Testemunha da história do estado, José Rego lança o “Acre, o voo da águia”

Rêgo mostra como a identidade dos povos da floresta contribui para o desenvolvimento sustentável do Acre (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Rêgo mostra como a identidade dos povos da floresta contribui para o desenvolvimento sustentável do Acre (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Aos 72 anos de vida e muitos outros dedicados aos governos e ao povo do Acre, desde a década de 1970, José Fernandes Rêgo, sempre chamado de professor, lança um registro histórico do que pode ser chamado “evolução irreversível” do estado. No livro “Acre, o voo da águia”, o educador, mestre em economia e companheiro dos trabalhadores rurais, Rêgo traça um perfil do desenvolvimento sustentável, política adotada há 16 anos, e apresenta como o estado conseguiu resolver uma das questões mais inquietantes da modernidade: produzir sem extinguir seus recursos naturais.

Às 17 horas desta quarta-feira, 20, no Centro de Referência para Inovação em Educação (Crie), será a primeira apresentação da obra para o público acreano. No Dia do Acre, realizado na Conferência do Clima em Paris (COP 21), em 2015, o lançamento da publicação ajudou a mostrar para o mundo que a identidade dos povos da floresta é o fator determinante para o desenvolvimento sustentável do estado, exemplo entre as unidades subnacionais.

No livro, que contou com a colaboração do próprio governador Tião Viana e do publicitário Gilberto Braga de Mello, o professor Rêgo explica capítulo a capítulo, a trajetória que começa com os processos de imigração, passa pelas lutas sociais dos seringueiros e em seguida dos trabalhadores rurais, até os últimos 16 anos. Nesta última etapa cronológica, o autor descreve a opção política de, incorporando a cultura dos povos da floresta, desenvolver o estado com programas públicos sustentáveis, um paradigma da contemporaneidade.

"Hoje, quem tem coragem de dizer que o Acre não produz?", diz Rêgo (Foto: Arison Jardim/Secom)
“Hoje, quem tem coragem de dizer que o Acre não produz?”, diz Rêgo (Foto: Arison Jardim/Secom)

Os governos da Frente Popular do Acre, desde o ano de 1999, optaram por crescer economicamente, aumentar todos seus indicadores de qualidade de vida e frear o desmatamento, tornando a floresta em pé uma das maiores riquezas de um estado. Mas antes disso tudo, teve muita luta, com vitórias e vidas perdidas.

Rêgo é testemunha ocular da história acreana, participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia, cujo líder foi o amigo Wilson Pinheiro. “Ninguém conhece a área rural de longe e eu estive dentro dela durante muito tempo. Essa experiência seguiu comigo até hoje, na produção desse livro”, diz Rêgo, que também foi secretário em diversos governos, vice-governador de Joaquim Macedo, professor da Universidade Federal do Acre e hoje é assessor especial do governo de Tião Viana.

A voz da população

O Acre optou pelo desenvolvimento sustentável (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
O Acre optou pelo desenvolvimento sustentável (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Uma parte do livro é dedicada a explicar como a atual administração resolveu dar um salto no desenvolvimento e nos indicadores de qualidade de vida. Primeiro foi ouvir a população. Durante a construção do plano de governo do primeiro mandato de Tião Viana, entre 2010 e 2011, Rêgo e sua equipe foram responsáveis por realizar audiências públicas em todos os municípios, para de forma metodológica apresentar problemas e soluções.

Quando perguntado sobre o impacto desta ação nos anos seguintes, o professor foi categórico: “A participação popular é algo inacreditável. Em Rio Branco, por exemplo, conseguimos reunir duas mil pessoas para exporem o que acreditavam ser importante em diversas áreas”.

Com isso em mãos e com a certeza de que a consciência no Acre é produzir sem desmatar, o governo foi em busca de parcerias para organizar diversas cadeias produtivas, continuar os programas de proteção das florestas e avançar com saneamento e habitação nas cidades.

Os parceiros como o governo Federal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o banco alemão KfW e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) foram imprescindíveis para esse desenvolvimento sustentável tocado agora por programas como a piscicultura, suinocultura, látex, castanha, Cidade do Povo, Ruas do Povo e saneamento em municípios distantes.

“Hoje, quem tem coragem de dizer que o Acre não produz?”, declara Rêgo.