Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21 de março (3º mês do ano) como o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data não foi escolhida por acaso: ela representa a trissomia do cromossomo 21.
Uma pessoa sem síndrome de Down possui duas cópias do cromossomo 21. Já a pessoa com síndrome de Down tem três, por isso o nome trissomia 21.

Uma forma simples de entender é imaginar uma coleção de livros: todos recebem dois exemplares de cada volume. A diferença é que a pessoa com síndrome de Down recebe três exemplares do livro número 21. Esse “livro a mais” faz com que essa pessoa tenha um jeito único de aprender, se desenvolver e viver. E, com apoio, oportunidades e inclusão, ela pode construir uma trajetória plena e cheia de possibilidades.
A estudante Jaqueline Lira é um exemplo de como isso é possível. Fruto de uma trajetória construída na rede pública de ensino, incluindo uma escola rural e outra do interior no Acre, ela concluiu o ensino médio, realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e agora aguarda uma vaga na universidade pública.
História da Jaqueline

Jaqueline Lira é um exemplo de como a inclusão transforma vidas. Sua trajetória escolar passou pela Escola Estadual Santo Antônio II, na região do Belo Jardim III, área rural de Rio Branco, e também pela Escola Estadual Kairala José Kairala, localizada no município de Brasileia, onde finalizou os estudos.
Mesmo diante dos desafios de acesso e estrutura comuns a essas áreas, Jaqueline avançou em sua formação, mostrando que a inclusão, quando efetiva, gera resultados concretos.
Atualmente, ela segue sua jornada educacional com o apoio do Centro de Ensino Especial Dom Bosco, localizado em Rio Branco, onde participa de atividades que fortalecem sua autonomia e desenvolvimento.

Determinada, Jaqueline também já enfrentou um dos maiores desafios acadêmicos do país: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com cerca de 600 pontos, agora aguarda, com expectativa, uma vaga em uma universidade pública.
Além dos estudos, ela compartilha sua rotina em um canal no YouTube, mostrando que sua vida é ativa, autônoma e cheia de possibilidades.
Para a família, sua trajetória sempre foi motivo de orgulho. “Ela é uma felicidade para todos nós. A gente cuida dela com muito amor”, relata a irmã, Janine Lira.
Ação no shopping em Rio Branco

Foi com esse espírito de inclusão e visibilidade que Jaqueline e outros alunos atendidos pelo Centro de Ensino Especial Dom Bosco participaram, na última sexta-feira, 20, de uma ação no shopping da capital.
Durante o passeio promovido pela unidade educacional, os estudantes circularam pelos espaços, interagiram com o público, brincaram e compartilharam momentos de lazer, como tomar sorvete, brincar no parque e abraçar quem também estava passeando pelo local.

A gestora do Dom Bosco, Valéria Daniel, ressalta que a iniciativa teve como objetivo sensibilizar a sociedade e reforçar que pessoas com síndrome de Down têm capacidade, autonomia e direito de ocupar todos os espaços.
“A nossa intenção é justamente mostrar que eles podem e devem estar na sociedade como qualquer outra pessoa”, destacou a gestora.
Meias trocadas

Quem passou pelo shopping pode ter notado um detalhe curioso: alunos, professores e participantes da ação usavam meias diferentes ou coloridas.
O gesto faz parte de um movimento mundial ligado ao Dia Internacional da Síndrome de Down. As meias simbolizam a diversidade e a singularidade de cada pessoa.
Sobre o Dom Bosco
O Centro Dom Bosco é uma unidade ligada à Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) que oferece atendimento educacional a pessoas com deficiência, incluindo estudantes com síndrome de Down, em diferentes fases da vida.

Atualmente, a instituição atende cerca de 40 pessoas com síndrome de Down, desde bebês até jovens e adultos.
O trabalho é organizado em três frentes principais:
- Estimulação precoce: voltada para bebês de 0 a 5 anos, com atendimentos individualizados realizados duas vezes por semana, focados no desenvolvimento cognitivo e motor;
- Atendimento educacional especializado (AEE): destinado a estudantes de até 17 anos que já estão matriculados na rede regular de ensino, como forma de complementar a aprendizagem;
- Atividades de vida diária: voltadas para jovens e adultos, com foco na autonomia, socialização e desenvolvimento de habilidades para o cotidiano.
O acesso aos serviços ocorre de forma complementar à escola regular. Para isso, o estudante deve estar matriculado em uma unidade da rede de ensino e, a partir disso, a família pode optar pelo atendimento no Dom Bosco, conforme disponibilidade de vagas.
































