Mortalidade infantil cai 40% no Acre

A Sesacre promove o mamaço, onde reúne várias mamães para orientar sobre a importância do leite materno (Foto: Assessoria Sesacre)

A Sesacre promove o mamaço, onde reúne várias mamães para orientar sobre a importância do leite materno (Foto: Assessoria Sesacre)

Com base no relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi lançado na última sexta-feira, 13, a mortalidade infantil no Brasil diminui 75% entre 1990 e 2012. Na década de 1990, o país registrava 52 mortes de crianças a cada mil nascidos vivos; em 2012, a taxa caiu para 13.

Levando em conta a mortalidade de crianças de até cinco anos no país, a queda é de 77,4%. Em 1990, a taxa era de 62 mortes a cada mil nascidos vivos, caindo para 14 mortes em 2012.

No Acre, a taxa de mortalidade infantil caiu cerca de 40% nos últimos oito anos. A redução se deve aos investimentos do governo do Estado nos cuidados da saúde da criança e da mulher. Foram realizadas, por exemplo, ampliação de leitos, enfermarias, unidades de Cuidados Intermediários (UCI) e de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), além da humanização da atenção à saúde da mãe e do bebê.

A mortalidade infantil reflete de condições socioeconômicas e ambientais de uma região, também das formas de acesso a um sistema de saúde de qualidade. A redução da taxa de mortalidade é obtida por meio do número de crianças de um determinado local (cidade, região, país, continente) que morrem antes de completar um ano, a cada mil nascidos vivos.

O acesso da população ao saneamento básico é um dos fatores diretamente ligados à mortalidade infantil e expectativa de vida da população – problema social que ocorre em escala global, sendo que o índice mais alto é registrado nas regiões mais pobres.  Entre os principais motivos estão a falta de assistência e de orientação às grávidas, deficiência na assistência hospitalar aos recém-nascidos e desnutrição.

O Banco de Leite capta o leite materno doado, faz um controle de qualidade e alimenta recém-nascidos (Foto: Assessoria Sesacre)

O Banco de Leite capta o leite materno doado, faz um controle de qualidade e alimenta recém-nascidos (Foto: Assessoria Sesacre)

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mortalidade infantil é reduzida a cada ano no país. No Acre, o Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado (Pró-Acre), lançado em abril de 2009, pelo então governador Binho Marques, tem, como um dos focos, a atenção integral à saúde da mulher e da criança.

A reestruturação das redes de saúde, a ampliação do acesso aos serviços básicos, em especial, aos atendimentos de pré-natal, a realização de partos com qualidade, o acompanhamento especializado de bebês prematuros e, posteriormente, a assistência médica às crianças até um ano de vida estão entre as prioridades do governo do Estado.

Estudos comprovam a queda da taxa de mortalidade no Acre

A assessora técnica do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dape), da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), e representante da Rede Cegonha no Acre, Gerlívia Angelim, comenta a redução de 40% no índice de mortalidade infantil no estado. “Isso é resultado dos esforços do governo para aprimorar as diversas áreas das políticas públicas, a começar pelo setor saúde: o direito à vida, à saúde na gestação, ao pré-natal, ao Cartão da Gestante, a um parto seguro e com qualidade, além dos direitos trabalhistas e sociais”, destacou Gerlívia.

{xtypo_quote_right}Para fazer doação ao Bando de Leite, basta entrar em contato pelo telefone 0800-647-1060 e solicitar uma equipe que fará a captação em domicílio{/xtypo_quote_right}

A assessora técnica fala, ainda, que esses direitos são primordiais para garantir melhores condições na gestação e partos saudáveis, um nascimento seguro e o pleno desenvolvimento do bebê. Essas condições permitem que as mães tenham tempo para amamentar, para cuidar, para aprender a ser mãe, criar laços afetivos profundos que serão importantes para o futuro cidadão.

“O desafio da mulher de hoje é conciliar o equilíbrio entre todas as conquistas sociais, com uma experiência marcante, essencial ao ser feminino, que é vivenciar a maternidade em toda sua plenitude. A ciência já comprovou que esse vínculo afetivo, nos primeiros meses de vida, é determinante para o desenvolvimento emocional, físico e intelectual desse novo brasileirinho”, completa.

