Alunos realizam conferência pelo meio ambiente

Escola rural Ruy Azevedo abre as portas para discutir ações de proteção ambiental com a comunidade


 

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Alunos fazem parte de escola situada em uma Área de Proteção Ambiental (Foto: Angela Peres/Secom)

Uma escola inteira tenta descobrir e se aproximar mais do ambiente no qual está inserida.  A partir deste desafio, proposto pelo projeto Vamos Cuidar do Brasil – Passo a passo para a Conferência do Meio Ambiente na Escola, um projeto dos ministérios da Educação e de Meio Ambiente, crianças, adolescentes, professores, funcionários da Escola Rural Ruy Azevedo, localizada no ramal do Gurgel na Estrada do Amapá, partiram para a ação. O resultado foi apresentado neste sábado, 18, às 15 horas durante a 3ª Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente.

Dividido em três etapas, municipal, estadual e nacional, o projeto abriu a discussão sobre o tema Mudanças Ambientais Globais e como estas afetam a vida de todos. A comunidade se envolveu ajudando os alunos a identificarem a problemática que surge a partir de quatro sub-temas: água, terra, fogo e ar.

A escola está situada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Amapá e este fato contribuiu para que crianças e adolescentes se empenhassem no desenvolvimento do trabalho que contou com entrevistas com os moradores, pesquisas sobre danos ambientais causados pelo homem no local, confecção de maquetes, mas o grande momento acontece amanhã quando os alunos realizam a conferência que será apresentada para a comunidade. "Precisamos motivar a comunidade para pensar melhor o lugar onde vivem e tudo isso passa pelo projeto educativo", diz Valquírio Firmino, diretor da escola.

Protegendo a própria casa – A professora Graciene Mariano, coordenadora do projeto, diz que dirigir a atividade foi fácil porque os alunos já têm contato com este assunto e porque fala das coisas e realidade do lugar. A escola possui uma Ecoteca e desenvolve um projeto ambiental sobre recursos hídricos com o apoio das secretarias municipal e estadual de meio ambiente e da Associação dos Produtores Rurais da Estrada do Amapá (Amprea). A partir de fevereiro de 2009 e nos seis meses seguintes eles começam a desenvolver o projeto que prevê a limpeza do leito e recuperação das margens do rio Acre na região do Amapá, com replantio de espécies nativas. "É preciso cuidar do ambiente que nos cerca, identificar e trabalhar com todos. Quando queimam o mato por aqui temos que suspender as aulas", conta a professora. 

Os estudantes – Há duas semanas a rotina de David, Daniele e dos outros 235 alunos da escola mudou. A conferência exigiu a participação dos professores de todas as disciplinas na construção das discussões. Na quarta-feira, as turmas de ensino fundamental do 2º ciclo saíram da escola para conhecer o Lago do Amapá, manancial em forma de ferradura, com grande biodiversidade e orgulho dos moradores da região. "Entramos na trilha, passeamos no lago, mas não vi nenhuma cobra. Diziam que tem muitas lá", disse entusiasmada a aluna Daniele Souza, da 6ª série.

O colega David Batista completou que as ações do homem podem prejudicar a existência do lago. Entre elas a perfuração de poços artesianos e a retirada descontrolada da água. "Tem que ter mais controle", alerta o menino. Para quem quer saber as propostas dos alunos para garantir mais qualidade de vida aos moradores da área do lago do Amapá deve participar da conferência. "É possível ganhar dinheiro sim explorando os recursos naturais, sustentar a família, mas com controle", orientam as crianças. Do evento sairá um relatório com sugestões sobre as ações com as quais a comunidade deverá se comprometer para serem desenvolvidas de forma permanente.