Governador anuncia ganhadores do Prêmio Chico Mendes de Florestania

Binho Marques entregou prêmio a Zuenir Ventura, que participou da abertura da Semana Chico Mendes. Outros homenageados recebem prêmio dia 20

Binho Marques anunciou ainda há pouco, no Palácio Rio Branco, os vencedores do Prêmio Chico Mendes de Florestania. Concedido pelo Governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), o prêmio tem por finalidade reconhecer e estimular as atividades, programas, ações e iniciativas que têm como objetivo consolidar o conceito de florestania.

Com exceção do jornalista Zuenir Ventura, que participou na segunda-feira da abertura da Semana de Chico Mendes, Semana de Comunicação e projeto Sempre Um Papo, e hoje recebeu o prêmio do governador, os demais ganhadores serão homenageados no dia 20, quando acontece a entrega do prêmio. 

Confira quem são os ganhadores:

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Abrahim Farhat, o Lhé – Seu nome está sempre vinculado ao surgimento e ao apoio dos movimentos sociais no Acre, a partir dos anos 70. Amigo e apoiador de Chico em várias empreitadas, como a fundação do Partido dos Trabalhadores.

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Adrian Cowell e Vicente Rios – Dividem o prêmio pelos documentários "Chico Mendes: Eu Quero Viver!" e "O Sonho de Chico Mendes", registros fundamentais para que pessoas de todo o mundo conhecessem a imagem e as idéias de Chico.

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Ailton Krenak – Presidente da União das Nações Indígenas quando Chico era presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros. Juntos, eles construíram a Aliança dos Povos da Floresta e consolidaram o sócio-ambientalismo.

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Antônio de Paula – Líder seringueiro e pioneiro do movimento dos Povos da Floresta no Juruá, participou da criação da Reserva Extrativista do Alto Juruá, onde foi presidente da Associação de Seringueiros e Agricultores. Hoje é presidente de honra do comitê da Aliança dos Povos da Floresta.

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Carlos Walter – Cientista e doutor em geografia, professor da Universidade Federal Fluminense e autor de artigos e livros publicados no Brasil e no exterior, deu extraordinária contribuição para o conhecimento do pensamento de Chico Mendes no meio acadêmico.

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Elson Martins – Como editor do jornal O Varadouro e correspondente de O Estado de S. Paulo, noticiou os conflitos pela terra no Acre e contribuiu para Chico ter espaço na mídia local e nacional.

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Gumercindo Rodrigues – Amigo e assessor direto, reconhecido como braço direito de Chico Mendes, que contava com ele a todo momento. Esteve presente nos empates e nos momentos mais difíceis, sobretudo nos últimos anos de vida de Chico.

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João Maia – Delegado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), nos anos 70 começou a percorrer os seringais organizando os trabalhadores e preparando a fundação de sindicatos rurais. Enfrentou ameaças e teve papel fundamental na formação de lideranças como Wilson Pinheiro e do próprio Chico Mendes.

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Julia Feitoza – Sindicalista, fundadora do Partido dos Trabalhadores, foi presidente do Centro dos Trabalhadores da Amazônia, do Comitê Chico Mendes e Secretária de Políticas Sociais da CUT. Militante incansável, era tida por Chico como uma amiga solidária, que se encarregava da logística do movimento dos seringueiros, inclusive de empates e manifestações públicas.

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Lucélia Santos – Atriz e militante ambientalista, tornou-se amiga de Chico Mendes. Quando se agravaram as ameaças ao líder seringueiro, exigiu providências das autoridades brasileiras.

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Dom Moacir Grechi – Sua enorme autoridade moral permitiu que o bispo de Rio Branco fosse a única autoridade de fato e de direito a apoiar a luta de Chico Mendes e dos seringueiros. É importante dizer que essa solidariedade e apoio se estendeu a todo o movimento social no Acre, que só prosperou depois que ele chegou e com sua liderança fortaleceu sobremaneira as Comunidades Eclesiais de Base. 

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Raimunda Bezerra – Ativista dos Direitos Humanos, foi, sobretudo, uma amiga e protetora de Chico. Em Rio Branco, sua casa era a casa de Chico e ali ele recebia solidariedade, conforto e carinho que eram extensão da sua vida familiar.

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Raimundo Mendes de Barros – primo e amigo muito próximo de Chico, Raimundão ajudou a organizar a luta dos seringueiros e os atos de resistência que ficariam conhecidos como ‘empates’. Também ajudou na alfabetização de adultos e jovens na floresta, através do Projeto Seringueiro.

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Sueli Bellato – Advogada da CUT, assistiu Chico Mendes na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Sua atuação como assistente da Promotoria foi determinante para a condenação  dos assassinos de Chico.

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Sabá Marinho – Líder comunitário, vice-presidente da Cooperativa Extrativista de Xapuri, foi companheiro de Chico Mendes e teve importante participação nos empates contra a multinacional Bourbon, quando teve um filho baleado. Continua morando na comunidade Nova Vida, da Reserva Extrativista Chico Mendes.

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Sebastião Neto – Este metalúrgico ajudou Chico Mendes a introduzir a causa sócio-ambiental na pauta do sindicalismo brasileiro, inclusive com a proposta de uma reforma agrária diferenciada para a Amazônia, embrião das reservas extrativistas. Na morte de Chico, veio imediatamente para Xapuri e participou da fundação do Comitê Chico Mendes, nos dias seguintes à tragédia.

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Steve Schwartzman – Diretor da ONG americana Fundo de Defesa Ambiental, trabalhou com as comunidades extrativistas da Amazônia e foi o principal divulgador da luta de Chico no exterior, o que foi decisivo para Chico ser agraciado com o prêmio Global 500 da ONU.

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Terri Aquino – Antropólogo, reorganizou o mapa do Acre de acordo com a presença dos povos indígenas, o que serviu de referência aos trabalhadores rurais liderados por Chico Mendes e Wilson Pinheiro na resistência à pecuária extensiva. Seu trabalho iniciado há quase 40 anos foi decisivo para a demarcação de mais de 30 terras indígenas, hoje em graus variados de reconhecimento e regularização.

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Toinho Alves – Como jornalista, escritor e pensador que tem como marca a criatividade e o questionamento, seu trabalho foi decisivo para formatação das idéias que balizaram as lutas populares no Acre, a partir do final dos anos 70, especialmente a luta em defesa da floresta liderada por Chico Mendes. É dele a criação do conceito de Florestania, conjunto de idéias e sentimentos que movem as mudanças em construção no Acre de hoje.

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Zuenir Ventura – Veio ao Acre fazer a cobertura do assassinato de Chico Mendes. Produziu uma série de reportagens exemplares e se expôs ao ponto de acolher na própria casa, no Rio de Janeiro, o garoto Genésio, testemunha chave do caso. Vinte anos depois, lançou o livro "Chico Mendes – Crime e Castigo", que reúne as reportagens de 1988 e se constitui num libelo de justiça à memória de Chico Mendes.