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Casos de Covid-19 aumentam e governo decreta toque de recolher para evitar colapso do sistema de saúde

A coletiva de imprensa realizada pelo governo do Acre, por meio do Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19, na manhã desta sexta-feira, 22, revelou um avanço da pandemia em todo o estado com aumento do número de casos e, para evitar o colapso do sistema público de saúde, um toque de recolher será decretado a partir de segunda-feira, 25, das 22h às 6 horas em todos os municípios.

Novo anúncio da classificação de risco revelou um avanço da pandemia em todo o estado com aumento do número de casos Foto: Odair Leal

A 16ª coletiva do Comitê para divulgar os indicadores epidemiológicos determinados pelo Pacto Acre Sem Covid revelou que a regional do Alto Acre regrediu para Bandeira Vermelha, Baixo Acre e Purus regrediu para Bandeira Laranja e a regional do Juruá e Tarauacá/Envira segue em Bandeira Amarela. O período de avaliação compreende de 3 a 16 de janeiro.

Segundo o levantamento de dados, o Alto Acre apresentou uma evolução negativa muito rápida na última semana epidemiológica, com destaque para um aumento de 24% dos casos confirmados de Covid-19, 450% na ocupação de leitos de enfermaria para a doença e 50% a mais de óbitos.

Para evitar o colapso do sistema público de saúde, governador irá decretar toque de recolher  a partir de segunda-feira, 25, das 22h às 6 horas Foto: Odair Leal

O Baixo Acre e Purus apresentou uma redução no número de óbitos, mas um aumento de 40% na ocupação dos leitos de enfermaria para a doença, ainda que num quadro de piora controlada. Já o Juruá e Tarauacá/Envira teve um aumento de 60% nas notificações por síndrome gripal e de 120% nos casos confirmados de Covid-19.

O governador Gladson Cameli esteve presente na coletiva e destacou que o Acre já iniciou seu processo de vacinação e que está no aguardo da segunda remessa, mas lembrou que não há doses para todos. Com o avanço da doença após as festas de final do ano, a grande preocupação hoje é que o estado se aproxime de um cenário semelhante ao vizinho Amazonas e, além de reforçar os cuidados essenciais de uso de máscaras, lavar as mãos com frequência e evitar aglomerações, a medida do toque de recolher se mostra essencial para que o pior não aconteça.

Novos dados foram anunciados pelo comitê nesta sexta-feira, na Casa Civil, com transmissão online Foto: Odair Leal

“Sei que está todo mundo cansado, exausto, mas não vamos baixar a cabeça e vamos até o fim. Eu tenho orientado e questionado a sociedade para levar a sério a questão da Covid-19. Essa página não virou e se não contarmos com a ajuda de todos, não vai virar. Não quero prejudicar ninguém com o toque de recolher, mas precisamos de um esforço maior de todos. Eu não vou colocar em risco a vida das pessoas. Eu estou preocupado com o presente para que possamos ter um futuro”, disse o governador.

Durante a vigência do toque, a população segue com seu direito de ir e vir, mas não poderá se aglomerar no horário estipulado em ambientes públicos e privados. Todos os setores comerciais que não forem essenciais deverão estar fechados, enquanto bares e restaurantes só poderão atender por delivery e retirada durante a faixa.

Acre recebeu primeiro lote de vacinas para imunizar grupos prioritários Foto: Odair Leal

Ainda segundo o governador, o Carnaval também está cancelado e o feriado deverá ser tratado como um dia de trabalho normal. Gladson Cameli garantiu que as medidas não são políticas, mas de total proteção à vida e que se não houver uma melhora do quadro, outras ações restritivas poderão ser tomadas.

As doses de vacinas enviadas pelo Ministério da Saúde no primeiro lote por enquanto são o suficiente para imunizar apenas 34% dos profissionais de saúde de todo o estado, além de indígenas e idosos institucionalizados. Com o período também apresentando avanço da dengue e outras viroses respiratórias, todo o sistema de saúde hoje se encontra em alerta.

Funcionamento de setores comerciais e sociais

O Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 atualizou ainda em 2020 a Resolução que trata sobre o enquadramento dos setores e das atividades comerciais autorizadas a funcionar de acordo com cada um dos Níveis de Risco estabelecidos no Pacto Acre Sem Covid.

A nova resolução unifica todas as anteriores relacionadas ao funcionamento dos setores comerciais e sociais durante a pandemia, dando abertura para que praticamente todos possam operar a partir da Bandeira Laranja, com quantitativo de capacidade reduzido e adoção de protocolos sanitários, além das medidas de proteção individuais.

Mesmo em Bandeiras diferentes, todas as regionais e todos os setores terão que cumprir o toque de recolher Foto: Neto Lucena/Secom.

Assim, atividades como a abertura de academias, igrejas, bares e restaurantes, que não eram permitidos na Bandeira Laranja, passam a ser com uma redução ainda maior da encontrada na Bandeira Amarela.

Já na Bandeira Vermelha, o pior indicador do avanço da pandemia, apenas os setores essenciais estão autorizados a funcionar, compreendendo no geral supermercados e farmácias.

A nova resolução foi fruto de um trabalho coletivo, onde o governo do Acre, ouviu e ponderou os anseios dos representantes comerciais e sociais, mudando níveis de abertura e medidas para que haja segurança para toda a população.

Vale ressaltar que mesmo em Bandeiras diferentes, todas as regionais e todos os setores terão que cumprir o toque de recolher.

Metodologia

O Pacto Acre sem Covid é uma ferramenta destinada a viabilizar a harmonia entre o desenvolvimento econômico, o direito de proteção à saúde e os valores sociais do trabalho, tendo por finalidade fundamental a efetiva proteção do direito à vida.

De acordo com o método definido pelo Pacto Acre sem Covid, a classificação em nível de risco é realizada conforme a delimitação territorial das regionais de Saúde do estado, a saber:  região do Alto Acre (Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri), Baixo Acre e Purus (Acrelândia, Bujari, Capixaba, Jordão, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira e Senador Guiomard) e a região do Juruá e Tarauacá-Envira (Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Tarauacá).

A classificação em níveis de risco (bandeiras), expressa por meio de uma nota geral que varia de 0 a 15, é obtida por meio da mensuração de sete índices, sendo eles: isolamento social; notificações por síndrome gripal; novas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave; novos casos por síndrome gripal Covid-19; novos óbitos por Covid-19;  ocupação de Leitos Clínicos Covid-19 e ocupação de UTIs Covid-19.

Os níveis de classificação de risco foram divididos em Vermelho, Laranja, Amarelo e Verde, respectivamente do mais restritivo para o mais flexível. A cada 14 dias é realizada uma nova avaliação dos indicadores, cabendo às prefeituras realizar a autorização das atividades permitidas no respectivo nível de risco apurado por meio de decreto municipal, bem como a instituição de protocolos sanitários a serem seguidos pelos setores da economia que estejam autorizados a funcionar. Um trabalho que envolve Estado, prefeituras e entidades e que deve contar com o apoio de toda a comunidade.

Para mais informações de protocolos, acesse: http://covid19.ac.gov.br/