Marca francesa de tênis celebra parceria com o Acre na COP 21

Látex de seringais nativos do Acre está presente no calçado vendido na Europa (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Látex de seringais nativos do Acre está presente no calçado vendido na Europa (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Há quase 10 anos, a empresa francesa de calçados Veja, responsável pela criação do tênis Vert, mantém parceria com os extrativistas do Acre. Em 2015, a empresa completa 10 anos. Para marcar a data, em evento realizado em Paris, na França, na quinta-feira, 10, a Veja reafirmou o compromisso com os princípios da economia verde desenvolvida no Acre.

Um vídeo contando as origens do grupo empresarial foi apresentado ao público. Entre os presentes, Carlos Klink, secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, e o governador Tião Viana. Os dois foram presenteados com exemplares de calçados fabricados pela empresa.

Os tênis Vert levam no solado matéria-prima do Acre. A tecnologia utilizada é a da folha defumada líquida (FDL) produzida a partir do látex de seringueira nativa. A FDL possibilita que o látex se transforme em folhas de borracha sem a necessidade de uma fase industrial intermediária.

A empresa francesa realiza a compra da matéria-prima diretamente de três associações de moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

O preço pago chega a ser quase 30% superior ao da borracha comum plantada em São Paulo, por exemplo. “Assim, evitamos os intermediários, e os seringueiros ganham mais”, destacou François-Ghislain Morillion, responsável pela empresa, que tem Sebastién Kopp como sócio.

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(Foto: Arquivo Secom)

Uma parceria recente com a modelo e ambientalista Lily Cole possibilitou o lançamento de uma coleção exclusiva. Além do látex nativo da Amazônia acreana, outros componentes, como o algodão orgânico do sertão nordestino e o couro tratado sem produtos químicos, demonstram o conceito de sustentabilidade da marca.

Os princípios da empresa estão de acordo com a economia de baixo carbono que permite valor agregado às comunidades e ao meio ambiente, evitando que o morador da floresta precise desmatar para melhorar a renda.

“É uma relação inovadora com as comunidades que estabelece esse vínculo de longo prazo, com pagamento de preço justo”, explicou Alberto Tavares, diretor da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais do Acre (CDSA).