O primeiro check-in

Pedro Inácio arruma rapidamente seu cavalo, sobe, e segue em direção ao Seringal Bom Destino. Enquanto isso, sua esposa Luíza Mendes sofre as dores de parto. O caminho é perigoso. Naquela época, 1961, Inácio poderia dar de cara com uma onça a qualquer momento. Mas o jovem estava destinado a seguir o seu caminho e encontrar uma parteira que o acompanhasse até sua casa.

Pedro e Luíza não sabiam quase nada sobre a criança que, em alguns instantes, nasceria. E assim como eles, poucos cidadãos sabiam algo sobre seus filhos nesse período de gestação. Visto que, naquele tempo, a ação de acompanhamento das gestantes ainda não abrangia a todas as mulheres.

Mas as grávidas podiam contar com as parteiras que, com destreza, realizam os partos. Uma confiança mútua entre mãe, parteira e bebê. E foi assim por muito tempo. Até que, em 15 de outubro de 1949, o governador Guiomard dos Santos finalizava a construção da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, vindo a ser inaugurada somente no ano seguinte.

É importante ressaltar que, mesmo após a sua fundação, a maternidade integrou várias parteiras como parte do seu grupo de funcionárias. Visto que, a maioria das gestantes optava pelo parto da maneira tradicional e confiava a vida delas e a de seus filhos nas mãos das experientes parteiras.

Mas, com o passar dos anos, o tabu foi sendo quebrado e o momento do nascer ficando sob a responsabilidade dos obstetras. À medida que o estado do Acre se desenvolvia, mais se percebia a importância da construção da Maternidade Bárbara Heliodora. “Um lugar construído para recepcionar o futuro”.

E seguiu assim por muito tempo. Porém, com o passar dos anos e as mudanças de governo e administração, vieram os desgastes e outros problemas à unidade. E os reflexos foram sentidos, não apenas na imagem do local, mas também nas pessoas que necessitavam do atendimento. Entretanto, isso mudaria.

Após assumir o Governo do Estado do Acre, Gladson Cameli priorizou a reestruturação da maternidade, e começou com mudanças na gerência do lugar. Hoje, sob a direção de Wagner Bacelar, a unidade se desenvolve e busca oferecer um serviço mais humanizado para as mulheres.

A Maternidade Barbara Heliodora hoje é referência na região norte. De forma que, além de receber gestantes de vários municípios do Acre, também estende esse atendimento a Rondônia e ao Amazonas. Além disso, recebe pacientes de países que fazem fronteira com o Brasil, como Peru e Bolívia.

A unidade, atualmente, atende em média 2500 pacientes por mês, nesse total estão grávidas e não grávidas. Além disso, possui 70 leitos, divididos em suas especificidades. Inclusive, a sala Doce Espera, a qual foi idealizada pela primeira-dama Ana Paula Cameli e a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil, inaugurada no dia 8 de junho.

Um lugar aconchegante, com iluminação adequada, móveis, equipamentos eletrônicos e poltronas acolchoadas. Além disso, está interligado a um espaço especial, onde podem realizar exames como: ultrassonografia e cardiotocografia. Assim, as mães que necessitarem de uma vigilância diferenciada, serão direcionadas à sala Doce Espera.

E para aquelas que estiverem muito ansiosas ou aflitas com a chegada dos bebês, a unidade dispõe de um grupo de psicólogos. Os profissionais são divididos conforme as especialidades. Portanto, o atendimento não se resume apenas às gestantes, mas a todas as mulheres que precisarem de um cuidado psicológico especializado.

A nova gestão vai ajustando a Maternidade Barbara Heliodora de forma que, aos poucos, vai tornando-a um lugar melhor para o primeiro check-in dos pequenos. O local ainda precisa de melhorias, mas a evolução é visível e esperamos que, com o passar do tempo, evolua ainda mais.

E por falar em check-in, a filha de Pedro e Luíza fez o seu, e o casal pôs o nome dela de Maria Dalva. Assim como ela, vários bebês nasceram pelos seringais e colocações, naquela época, pelas habilidosas mãos das parteiras. Mas hoje, o melhor lugar para o primeiro check-in dos pequenos é a Maternidade Bárbara Heliodora.

 

Disney Oliveira

Estudante do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Federal do Acre.

Estagiário da Agência de Notícias do Acre.