Iniciativa privada contratou mais que o setor público

PIB industrial cresce desde 1999 segundo o IBGE e aumentou quatro vezes em dez anos

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Laminados Triunfo emprega 340 funcionários e tem planos de aumentar as linhas de produção (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Até hoje o grande empregador do Estado do Acre era o governo e tudo girava em torno do pagamento do servidor público, uma consequência da falta de força do setor privado. Com o desenvolvimento da indústria, a iniciativa privada tem revertido esse quadro e mudado o rumo da curva de crescimento no gráfico de estatísticas.

Entre 1999 e 2008 foram gerados 40.650 mil novos empregos no Acre, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2008, reconhecida como o censo anual do mercado de trabalho. Comparando o desempenho relativo dos anos 2007 e 2008, o Acre se posiciona em terceiro lugar no país, à frente de Estados como Rondônia, Amazonas, Pará e Tocantins. A evolução da geração de empregos no Estado intensificou-se a partir de 2004, desencadeando efeitos positivos sobre o emprego formal e resultando em 25 mil postos de trabalho de 2004 a 2008, representando um crescimento percentual de 39,9% na variação relativa, cenário que ratifica a consolidação do crescimento da economia local.

Outra boa notícia é de que, dentro da ótica do recorte setorial econômico do Estado, a expansão anual na criação de empregos ocorreu dentro da iniciativa privada, fruto do desenvolvimento e fortalecimento do setor produtivo no Acre. É a indústria acreana gerando empregos no Acre. O Estado continua a ser o maior empregador no Acre, mas o setor privado vem crescendo em boa proporção e está se aproximando do poder público em número de empregos ofertados. O setor privado – incluindo os empregos na construção civil – apresentou um aumento relativo de 126% no nível de emprego, enquanto os empregos no setor público aumentaram 39,38%.

As curvas de crescimento indicam que logo, logo o setor privado estará empregando mais do que o Estado no Acre, fato que vai consolidar e comprovar o crescimento econômico acreano. Só o setor industrial apresentou elevação percentual de 124,3% entre 1999 e 2008.

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Mão-de-obra jovem é prioridade na indústria de transformadores

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Jovens encontram na indústria oportunidade para ingressar no mercado de trabalho (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Transformadores de energia, desde os residenciais aos utilizados em grandes indústrias. A fabricação desses produtos é responsabilidade dos jovens trabalhadores da ITS Sulamericana, empresa instalada no Parque Industrial que dá preferência à mão-de-obra da juventude.

Durex, papelão e cola são os instrumentos de trabalho de Rosângela Carneiro Veras, que está há quatro anos na empresa e é uma das 38 funcionárias. “Aqui eu consegui o meu primeiro emprego, um sonho que é bem difícil de alcançar porque poucas empresas dão essa oportunidade. Eu comecei no setor de isolação, que é a primeira parte do transformador, mas já aprendi todos os processos de fabricação dos nossos transformadores e hoje ajudo as outras meninas nos outros setores quando é necessário, principalmente quando estão começando.”

Alguns setores exigem até um ano de treinamento para atingir uma boa capacidade de produção, e a parceria da ITS com o Senai na formação da mão-de-obra é essencial para a indústria. “A nossa opção pelos jovens trabalhadores reflete na verdade a maior disponibilidade que eles têm em aprender, além de não terem vícios de outros empregos. Eles entram e começam a fazer parte da família da empresa”, disse o gerente Pedro Fernandes.

O processo de fabricação, garante o gerente, não deixa a desejar a nenhum outro no Brasil e a produção já ganhou os mercados de Rondônia e Manaus. “A nossa grande vantagem competitiva é a redução no custo com o transporte, qualidade que não deixa nada a desejar e assistência técnica local, um grande diferencial”, explica o Pedro. A ITS tem uma meta ousada: estar entre as 100 melhores empresas para se trabalhar no Brasil.

Bons indicadores: sinal de desenvolvimento

O faturamento real da indústria de transformação cresceu 12% no acumulado dos nove primeiros meses de 2009. O emprego cresceu 7%, e a utilização média da capacidade instalada 7% no mesmo período. Todos os índices são de crescimento, apesar da grave crise financeira que afetou o mundo e a economia. Os dados indicam a consolidação do setor privado e a estabilidade que o Acre atravessa.

                                           NÚMEROS DA INDÚSTRIA (Jan a Set 2009)

Faturamento real da indústria cresceu 12%

Índice de emprego subiu 7%

Utilização Média da capacidade instalada aumentou para 7%

 

 

 

 

 

A taxa aritmética de crescimento no período de 2005 a 2008 foi  de 18%, o que indica que o setor secundário é um importante gerador de empregos no Estado. O Pib Industrial cresce desde 1999 de acordo com os dados do IBGE. Já o Pib acreano aumentou quatro vezes em dez anos e ultrapassou a casa dos R$ 6,4 milhões.

Madeiras serradas, cortadas em folhas e compensadas, couros bovinos e castanha foram os principais produtos exportados em 2007 – mostrando o fortalecimento da economia de base florestal, que foi a opção do estado para o desenvolvimento de forma sustentável. Em contrapartida, máquinas e aparelhos para moldar borracha; máquinas de medida e bielas para motores foram os principais produtos importados em 2007. Ou seja, a indústria acreana se modernizou. Apesar do mercado acreano ser considerado pequeno e ter uma informalidade bastante elevada, a arrecadação média de ICMS gira em torno de R$ 36 milhões por mês.

