Expoacre Juruá: óleos e sabonetes que garantem a floresta em pé

Elizana: valorizar a floresta e sem explorar o ser humano (Foto: Flaviano Schneider)
Os produtos agradaram a clientela durante a exposição (Foto: Flaviano Schneider)

Em tempos de queimadas e de destruição da Floresta Amazônica, a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos) pode ser comparada ao beija-flor, que faz sua parte para apagar um grande incêndio, ao trazer em seu bico uma gota de água para jogar sobre o fogo.

Presente na Expoacre Juruá, encerrada na madrugada desta quinta-feira, 8, a Coopfrutos apresentou, comercializou e agradou em cheio com sua produção de sabonetes de açaí, andiroba, amargoso, buriti e murmuru, além de óleos de açaí, andiroba, buriti, coco e patoá.

A cooperativa foi fundada em 2011, mas só engrenou sua produção, anteriormente apenas artesanal, em 2015. Foi então que o governo do Estado, por meio do Setor de Economia Solidária da Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN), cedeu o maquinário para extração dos óleos e produção de sabão e sabonete, segundo informação da superintendente da cooperativa, Elizana Araújo.

Outro apoio importante veio da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), tanto na parte de pesquisa quando na de análise de óleo. “Só disponibilizamos para o mercado óleos analisados, após a emissão de um laudo técnico”, garante Elizana.   

A Coopfrutos tem 32 famílias de cooperados e ainda inclui nos benefícios mais 20 famílias de coletores, que aprendem a respeitar o meio ambiente e os clientes. A conscientização ambiental é regra geral na coleta: uma parte dos frutos é deixada para a fauna e para a dispersão de sementes. Na extração do óleo e no processo produtivo são observadas as boas práticas necessárias para atender o mercado com um produto de qualidade.  

No momento, as polpas estão sendo colhidas apenas em Mâncio Lima, mas um grupo de coletores do Ramal 3, na região do Projeto Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, está fazendo um plano de manejo e passando por um processo de educação ambiental para participar também.

O trabalho é de valorização da floresta em pé, com produtos não madeireiros e sem exploração do trabalho humano, o que faz com que a Coopfrutos busque uma certificação que a habilite a entrar no mercado internacional.

Por ora os produtos são vendidos na região, mas já houve uma encomenda do Pará e está em andamento uma negociação com uma empresa de São Paulo.