Celso Athayde participa do Circuito Documentário desta quarta-feira

Um dos produtores de "Falcão: Meninos do Tráfico", filme em exibição no Ponto de Difusão Helio Melo desta quarta-feira, 30, estará presente na sessão para um bate-papo sobre o documentário.

 

O Ponto de Difusão Hélio Melo recebe nesta quarta-feira, 30, às 19h, um convidado muito especial. Trata-se de Celso Athayde, um dos produtores do filme em exibição no Circuito Documentário "Falcão: Meninos do Tráfico". Após a sessão, Athayde irá bater um longo papo com expectadores sobre o polêmico documentário.

Além de Athayde, "Falcão: Meninos do Tráfico" também contou com a produção do rapper MV Bill, o maior idealizador do projeto, e do centro de audiovisual da Central Única das Favelas (Cufa), que retrata a vida de jovens de favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas. 

O documentário foi feito entre 1998 e 2006 em que os produtores visitaram diversas comunidades pobres do Brasil, registrando em 90 horas na maioria do tempo em forma digital e um pouco em VHS. O nome do documentário é em razão do termo "falcão" usado nas favelas, que designa aquele cuja tarefa é vigiar a comunidade e informar quando a polícia ou algum grupo inimigo se aproxima.

Para a produção do filme, MV Bill e Athayde tiveram que enfrentar o ambiente hostil onde viviam os jovens. A repercussão do documentário no país foi grande, sendo largamente comentado e discutido.

A produção é legendada, em razão da linguagem demasiada informal dos entrevistados, e também contém a tradução de gírias. Os próprios meninos entrevistados ajudavam na produção, posicionando microfones em suas metralhadoras e registrando imagens. Não possui narração, não cita nomes, idade ou localização de onde se está documentando, havendo uma exposição direta, em que só há os depoimentos e as imagens.

Durante as gravações, 16 dos 17 falcões entrevistados morreram, sendo 14 em apenas três meses, vítimas da violência na qual estavam inseridos. Seus funerais também foram documentados. O único sobrevivente foi empregado pelos dois produtores, mas acabou voltando para o tráfico até ser preso.

O que se observa nas gravações é em como o tráfico de drogas possui influência nas favelas e, conseqüentemente, na vida do jovem que convive nesse ambiente hostil, além de mostrar o lado humano dessas pessoas. Muitos garotos precisam se integrar ao mundo das drogas para poder sustentar sua família. Segundo a Cufa, a maioria dos adolescentes ganha, no máximo, R$ 500,00 para trabalhar no crime.

Algumas imagens são consideradas extremamente chocantes, por mostrarem crianças que deveriam estar nas escolas portando armas de fogo. Na Cufa, os vídeos são feitos e editados pelos jovens das comunidades.

Sobre Celso Athayde – Celso Athayde é um produtor brasileiro, idealizador do Prêmio Hutúz e co-autor dos livros “Falcão – Mulheres e o Tráfico” (2007), “Falcão – Meninos do Tráfico” e “Cabeça de Porco”. Nasceu na Baixada Fluminense, mas cresceu na favela do Sapo, em Senador Camará. Tornou-se produtor de Hip-Hop do Brasil, através do projeto Hútuz, criando festivais de cinema, Hip Hop, batalhas de MCs, DJs, seminários, entre outras modalidades de cultura. É co-produtor e co-diretor, dos filmes “Falcão – Meninos do Tráfico e Falcão – O Bagulho é Doido”. Criador da primeira Liga Brasileira de Basquete de Rua (Libbra) e das Seletivas Estaduais de Basquete de Rua (Sebar), também é fundador da Cufa. Recebeu o prêmio Orilaxe em 2006, na categoria Direitos Humanos. Cuida ainda da agenda de nomes do Hip Hop brasileiro, como Nega Gizza e MV Bill.