Público prestigia abertura do VI Festac

Canções do imaginário popular e ritmos como o carimbo e o forró marcaram o cortejo de abertura do VI Festival de Teatro do Acre (Festac), no último sábado (Val Fernandes)
Canções do imaginário popular e ritmos como o carimbo e o forró marcaram o cortejo de abertura do VI Festival de Teatro do Acre (Festac), no último sábado (Val Fernandes)

Canções do imaginário popular e ritmos como o carimbo e o forró marcaram o cortejo de abertura do VI Festival de Teatro do Acre (Festac), no último sábado (Val Fernandes)

Canções do imaginário popular e ritmos como o carimbo e o forró marcaram o cortejo de abertura do VI Festival de Teatro do Acre (Festac), no último sábado, 14. O trajeto até o Mercado Novo Velho foi animado pela presença de pernas de paus, palhaços e artistas de vários estado do país. Mais de trezentas pessoas prestigiaram a abertura do festival.

O primeiro espetáculo do dia foi o “Comédia Del’ Acre” da Cia Visse e Versa (AC). O tom de farsa popular comemorou em grande estilo a abertura do festival. Poucos grupos se arriscam na aventura de apresentar-se ao ar livre, porque é complicado dominar a contento esse tipo de apresentação. O elenco esteve afinadíssimo e com jogo de cintura, o que é fundamental nesta modalidade, pois o público de teatro de rua não se acanha em interromper o espetáculo para comentar, conversar, interferir.

Em seguida foi a vez de “Tira a Canga do Boi” do Raízes do Porto  (RO), que também encantou o público com sua narrativa  e  personagens típicos de um Bumba-meu-boi: Mateus, Bastião, Capitão, Catirina e outros.

Os irmãos Luana (5) e Riquisson (7) assistiam atentos aos espetáculos. Eles estavam com os pais, o motorista de caminhão Valdeci Lopes, e a esposa Maria Adelaide. “Pra gente que não pode pagar é muito bom ter algo aqui na praça. O dinheiro pra gente passear domingo é pras crianças comerem uma pipoca, algodão doce. Acho maravilhoso o Governo do Estado incentivar isso, é bom porque as crianças aprendem outras coisas que não é na televisão. Estão de parabéns. Todos os espetáculos que forem na praça vou trazer meus filhos”, disse o motorista.

“Ana-me” foi o espetáculo que fechou o primeiro dia de festival. Inspirado no conto Amorde Clarice Lispector, do Teatro de Senhoritas (SP), o espetáculo lotou o Teatro Plácido de Castro, e arrancou elogios do público pela montagem e o elenco composto pelas atrizes Débora Zamarioli, Isis Madi e Sandra Pestana.

No segundo dia do evento, domingo, foi a vez do público infanto-juvenil prestigiar a programação. Quem subiu ao palco do Teatrão foi o grupo GPT, com uma montagem de Saltimbancos, de Chico Buarque. Com elenco e direção afinada, o espetáculo mais uma vez encantou a platéia.

O trajeto até o Mercado Novo Velho foi animado pela presença de pernas de paus, palhaços e artistas de vários estado do país (Val Fernandes)

O trajeto até o Mercado Novo Velho foi animado pela presença de pernas de paus, palhaços e artistas de vários estado do país (Val Fernandes)

“Frei Molambo”, encenado pelo ator Juraci Júnior, do grupo Raízes do Porto (RO), fechou a agenda do domingo, 15, no Teatro Plácido de Castro. O monólogo traz na narrativa o personagem Frei Rolando, um cavalheiro bíblico, mítico, que decide sair mundo afora pregando e ensinando aos povos as profecias bíblicas e anunciando o apocalipse, atraindo para si multidões.

Marco cultural – Para o artista Dinho Gonçalves, membro da organização, o VI Festac pode ser considerado um marco nas artes cênicas no estado.  “São várias pessoas envolvidas pra fazer uma festa bonita, alegre e para enaltecer o teatro e a cultura. Passando no cortejo via a expressão das pessoas nas ruas, é de alegria. É um marco essa edição, pois é o maior, são quinze peças, dez grupos, mais de cem pessoas de outros estados. Temos o dever de fazer o chamamento para que o público acreano venha prestigiar o teatro”, comentou.

Para a diretora presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Francis Mary Alves de Lima, o apoio do Governo do Estado ao projeto, via Fundo Estadual de Cultura, traz um significado importante como proposta de fomento à formação e ao intercâmbio teatral.

“Nós, do Governo do Estado, estamos muito felizes em apoiar esse projeto que propõe de forma democrática o debate sobre o fazer teatral com a participação de vários grupos locais e de outros estados. Não é fácil realizar um projeto dessa monta e proporcionar esse espaço de integração, utilizando a arte e mobilizando as emoções. O Festac já é um sucesso”.

Para Suely Rodrigues, Diretora Artística do Raízes do Porto, o festival tem grande importância para a região. “O Festac sempre promoveu o encontro da diversidade teatral do Brasil incluindo em sua programação diversos tipos de espetáculos vindos de todas as regiões. Este ano o principal viés de discussão está em torno do custo amazônico que tem sido tema de todos os debates das Políticas Públicas para as Artes, hoje, garantido nas Diretrizes do Plano Nacional de Cultura. O intercâmbio abre esse leque de vertentes e proporciona aos artistas e técnicos uma oportunidade ímpar de vivência, motivando novos caminhos a serem trilhados no universo da criação artística.”

Com produções teatrais de rua, animação, adulto e infantil, o VI Festac promete ser uma referência para as artes cênicas do Brasil. O evento conta com o apoio da Prefeitura de Rio Branco, através da Fundação Garibaldi Brasil, e Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour.  “O festival sempre teve o objetivo de promover o teatro e fazer com que essa arte não seja esquecida pelos novos públicos. Durante os últimos seis anos, o Festac cumpriu com esse objetivo graças aos grandes artistas que participaram com seus espetáculos, os oficinas, os debates e outros. Estamos crescendo a cada ano e esperamos fazer de 2012 o grande ano do teatro no Acre”, disse Lenine Alencar.

Serviço

Ingressos R$ 10 e R$ 5 reais – vendas antecipadas somente no dia de cada espetáculo,  pela manhã, na bilheteria de cada espaço teatral. Informações: 3244-2554 (Fetac)