Na Conferência da Ayahuasca, tradicionais defendem a não comercialização do chá

(Foto: Diego Gurgel/Secom)
Cosmo: “A credibilidade é conquistada pelos procedimentos adotados pelos mestres e seus seguidores” (Foto: Diego Gurgel/Secom)

As Comunidades Tradicionais da Ayahuasca de Rio Branco entabularam um acalorado debate na tarde desta terça, 18, na Conferência Mundial, realizada no Teatro Universitário da Ufac.

Sob o tema A Construção da Credibilidade Social: Legalização, Conquistas e Legitimidade, a discussão se deu em torno de assuntos polêmicos, como a comercialização da bebida.

O procedimento é repudiado pelos componentes daquele grupo, representados no evento pela Câmara Temática da Ayahuasca: comunidades do Daime, União do Vegetal (UDV), Casa de Jesus – Fonte de Luz e Barquinhas.

“Daime tem valor, Vegetal tem valor, então não pode ter preço. Isso significa nossa rica cultura sendo colonizada pelo poder econômico”, avaliou Cosmo de Souza, daimista e procurador do Estado do Acre.

Ele também advertiu que “o uso irresponsável da bebida mundo afora traz consequências que prejudicam a imagem das comunidades tradicionais”.

O advogado Luís Felipe Belmonte, associado e representante da UDV, rememorou a trajetória de legitimação do chá junto ao Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), antigo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), desde os anos 80, em que se empenhou pessoalmente.

E o educador Hildo Montezuma relatou a história de procedimentos que os integrantes da Casa de Jesus – Fonte de Luz realizaram em sua comunidade e no entorno, como a fundação da Escola São Francisco de Assis, na Vila Ivonete, em 1963, cujo Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) hoje está em 6.3, acima das médias do estado e do país.

Hildo apresentou, também, as ações de preservação ambiental e a criação da Casa de Memória Daniel Pereira de Mattos, em homenagem ao fundador daquela missão.

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