Patrulha Maria da Penha

Governo lança programa itinerante para atender mulheres vítimas de violência nos bairros

Patrulha Maria da Penha Itinerante, da PMAC, começou pelo Taquari nesta quarta-feira e tem por objetivo levar proteção a vítimas direto nas comunidades mais carentes de todo o estado

Uma importante ferramenta de reforço no combate à violência contra as mulheres foi lançada nesta quarta-feira, 15, pelo governo do Estado. É a Patrulha Maria da Penha Itinerante, da Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC), que levará atendimento psicológico, jurídico e social até as comunidades, sobretudo aquelas mais vulneráveis, localizadas na periferia da capital e no interior do estado.

Ônibus da Coordenadoria Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar do Estado do Acre, parou na frente do Centro de Saúde Claudia Vitorino, no bairro Taquari. Foto: José Caminha/Secom

A primeira ação foi realizada nesta quarta, em frente ao Centro de Saúde Claudia Vitorino, na Rua Baguari, no bairro Taquari, um dos mais populosos de Rio Branco e considerado de alta incidência de violência contra mulheres.

Psicóloga Cleide Silva, da Patrulha Maria da Penha, em trabalho de distribuição de panfletos com informações sobre como proceder em caso de registros de violência doméstica. Foto: José Caminha/Secom

A partir de agora, e por tempo indeterminado, uma equipe com psicólogos e militares da Coordenadoria da Patrulha Maria da Penha estará, a cada 15 dias, em locais de grande movimentação, sejam próximos a centros de saúde, em centros comunitários ou em praças públicas, com um ônibus próprio para ouvir mulheres vítimas de violência doméstica e ampará-las com esclarecimento sobre direitos.

Subcoordenadora do Patrulha Maria da Penha, Priscila Siqueira, em trabalho de conscientização das mulheres do bairro Taquari para colaborar com denúncias de casos de violência doméstica. Foto: José Caminha/Secom

Segundo explica a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, a tenente-coronel Alexsandra Rocha, muitas das vítimas nem sequer sabem como proceder para deixar de ser maltratadas por seus companheiros. Ou têm medo de sair de casa para procurar ajuda.

Coordenadora da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Alexsandra Rocha, na primeira ação do programa itinerante, no bairro Taquari, nesta quarta-feira, 15. Foto: José Caminha/Secom

“É neste momento que entraremos com o Patrulha Maria da Penha Itinerante. O que sempre vemos é que muitas não sabem como proceder quando estão sofrendo violência. Algumas têm até medo de perder a casa, tendo de sair do lar, quando, na verdade, quem sai é o agressor. São esclarecimentos e procedimentos como esse que a mulher terá a oportunidade de receber, ao ser atendida no nosso ônibus”, explica Alexsandra Rocha.

Psicóloga Cleide Silva, da Patrulha Maria da Penha, atende casos de registros de violência doméstica. Foto: José Caminha/Secom

Conforme a subcoordenadora, a primeiro-tenente Priscila Siqueira, mais de 1.100 mulheres já foram atendidas pela Patrulha Maria da Penha desde a sua fundação, tendo sido gerados mais de 3.500 procedimentos. “E o que é melhor é que ao longo desse período não registramos nenhum crime de feminicídio entre as pessoas que estavam sob o amparo da patrulha”, ressalta a oficial da PMAC.

Policiais militares da Patrulha Maria da Penha em trabalho no bairro Taquari, nesta quarta-feira, 15. Foto: José Caminha/Secom

Informação e suporte

No bairro Taquari, o primeiro dia do Patrulha Itinerante teve como objetivo levar informação e atender, se fosse necessário, as mulheres que tinham ido fazer consultas na Unidade de Referência da Atenção Primária Claudia Vitorino, uma das mais movimentadas unidades de saúde de Rio Branco.

Ali, a psicóloga Cleide Silva, a terceiro-sargento Nayara Araújo e os demais policiais militares que compõem a coordenadoria especial estiveram distribuindo informações sobre como proceder em caso de violência doméstica e convidando as mulheres que eventualmente estejam sofrendo algum tipo de violência para uma orientação mais aprofundada com a psicóloga, no interior do veículo.

Sargento Nayara Araújo, da Patrulha Maria da Penha, em trabalho de conscientização de moradoras no bairro Taquari. Foto: José Caminha/Secom

A dona de casa A. G. L., de 42 anos, foi uma delas. Sob a condição de anonimato para a imprensa, mas completamente acessível para os profissionais da Patrulha Maria da Penha, ela narrou o seu caso para a equipe que prontamente tomou as providências, de acordo com a sua situação.

Mulher é atendida por piscóloga Cleide Silva no ônibus da Patrulha Maria da Penha, no Taquari. Foto: José Caminha/Secom

Pontua Nayara que o trabalho da Coordenadoria da Patrulha Maria da Penha possui um leque variado que vai desde as rondas nos endereços das vítimas, como medida protetiva, até o cumprimento de ações mais incisivas, como a prisão do agressor que descumprir a ordem da Justiça de manter-se afastado da vítima.

Patrulha Maria da Penha esteve no bairro Taquari na sua primeira edição itinerante, que se estenderá por toda a Rio Branco e pelo interior do estado. Foto: José Caminha/Secom

“Há casos em que o indivíduo chega a ser preso e passa a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Além disso, a vítima pode recorrer ao aplicativo Botão da Vida, que também está em pleno funcionamento e pode ser acionado a qualquer hora do dia ou da noite, tendo essa mulher o socorro imediato de nossas equipes”, destaca a sargento.

Conforme Alexsandra Rocha, a previsão é de que, em breve, depois de Rio Branco, a Patrulha Maria da Penha Itinerante também alcance as cidades do interior. “De qualquer modo, independentemente desse serviço tão importante, pedimos que as pessoas denunciem as agressões, sejam elas de cunho físico, moral, psicológico ou sexual”, conclama a coordenadora.

Coordenadora da Patrulha Maria da Penha, a tenente-coronel Alexsandra Rocha, em atendimento no ônibus da instituição. Foto: José Caminha/Secom

No Brasil, as ligações podem ser feitas de todo o país, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular, pelo número 180. Os dias de atendimento são de segunda a sexta-feira, exceto nos feriados. Mas há ainda o 190 do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública, que opera em regime de 24 horas sem distinção de feriados ou fins de semana.