Projeto Artesanato Florestal fortalece economia sustentável e gera renda com apoio do Programa REM

O artesanato produzido a partir de sementes, fibras, madeira e látex da floresta tem ganhado cada vez mais espaço dentro e fora do Acre. Peças como biojoias, gamelas, esculturas, bolsas e cestarias carregam identidade cultural e conhecimento tradicional das comunidades amazônicas.

Esse potencial vem sendo fortalecido pelo Projeto Artesanato Florestal, executado pelo governo do Acre por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), que tem contribuído para ampliar mercados, qualificar produtores e gerar renda para famílias que vivem da floresta. A iniciativa integra as ações do Programa REM Acre – Fase 2 e apresenta resultados expressivos em todo o estado.

De acordo com a nota técnica “Resultados dos avanços no Projeto do Artesanato Florestal através do recurso financeiro do Programa REM Acre – Fase 2”, elaborada pela equipe da Unidade de Coordenação do Programa REM (UCP), a iniciativa tem consolidado o artesanato de base florestal como uma alternativa econômica sustentável para comunidades tradicionais, extrativistas e agricultores familiares.

Artesãos do Acre expõem produtos de base florestal no espaço Vitrine do Salão do Turismo, no Rio de Janeiro, com apoio do Programa REM Acre – Fase 2. Foto: Marcos Vicentti/Secom

O investimento total no projeto é de aproximadamente R$ 1,19 milhão, com mais de 90% dos recursos já executados, demonstrando eficiência na gestão e na implementação das ações. Os recursos do Programa REM Acre permitiram estruturar capacitações técnicas, fortalecer a organização produtiva dos artesãos e ampliar o acesso a mercados regionais e nacionais.

Entre os principais avanços está a qualificação de artesãos para o uso de resíduos provenientes do manejo florestal sustentável, especialmente na produção de peças em madeira, como gamelas e objetos utilitários. As capacitações incluíram ainda noções de design, identidade territorial e melhoria da qualidade produtiva, contribuindo para o aumento da competitividade do artesanato acreano.

Para o diretor de Turismo e coordenador do Programa REM na Sete, Jackson Viana, o apoio financeiro do programa tem sido decisivo para fortalecer o setor.

“Graças ao recurso do Programa REM, nessa execução da fase 2, nós conseguimos alcançar resultados muito significativos com o desenvolvimento do artesanato, por meio da qualificação dos produtos que são produzidos por esses artesãos e também com a divulgação e a comercialização a nível nacional”, destacou.

Gamelas produzidas com madeira de reaproveitamento são apresentadas por artesão acreano. Foto: Marcos Vicentti/Secom

O projeto também ampliou significativamente o acesso a mercados. Com apoio do Programa REM Acre – Fase 2, artesãos participaram de grandes feiras nacionais, como o Salão do Artesanato, a Feira Nacional de Negócios de Artesanato (Fenearte) e a Feira Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará (Fenacce), alcançando volumes expressivos de vendas. Essa inserção contribuiu diretamente para o aumento da renda das famílias envolvidas e para a projeção do Acre como referência em artesanato florestal sustentável.

Os dados apresentados na nota técnica indicam que, ao longo dos últimos anos, a comercialização em feiras nacionais movimentou valores expressivos. Em 2019, por exemplo, a arrecadação aproximada chegou a R$ 1,34 milhão. Mesmo durante o período de restrições sanitárias em 2020, o projeto manteve participação em eventos, registrando cerca de R$ 240 mil em vendas. Nos anos seguintes, os resultados voltaram a crescer, mantendo patamar próximo de R$ 900 mil anuais em feiras nacionais.

Em 2025, a participação dos artesãos acreanos em feiras nacionais continuou gerando resultados expressivos. De acordo com os dados apresentados, o maior volume de vendas foi registrado na Fenearte, em Pernambuco, com R$ 409.811,00 em comercialização de produtos. Em seguida aparece o Salão do Artesanato, em São Paulo, que movimentou R$ 117.008,00, e a Fenacce, no Ceará, com R$ 89.668,00 em vendas.

Os números evidenciam o potencial competitivo do artesanato acreano em grandes eventos nacionais e reforçam a importância das feiras como estratégia de acesso a mercados, geração de renda e valorização dos produtos produzidos a partir da sociobiodiversidade amazônica.

Valores arrecadados por meio da venda com artesanatos nas feiras nacionais no ano 2025 pelos beneficiários do Programa REM Acre. Fonte: Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete)

“Com a divulgação, a comercialização a nível nacional, garantida pelo Programa REM, levando artesanatos do Acre para vender nas feiras, nós sempre estivemos dentro dessas feiras, na posição de primeiro, segundo, terceiro lugar no ranking nacional, os produtos acreanos, sendo entre os mais vendidos”, ressaltou Jackson.

Outro destaque do diagnóstico é o crescimento do número de artesãos beneficiados pelo projeto. Em 2019, cerca de 46 produtores participavam das ações. Em 2025, esse número chegou a 375 artesãos, evidenciando a ampliação do alcance territorial da iniciativa.

A participação feminina também se destaca. A maior parte dos beneficiários do projeto é formada por mulheres, o que reforça o papel do artesanato como instrumento de autonomia econômica, inclusão social e valorização do trabalho feminino nas comunidades amazônicas.

A diversidade dos produtos comercializados reflete a riqueza cultural e ambiental do Acre, incluindo biojoias em sementes, peças decorativas e utilitárias em madeira, artesanato indígena, produtos em látex natural e itens têxteis confeccionados com fibras vegetais. Essa produção alia identidade cultural, conservação ambiental e geração de renda.

“A gente vê como muito positivo os avanços que tivemos, e o que precisamos agora é qualificar cada vez mais e produzir cada vez mais produtos a partir de matéria-prima da própria floresta, para que a gente consiga ter uma economia que seja sustentável e que traga um retorno de geração de emprego e renda para essas comunidades”, pontuou o diretor.

Produtos do artesanato florestal acreano expostos no Salão do Turismo destacam a diversidade, a identidade cultural e o potencial econômico da produção sustentável. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Além dos impactos econômicos, o Projeto Artesanato Florestal contribui diretamente para as políticas de redução do desmatamento e valorização da floresta em pé. Ao transformar resíduos florestais e produtos não madeireiros em bens de alto valor agregado, a iniciativa reduz a pressão sobre novos desmatamentos e fortalece um modelo de desenvolvimento de baixo carbono no estado.

Os resultados demonstram que o artesanato florestal vem se consolidando como um ativo econômico, social e cultural, reafirmando o compromisso do Acre com o desenvolvimento sustentável, a valorização dos saberes tradicionais e a conservação da Amazônia.

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