“Tá um homão”, diz mãe em reencontro após 20 anos

Maria Celestina custou a acreditar que Marcelo era o seu filho (Foto: Diego Gurgel/Secom)
Maria Celestina custou a acreditar que Marcelo era o seu filho sequestrado há 20 anos (Foto: Diego Gurgel/Secom)

“Ele é homem, dona. Ele é pai. A senhora não tem direito nenhum”, foi o que ouviu de uma autoridade, dentro da delegacia, Maria Celestina da Silva, ao tentar dar queixa do sequestro de seu filho Marcelo, de três anos, realizado pelo pai em 1994 em Rio Branco.

Era o início de uma longa jornada de resgate. Dor, saudade, raiva, desespero, temor, preocupação e esperança foram sentimentos que a seguiram ao longo das duas últimas décadas.

A mãe se emociona ao narrar história (Foto: Diego Gurgel/Secom)
A mãe se emociona ao narrar história (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Até que, esta semana, foi contatada pela equipe da Organização das Centrais de Atendimento (OCA), que lhe comunicava que o filho estava a sua procura. “Eu não acreditei muito que era ele”, conta Maria, ressentida com tantas tentativas frustradas.

Mesmo assim, foi ao encontro do rapaz. E apenas depois que Margareth Cavalcanti, diretora da OCA, mostrou-lhe que os dados da certidão de nascimento original, em poder dele, eram os mesmos da segunda via, que ela retirara, e que a história que ambos narravam era a mesma é que Maria Celestina se permitiu acreditar que reencontrava seu menino. E enfim correr para o abraço.

“Tá um ‘homão’”, diz ela, emocionada. É verdade. Marcelo da Silva Ferreira já completou 23 anos. Viveu em diversas cidades da Região Norte e até em Itabirito, em Minas Gerais. Mas sempre quis reencontrar a mãe, de quem não guardava nenhuma lembrança. Prometeu para si que quando o pai se casasse – não queria deixá-lo só – a procuraria. E cumpriu o intento.

Marcelo ganhou uma família (Foto: Diego Gurgel/Secom)
Marcelo ganhou uma família (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Chegou a Rio Branco na noite de segunda, 26. Foi à OCA na terça, buscando auxílio. Maria foi localizada em menos de dois dias. “É uma satisfação realizar esse tipo de trabalho. Toda a equipe se envolve na busca e fica na expectativa de um desfecho feliz”, conta Vera Freire, coordenadora da organização.

Mãe e filho sabem que o tempo perdido não volta. Mas receberam algumas compensações pelo golpe que sofreram. Marcelo ganhou dois irmãos, os gêmeos Graziel Marcos e Maria Graziele, de 12 anos, o padrasto Antônio e vários tios e primos, além de avô e avó. E Maria Celestina poderá desfrutar a companhia do filho: “Vou passar um tempo por aqui”, planeja Marcelo.