos adolescentes em conflito com a lei, o esporte está atingindo bons resultados no comportamento e colaboração deles. Por esse motivo, no último sábado, 22, cerca de 30 jovens, que cumprem medida no Centro Socioeducativo Aquiry, participaram de um torneio na quadra de areia do Centro de Apoio à Semiliberdade, ao Egresso e Família (Casef).

A equipe de segurança e técnica acompanhou a atividade. Para o diretor Wilkerson Avilar, a iniciativa segue a orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Promovemos esporte e convivência. Temos aqui os adolescentes de um dos dormitórios e são eles que respondem positivamente à socioeducação. Parece difícil arriscar, que é o que fazemos aqui, mas, se a gente não tentar, não tem como saber se eles estão avançando no nível de respeito e comportamento”, aponta.

A iniciativa tem feito muita diferença na vida dos socioeducandos, como na de Antônio Rafael (nome fictício), 18, é autor de um projeto chamado “Bem Estar”. Ele elaborou o trabalho para criar a expectativa de mais limpeza e humanização nos espaços da unidade. Além disso, também indica o aumento de palestras motivadoras e preventivas no local. “Ficar trancado nos deixa mal psicologicamente. Por isso, quando saímos para respirar o ar puro e conviver com outras pessoas, nos sentimos mais humanos”, afirma.

A assistente social Lidiane Félix, que acompanha a rotina da maioria dos socioeducandos da unidade, observou a diferença que a prática esportiva faz no dia a dia deles. “Antigamente, a visão era muito prisional. Hoje, os adolescentes chegam ao atendimento perguntando pelos cursos e sobre quando haverá outra atividade como essa”, relata.

De acordo com o presidente do Instituto Socioeducativo (ISE), Henrique Corinto, o esporte também os afasta do vício das drogas. “Muitos dos que estão lá ainda sofrem com a dependência química. Ficam ansiosos por não terem acesso ao produto e acabam se afastando da socioeducação. Quando os inserimos em atividades, como esse torneio, o resultado é surpreendentemente positivo”, declara.