Peem Poronga forma 767 jovens e adultos no ensino médio em Rio Branco

Em 2011 o programa formará  8.155 estudantes em sete cidades acreanas

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Todos os alunos que concluíram o ensino médio são oriundos de dez escolas de Rio Branco. Em nove anos de atuação, 24.927 jovens e adultos receberam seus certificados de conclusão dos ensinos fundamental e médio (Foto: Assessoria SEE)

Cursar uma universidade. Conseguir um bom emprego. Concretizar antigos sonhos, estes são sonhos de 767 jovens e adultos do Programa Especial do Ensino Médio – Peem Poronga – que celebraram sua formatura na noite de quinta-feira, 27, no anfiteatro da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas Rio Branco (Firb/Faao). A cerimônia foi conduzida pela atriz Roberta Rodrigues.

Todos os alunos que concluíram o ensino médio são oriundos de dez escolas de Rio Branco. Em nove anos de atuação, 24.927 jovens e adultos receberam seus certificados de conclusão dos ensinos fundamental e médio e 1.500 professores foram formados pela metodologia do Telecurso.

Histórias como a de Jorventina Ribeiro, 56, se confundem com a de milhares de pessoas que acessaram o Peem Poronga. Nascida nos seringais acreanos, por vários motivos ela não teve oportunidade de estudar ao longo de sua trajetória de vida. “Faltava algo em minha vida para me fazer feliz. Com o Peem Poronga percebi que era possível realizar meu sonho de aprender a ler e a escrever. Hoje me considero vitoriosa e já dei o próximo passo para ingressar na faculdade, fiz as provas do Enem e pretendo cursar Serviço Social”, afirma.  

O Peem Poronga também fez a diferença na vida de Maria Madalena Souza e Manasés dos Santos Souza, mãe e filho. Os dois decidiram retornar aos estudos e seguir em frente juntos, um incentivando o outro. Todas as noites faziam um longo percurso até chegar à escola. “Segurar o certificado do Ensino Médio significa muito para nós. Prova de que devemos ter força de vontade e determinação para alcançarmos nossos objetivos”, revela Madalena.

Feliz com mais esta conquista fruto da parceria da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE) com a Fundação Roberto Marinho, o secretário Daniel Zen, ressaltou e elogiou a força de vontade e o esforço de todos que, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos 18 meses, hoje se encontram prontos para novos desafios.  

“A parceria com a Fundação Roberto Marinho tem nos possibilitado desenvolver programas mais que especiais como o Peem Poronga e Asas da Florestania. Os formandos são as estrelas da festa, a quem devemos render nossas homenagens. Programas como o Poronga, que visa corrigir a distorção idade série, um problema que não acontece somente no Acre, mas em todos os estados brasileiros, permitiu que diminuíssemos nosso índice de distorção idade série que em 2001 era de 54%. Dez anos depois da implantação do Peem e do Poronga este número caiu drasticamente para  30%”, ressaltou Daniel.

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“A parceria com a Fundação Roberto Marinho tem nos possibilitado desenvolver programas mais que especiais como o Peem Poronga e Asas da Florestania. Os formandos são as estrelas da festa, a quem devemos render nossas homenagens

A adoção do Peem Poronga possibilitou ainda um aumento do número de alunos que concluem os estudos, redução da idade com que os estudantes terminam o ensino fundamental e crescimento da demanda por mais vagas no ensino médio, além da correção do fluxo escolar.

A secretaria Estadual da Educação, que tem várias políticas educacionais de valorização de alunos e professores, reconhece a importância do programa Poronga para alcançar os excelentes resultados alcançados nas avaliações nacionais. Segundo dados do Ideb, os alunos do Acre, do 6º ao 9º ano, estão em 4º lugar no ranking nacional. Era o último 12 anos atrás.

O programa tem mudado a vida dos acreanos  

O vice-governador César Messias prestigiou o evento e falou de sua emoção de fazer parte de um momento tão especial na vida dos 767 formandos. “A energia positiva é contagiante. Participar desta festa além de minha alegria é uma honra. Quero registrar o nosso agradecimento a Fundação Roberto Marinho que é parceira no projeto de mudar a vida dos acreanos ao longo dos últimos 12 anos e mudar para melhor”, comenta.

O Poronga foi adotado como política pública de ensino pelo governo do Acre com o objetivo de diminuir os altos índices de defasagem idade-série no Estado. O nome dado ao programa remete à lamparina usada pelos seringueiros que, colocada na cabeça, deixa as mãos livres e serve para iluminar o seringal. O projeto está presente em 17 dos 22 municípios do Estado (Brasiléia, Bujari, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Rio Branco, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá, Vila Campinas, Xapuri, Assis Brasil, Mancio Lima, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre e Rodrigues Alves.

As próximas formaturas são em Feijó, (31 de outubro), Tarauacá, (1 de novembro) e Cruzeiro do Sul, (3 de novembro).    

O Telecurso

O Telecurso é uma iniciativa conjunta da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Fundação Roberto Marinho. O programa utiliza uma metodologia de ensino apropriada à aceleração escolar e reconhecida pelo MEC. Com aulas presenciais, o Telecurso utiliza um material de apoio elaborado especialmente para o programa, por alguns dos mais experientes educadores, mestres e doutores das principais universidades brasileiras.  

O Telecurso tem sido utilizado para enfrentar os problemas mais frequentes no sistema educacional brasileiro, tais como defasagem idade/série, formação de professores, alternativa de oferta de ensino regular para alunos dispersos em áreas rurais e complementação curricular.  

Hoje o programa é adotado nos estados do Acre, Amazonas, Minas Gerais  (na rede municipal de ensino) Pernambuco e Rio de Janeiro (nas redes municipal e estadual de ensino) O índice de aprovação do Telecurso, que chega a mais de 90%, é um dos principais motivos que levam governos estaduais a adotar o programa como política pública de ensino. Como indicador de sua importância para a educação no país, o Telecurso foi escolhido, em 2001, como currículo de referência nacional para a avaliação de jovens e adultos por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

A organização curricular do Telecurso é modular e sua metodologia trabalha a construção coletiva do conhecimento, correlaciona conceitos com o cotidiano, possibilita uma abordagem interdisciplinar e gera o prazer de aprender. Professores, coordenadores e a equipe interdisciplinar são responsáveis pela mediação pedagógica nas salas de aula e também pelos projetos pedagógicos complementares, como dias temáticos, aulas-passeio, mostras culturais, entre outros. Todos os educadores que integram as atividades do Telecurso participam da formação na metodologia e são acompanhados sistematicamente nas suas práticas.