Governos estadual e federal promovem a redução da mortalidade infantil

A Maternidade Bárbara Heliodora tem dez unidades de Cuidados Intermediários (UCI) e de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), e 62 leitos obstétricos (Foto: Assessoria Sesacre)

A Maternidade Bárbara Heliodora tem dez unidades de Cuidados Intermediários (UCI) e de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), e 62 leitos obstétricos (Foto: Assessoria Sesacre)

Um dos principais programas dos governos estadual e federal de assistência às grávidas e bebês é a Rede Cegonha, criada em 2011. A Rede busca garantir atendimento de qualidade a todas as brasileiras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde a confirmação da gestação, até os dois primeiros anos de vida da criança.

Outra política pública é o Grupo de Estímulo ao Aleitamento Materno (Geama), que promove o apoio e incentivo ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida do bebê. Depois, como complementação alimentar, a amamentação deve seguir até os dois anos de idade. O Geama acompanha as mães e o crescimento do bebê, a partir do sétimo dia do nascimento.

“O Geama é composto por uma equipe com profissionais nas áreas de pediatria, fonoaudióloga, psicóloga, enfermagem e pessoal de apoio, que acolhe as mães com bebês de zero a seis meses, para orientar sobre a importância e os benefícios do leite materno”, comenta a enfermeira Márcia Chaves.

Há seis anos, a equipe multidisciplinar do Geama faz um cronograma de atendimento que prevê consultas semanais até o primeiro mês de vida do bebê e, a partir do segundo mês, a cada quinze dias. Depois disso, as consultas são realizadas uma vez a cada três meses.

Cuidando com amor e carinho

Para a mamãe de Isabele Morais, Maria Carolina, o pior já passou, quando teve a filha prematura, aos seis meses de gravidez (Foto: Assessoria Sesacre)

Para a mamãe de Isabele Morais, Maria Carolina, o pior já passou, quando teve a filha prematura, aos seis meses de gravidez (Foto: Assessoria Sesacre)

Existem muitas maneiras de reduzir a mortalidade infantil. Em Rio Branco, a Maternidade Bárbara Heliodora oferece vários procedimentos, como o Banco de Leite, por exemplo. As equipes do Banco captam o leite de mães que produzem em excesso, faz um controle de avaliação e, posteriormente, utiliza para alimentar filhos recém-nascidos de mulheres que não conseguem amamentar.

A Maternidade Bárbara Heliodora conta com dez unidades de Cuidados Intermediários (UCI) e de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), 62 leitos obstétricos, 16 leitos de gestação de alto risco, 17 enfermarias de alojamento canguru (onde ficam os bebês prematuros junto às mães), oito leitos para parto, duas salas para recuperação pós-anestésico (RPA) e oito leitos de observação para casos de emergência.

A enfermeira Márcia Chaves explica que, quando as mães recebem alta na Maternidade, são orientadas a participar do Geama, para receber orientações.

Márcia diz que os bebês que não são prematuros e cujas mães não conseguem produzir leite suficiente para amamentação são incluídos no Banco de Leite. Com isso, é importante que a mulher que estiver amamentando e tenha leite em abundância participe do Bando de Leite. Para doar, basta entrar em contato pelo telefone 0800-647-1060, para solicitar uma equipe, que faz a captação em domicílio.

Qualidade no atendimento de bebês prematuros

A mamãe Cintia Oliveira comenta que teve uma gravidez de alto risco, mas foi bem tratada pela equipe da Maternidade (Foto: Assessoria Sesacre)

A mamãe Cintia Oliveira comenta que teve uma gravidez de alto risco, mas foi bem tratada pela equipe da Maternidade (Foto: Assessoria Sesacre)

A mamãe Cintia Oliveira relata que teve uma gravidez de alto risco e foi bem tratada pela equipe da Maternidade Bárbara Heliodora. “Conto os dias para ter alta e levar meu pequeno para casa”, diz, animada.

“Meu filho Gabriel nasceu de sete meses. Pesava um quilo e cem gramas. Fiquei muito nervosa. Pensei que talvez ele não resistisse, mas as enfermeiras me disseram para eu não ficar preocupada, porque a maternidade tem todo equipamento e pessoal qualificado, com experiência nesses casos. Hoje meu bebê está com 26 dias, começando a mamar no peito. Antes, ele só se alimentava por meio de uma sonda”, relata, satisfeita.

Para a mamãe da pequena Isabele Morais, a empregada doméstica Maria Carolina Andrade, o pior já passou. “Tive minha filha com seis meses de gestação, ela pesava 968 gramas e foi direto para a UTI, onde ficou por 15 dias. Foi muito bem atendida. Agora está com 1,454 kg e ganha peso a cada dia”, comemora.

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