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Implantação do Parque Industrial foi importante incentivo para instalação de novas empresas e geração de emprego no setor privado (Foto: Arquivo/Secom)

Novos horizontes

{xtypo_quote_right}A estrada vai ampliar o comércio interno do Estado. No Juruá eles produzem produtos que não chegam aqui […] E os produtos daqui também não chegam lá. Esse fluxo mudará bastante o comportamento da indústria acreana, possibilitando a instalação de novos empreendimentos.
João Francisco Salomão, Presidente da FIEAC {/xtypo_quote_right}A estrada que ligará o Brasil ao Pacífico, através do Acre e Peru, está em fase final. A abertura significa portas abertas para as exportações e importações e fácil acesso ao mercado asiático. Se a indústria acreana está preparada para esse novo horizonte de possibilidades que se abrirá com a ligação com o Pacífico? O presidente da Federação das Indústrias, João Francisco Salomão, admite que não, mas que as oportunidades vão moldar as iniciativas. “Creio que nós vamos perder algumas oportunidades até nos familiarizarmos com esse universo de importação e exportação.”

Para Salomão, as indústrias acreanas precisam rever alguns comportamentos e se posicionar bem na linha de partida do desenvolvimento. “Estamos num momento de crescimento, mas também de redirecionamento. A indústria vem crescendo de forma limitada. Hoje você não vai sobreviver com um negócio pequeno, porque vivemos num mundo grande. Precisamos pensar maior. Uma saída é a questão da madeira, onde podemos avançar bem mais. O Acre vai se tornar um grande produtor na parte madeireira. Mas temos que buscar alternativas, e eu enxergo uma saída em cima das Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs)”.

Parcerias – O grande gargalo da indústria é a mão-de-obra e a infraestrutura. A construção civil, por exemplo, com a expansão que houve nos últimos anos, encontrou dificuldade muito grande para treinar a mão-de-obra. A questão foi solucionada através de parcerias entre a Fieac, o governo do Estado e o Sistema Senai, além de parcerias com empresas como o Grupo Votorantin.

Uma das expectativas da Fieac para o crescimento industrial é a conclusão da BR 364, que ligará o Vale do Acre ao Vale do Juruá. “A estrada vai ampliar o comércio interno do Estado. No Juruá eles produzem produtos que não chegam aqui, como os barcos de alumínio, as telhas de cerâmica, 500 mil ovos por mês e temperos. E os produtos daqui também não chegam lá. Esse fluxo mudará bastante o comportamento da indústria acreana, possibilitando a instalação de novos empreendimentos, como duas grandes empresas madeiras que estão se instalando em Feijó”, avalia Salomão.

"Crescemos porque nos preparamos", diz Dotto

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Complexo Agroindustrial de frangos produz 18 toneladas/dia (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Para o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado do Acre, César Dotto, o crescimento da indústria acreana não por acaso, mas é fruto de um esforço conjunto do setor público e da iniciativa privada. Cada um fez o seu dever de casa e trabalhou em equipe para atingir o desenvolvimento do setor produtivo e o aumento do número de empregos – onde pela primeira vez na história do Acre o setor privado contratou mais que o governo e os indicadores mostram que em breve o Estado não será mais o maior empregador acreano.

“Essa conjuntura pela qual o Acre passou, desde o Estado se preparar, preparar a infraestrutura, criou um ambiente para que o empresário acreditasse e isso ocorresse. Um exemplo do desenvolvimento industrial acreano é o nível de emprego que tem aumentado. Claro que algumas atividades, como a construção civil, geram mais empregos, em função de uma serie de investimento que o governo vem fazendo em infra-estrutura e obras publicas, mas os indicadores de confiança do setor são extremamente positivos”, avalia.

Para Dotto, tudo é fruto de política de seriedade aliada à empresários com visão de futuro e que estão de olho no mercado andino, na conclusão da BR-364.
“Quando a gente olha a indústria acreana de dez anos pra cá a analise é extremamente positiva, mas temos que continuar avançando. O Acre olhou o seu passado, corrigiu todos os seus instrumentos, se preparou, criou uma série de ferramentas, entre elas o Programa de Promoção de Negócios, com recursos do Banco Mundial, e a política de incentivo industrial”.

Um exemplo da política de incentivo à indústria é o parque industrial: Hoje são 89 empresas incentivadas. E a área será duplicada, com a aquisição de mais 70 hectares e o foco desta nova área serão as empresas de alimentos, onde está havendo muita procura.

No Acre existem duas leis extremamente importantes, na avaliação de Dotto, que são os incentivos tributários e a concessão de bens móveis e imóveis, que oferta áreas publicas onde o empresário entra com o plano de negócios e uma carta consulta, se comprometendo a gerar empregos e auxiliar no desenvolvimento.
O próximo passo do Governo é ajustar a política industrial para beneficiar as indústrias sustentáveis, como a Laminados Triunfo, empresa que gera 70% do Pib Industrial acreano e é a maior exportadora brasileira de compensados de madeira tropical. Além de trabalhar apenas com madeira certifica com selo FSC, a empresa gera 100% da energia que consome através dos resíduos de madeira.

“A lei de incentivo já tem alguns anos e podemos verificar alguns instrumentos para favorecer ainda mais a industria limpa, com qualidade, que não gera resíduos, nem problemas ambientais. Esse tipo de indústria merece algum tipo de apoio, porque hoje o incentivo à atividade industrial é o mesmo para todos os tipos de empresa e isso pode ser aperfeiçoado”, garante Dotto.

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