Governo do Estado e Ufac investem na instalação de criadouros de animais silvestres

Parceria com produtores busca garantir uma nova fonte de renda com base em uma atividade sustentável

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Secretário de Agricultura e Pecuária, Mauro Ribeiro, acompanha instalação de criadouros que oferece nova fonte de renda para produtores acreanos (Foto: Angela Peres/Secom)

Procurar novas formas de auxiliar o produtor rural com ideias sustentáveis e que também beneficiem e potencializem os recursos do meio ambiente. Foi a partir desse princípio, que a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado, em parceria com a Universidade Federal do Acre desenvolveu um projeto de instalação de criadouros para animais silvestres, como pacas e catetos (o porco-do-mato). A ideia é reinventar antigas práticas do campo em iniciativas novas, mais rentáveis e que tragam ainda mais benefícios para o produtor.

Com os criadouros, os produtores poderão realizar a reprodução em cativeiro desses animais, acompanhar o ganho de peso e transformar a comercialização da considerada "carne de caça" num verdadeiro negócio. O povo acreano gosta e aprecia muito a carne de caça, sendo a especialidade de muitos restaurantes regionais. Portanto, a criação desses animais viabiliza ainda mais o negócio.

Recentemente, a SEAP inaugurou mais dois criadouros na zona rural da cidade de Brasiléia. Os criadouros são o resultado de uma parceria do Governo do Estado com a Universidade Federal do Acre, através do programa Pet Caboclinho.

Reinventando uma velha prática

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Nos criadouros, produtores acompanham crescimento dos animais, e expectativa é de que no prazo de um ano, iniciem a comercialização (Foto: Angela Peres/Secom)

"Estamos tentando levar uma alternativa a mais de força econômica para os produtores rurais", conta o Secretário de Agricultura e Pecuária, Mauro Ribeiro. "Nosso compromisso é de garantir assistência técnica para esses produtores. Essa é uma alternativa de renda para as comunidades, que tenho certeza que fará muito sucesso".

Os dois novos criadouros em Brasiléia estão no ramal do 13 e no ramal do 32, sendo esse último apenas para criação de pacas. Pedro Oliveira, com o criadouro que montou onde acabou de receber seis pacas e quinze catetos, não esconde a felicidade. "Fui ao Projeto Caboclinho da Mata e achei muito interessante, porque isso é uma oportunidade de crescimento para todos nós", conta o produtor que já cria aves e acredita na criação de animais silvestres como nova fonte de renda.

A expectativa é de que no prazo de um ano de criação e reprodução, os produtores rurais possam começar a comercialização desses animais. Além dos interesses comerciais, os criadouros também incentivam formas de turismo de negócios. Investidores do Peru já demonstraram interesse em visitar os criadouros e entender como eles funcionam.

Responsabilidade ambiental

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Todos os criadouros foram vistoriados pelo Ibama (Foto: Angela Peres/Secom)

Os criadouros têm vistoria e aprovação do Ibama para funcionamento. São três espécies aprovadas e certificadas de animais silvestres para criação e comercialização: pacas, capivaras e catetos. Os animais são criados na Ufac e depois passam para os criadouros para que possam realizar reprodução em cativeiro.

Os criadouros têm toda uma estrutura que lembra o habitat natural desses animais. A paca, animal de hábito noturno, possui no criadouro um espaço verde, inclusive com tocas feitas de troncos de madeira, onde descansam durante o dia. Já os catetos ficam instalados em uma grande área aberta, por exigirem maior espaço para movimentação. Os locais também foram vistoriados pelo Ibama antes de receber os animais e suas estruturas foram montadas em áreas previamente analisadas para facilitar ainda mais a criação dos bichos, como alimentação complementar por árvores frutíferas ao redor.

Projeto Caboclinho da Mata

O Programa Caboclinho da Mata foi o responsável por selecionar e fornecer os animais para os criadouros. Esta é mais uma forma para fortalecer as iniciativas de desenvolvimento sustentável. O projeto também fornece dados ao setor produtivo e à sociedade sobre o manejo em cativeiro de fauna silvestre no Estado.

"No Projeto Caboclinho também soltamos animais. Inclusive já soltamos animais na própria universidade", informa Maria do Carmo, técnica do projeto. "Mais tarde, soltaremos mais animais em outras áreas, que também tem um estudo prévio para saber se podem recebê-los. É acima de tudo uma questão científica, estamos conhecendo o comportamento desses animais, tanto na natureza quanto em cativeiro. No Brasil ainda não temos um estudo aprofundado desses animais, e na Ufac estamos conhecendo suas características e comportamento", disse a pesquisadora.

Tanto a equipe do governo quanto da Ufac são responsáveis por dar suporte aos produtores. Além de toda ajuda com a montagem da estrutura e o fornecimento dos animais, os técnicos do programa irão acompanhar os produtores e oferecer assistência e ensino de forma que os animais se adaptem bem aos criadouros e possuam maior rentabilidade.

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