O médico da floresta

Padre Paolino atende mais de 60 pessoas por dia na igreja de Sena Madureira, distribui remédios e ensina poções medicinais

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O dia nem bem amanheceu, por volta da 4h da manhã e as pessoas já começam a chegar na igreja católica Nossa Senhora da Conceição,  em Sena Madureira. A pressa é para fazer a fila para garantir atendimento com o médico da floresta, como é chamado no município o padre Paolino Maria Baldassari.

A cada minuto que passa, o número de pessoas aumenta, e enquanto não amanhece elas vão se acomodando em um banco de alvenaria que fica encostado à igreja.Por volta das 7h padre Paolino vai até as dependências da igreja onde acontecem as consultas. Do lado de fora uma enorme fila já esta formada pelas pessoas que recebem as fichas para não tumultuar o trabalho do padre, que na verdade não é médico, se denomina um prático da medicina. Ele aprendeu no cotidiano, através de livros, contatos com seringueiros, índios, e com a comunidade em que vive, algumas receitas de cura. Hoje, Paolino dedica sua vida as classes menos favorecidas.

Após ter pegado oitenta cruzes de malária, padre Paolino, que tem 81 ano, é dono de uma vasta experiência sobre as doenças que afeta a comunidade da zona rural e urbana de Sena Madureira, em uma conversa e uma simples examinada no paciente consegue diagnosticar algumas enfermidades.Os remédios prescritos por ele são na maioria de plantas medicinais, que podem ser feitos em casa pelo próprio paciente, por isso, o apelido de médico da floresta.

Outros remédios são fármacos que recebe de sua família, que reside na Alemanha.Em média o padre chega a atender mais de 60 pessoas por dia, que vêm de das margens das estradas e rios, dos ramais, seringais e também da zona urbana. Além da consulta, os pacientes ainda recebem gratuitamente o medicamento. Há pessoas que percorrem uma distância de dois dias de viagem ate a cidade para ser atendido pelo padre.

O seringueiro Josimar Macelino, que mora no Rio Caeté diz que prefere se consultar com o padre Paolino, e diz que os medicamentos que ganha ou aprende a fazer sempre o curam. “A maioria dos remédios que a gente precisa ele tem aqui e repassa de graça. Os remédios que ele passou serviram para curar minhas doenças, confio no trabalho que faz e ele tem um carinho muito grande pelas comunidades”, comenta.

A dona de casa Lenize Macelino que mora na estrada Xiburema há 2 quilômetros da cidade, diz que já procurou médicos em tratamennto para sua filha, mas até agora nenhum remédio adiantou. Depois de ouvir elogios sobre o atendimento medicinal de padre Paolino, decidiu procura-lo. “Ele é um bom médico, muita gente fala isso. Tem muita gente que vem consultar com ele e decidi procurar também”, comenta. Padre Paolino ressalta a importância do atendimento à comunidade, que faz há mais de 40 anos.

Diz que uma das maiores dificuldades é a falta de medicamento e não tem como conseguir ate que seu estoque chegue da Alemanha. Ainda assim, enfrenta a burocracia em receber um produto de outro país. “Me sinto mal quando falta medicamento e vejo um monte de gente doente em busca da cura”, comenta o padre que não mede esforços para continuar com sua missão.

A igreja católica dispõe hoje de um laboratório no qual são realizados exames gratuitamente. Os recursos para a compra de material que o mantém são oriundos das doações de pessoas que procuram o serviço e doam dinheiro para a igreja.

Márcio Farias
Rádio Difusora – Sena Madureira
Agência de Notícias do Acre