Secretária de Educação pede para que professores tenham bom senso e voltem ao trabalho

Greve prejudica principalmente as famílias mais pobres, avalia Maria Corrêa durante entrevista à Difusora Acreana

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Secretária de Educação explicou que o Governo não tem como oferecer mais do que já foi apresentado como contraproposta (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

A greve dos professores prejudica uma série de atores sociais, mas principalmente as famílias mais pobres, maiores usuárias da educação pública no Acre. O contexto da paralisação foi apresentado e avaliado nesta terça-feira, 27, pela secretária de  Educação, Maria Corrêa, em entrevista ao programa Gente em Debate, da Rádio Difusora Acreana, conduzido pelos jornalistas Júnior César e Jacira Abdon.

"Precisamos avaliar a greve do ponto de vista da população. O aluno da rede pública só conta com a escola, ao contrário dos filhos da classe média, que tem alternativas", observou Maria Corrêa, pedindo para que os professores voltem às salas de aula e retomem suas atividades. O Governo propôs lançar na folha de pagamento 50% do valor correspondente ao programa VDP, que é como se fosse um 14º salário, um prêmio ao professor que planeja, mantém-se na formação continuada e não falta ao trabalho. O restante seria pago no encerramento do ano letivo, avaliado o desempenho do professor quanto ao VDP.

Ouça a entrevista:

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O Governo do Estado, conforme a secretária, não tem condições de oferecer mais do que já foi apresentado como contraproposta à pauta de reivindicação salarial do Sindicato dos Professores Licenciados do Acre (Sinplac) responsável pela paralisação. Existe a impossibilidade legal de se aplicar retroativamente perdas salariais decorrentes da inflação. A lei permite reposição da inflação do período, o que, no caso, é de cerca de 2,5%. A Secretaria de Estado da Educação atua com rigoroso cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. "Nós temos limites. O Governo não é um poço sem fundo. Em dezembro, entregamos o Governo e o vamos fazer com contas saneadas", disse Maria Corrêa.

A secretária disse que não reconhecer os avanços na educação, em especial a política de  valorização profissional, é fechar os olhos às conquistas que a partir de 1999 tirou o Acre das últimas colocações nas avaliações do Ministério da Educação para posições privilegiadas, em muitos casos melhores que Estados tidos como desenvolvidos. "Jamais na história do Acre se investiu tanto em salário e qualificação profissional", garantiu. "Até 2011, o Estado será o primeiro do País com 100% de seus professores formados em nível superior".

Com piso de R$ 1.675,00 para contrato de trinta horas, os professores acreanos têm um dos melhores salários do Brasil. A maioria dos professores em greve já estão na metade ou na última fase da carreira e tem mais de um contrato, o que indica que a remuneração não é irrisória. O ambiente de trabalho está muito melhor, com escolas novas, construídas com padrão de alta qualidade. "O governador Binho Marques padronizou as escolas quando era secretário. Desde então, as escolas são construídas com a mesma qualidade na capital ou no interior", lembrou Maria Corrêa.

A Secretaria de Educação não aceitará reposição aos sábados das aulas perdidas com a greve. No sábado, a tendência é que poucos alunos vão para a escola, o que aumenta o prejuízo aos estudantes.  "Precisamos olhar essas questões de forma racional", pediu Maria Corrêa.

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