No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, governo destaca avanços na inclusão e ampliação no atendimento a estudantes

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância da inclusão e do acesso à educação de qualidade para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Acre, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (SEE), tem intensificado políticas públicas que fortalecem a educação inclusiva e ampliam o suporte nas escolas da rede pública.

Presença de profissionais de apoio nas escolas contribui para o desenvolvimento escolar e social dos estudantes. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Entre os principais avanços está a criação, em 2024, da Central de Referência em Educação Especial. O espaço atua como suporte técnico e pedagógico às escolas, auxiliando no diagnóstico educacional, orientação às famílias e formação de profissionais.

Outro marco importante foi a contratação e posse de mais de 730 profissionais da Educação Especial, incluindo professores mediadores e assistentes educacionais. Em 2026, o Estado deu mais um passo histórico ao efetivar cerca de 700 professores para atuar diretamente na mediação escolar, fortalecendo o atendimento aos estudantes com deficiência.

De acordo com a chefe do Departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, o Acre se diferencia ao priorizar a qualificação dos profissionais que atuam na inclusão. “Enquanto muitos estados contratam estagiários ou profissionais de nível médio, o Acre investe em docentes para fazer essa mediação em sala de aula, garantindo mais qualidade no atendimento”, destaca.

Modelo baseado na escola comum

Na prática, o modelo adotado pela rede estadual é baseado na escola comum, onde todos os alunos estudam juntos. A partir disso, a Educação Especial atua como promotora de acessibilidade, oferecendo suporte conforme a necessidade de cada estudante.

“O aluno é da escola. E nós entramos com os profissionais da Educação Especial para, junto com o professor regente, a coordenação e a gestão, promover a acessibilidade. Cada estudante passa por um estudo de caso, que identifica suas potencialidades e as barreiras que enfrenta. A partir disso, definimos o tipo de atendimento mais adequado”, explica Hadhianne.

“Profissionais da Educação Especial atuam nas escolas promovendo acessibilidade e garantindo que todos os alunos tenham acesso ao currículo”, diz Hadhianne. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Esse atendimento pode incluir acompanhamento em sala de aula com professor mediador, suporte em salas de recursos multifuncionais, atendimentos individualizados ou em grupo, sempre considerando o nível de necessidade de cada aluno.

Além disso, a rede também conta com assistentes educacionais, que atuam no apoio às atividades de cuidado, como alimentação, higiene e locomoção, garantindo mais autonomia e segurança aos estudantes.

Outro destaque é o investimento contínuo na formação dos profissionais. A SEE organiza capacitações ao longo do ano, com base nas demandas apresentadas pelas escolas, o que tem resultado em experiências exitosas e melhoria no atendimento educacional.

A articulação com outras áreas também é considerada essencial para o sucesso da inclusão. A parceria com a saúde, assistência social e o envolvimento das famílias contribuem diretamente para o desenvolvimento dos estudantes.

Alguns dados

Nos últimos anos, o Acre tem registrado crescimento significativo na identificação de alunos com autismo e outras deficiências. Segundo levantamento da SEE, houve um aumento superior a 600% nos diagnósticos na rede, reflexo da ampliação do acesso aos serviços de saúde e da maior atenção às neurodivergências.

Incluir é o principal objetivo da Central de Referência em Educação Especial. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Em 2024, cerca de 8% dos alunos da rede apresentavam algum tipo de deficiência. Já o censo de 2025 apontou um crescimento para aproximadamente 10%, o que tem exigido constante adaptação das estratégias educacionais.

Apesar do aumento, nem todos os estudantes necessitam de acompanhamento contínuo em sala de aula. O suporte é definido com base em avaliação pedagógica, garantindo atendimento proporcional à necessidade de cada aluno.

Acre é referência nacional em apoio pedagógico

O avanço das políticas públicas colocou o Acre entre os quatro estados brasileiros que garantem apoio pedagógico estruturado a alunos com deficiência dentro das escolas regulares. Também o Distrito Federal, Goiás e Roraima alcançam esse nível de cobertura no país.

Os dados são do Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) no fim de fevereiro. O levantamento revela que, no Brasil, 1.144 das 5.571 cidades (20,5%) ainda possuem escolas sem esse tipo de profissional, essencial para garantir a inclusão educacional.

Rede estadual do Acre reforçou a educação inclusiva com a contratação de 737 profissionais efetivos da Educação Especial. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Nossa rede está cada vez mais estruturada, com investimentos contínuos, e isso tem permitido ao Acre consolidar um modelo de educação inclusiva que garante não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso escolar de todos os nossos alunos. Além disso, nossa legislação assegura a presença de profissionais de apoio sempre que comprovada a necessidade do estudante, fortalecendo uma inclusão feita com responsabilidade e foco na aprendizagem”, destacou o secretário de Educação, Aberson Carvalho.

 

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter

Tags: