Educação

Estado foca em conhecimento técnico para inserir alunos em mercado de trabalho

Capacitar e profissionalizar o cidadão sem que ele precise sair de casa é uma das medidas do Governo do Estado para reduzir os impactos causados pela crise decorrente da pandemia da covid-19. Um pactuação com o governo federal, por meio do programa Novos Caminhos, foi essencial para estimular o empreendedorismo e o ensino profissional e tecnológico no estado.

No mês de maio, por exemplo, foram abertas 1.110 vagas em cursos profissionalizantes ofertados pelo Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec), na modalidade de Educação a Distância (EaD).

São diversos cursos de Formação Inicial e Continuada (FICs) nas áreas de administração, finanças, saúde, contabilidade, turismo, informática e marketing, entre outras, com cargas horárias entre 160h e 240h. As aulas tiveram início no dia 8 de junho.

Com pouco mais de um mês de execução, o Ieptec tem feito um balanço estratégico das atividades que estão sendo realizadas. A execução do curso de Balconista de Farmácia é uma delas. O curso possui 90 alunos, divididos em três turmas de 30 cada uma.

Mediadora Skarllatt Ribeiro em momento de gravação das aulas para disponibilização de conteúdo aos alunos na plataforma EaD Foto: Ascom/Ieptec

A biomédica Skarllatt Carvalho Ribeiro, de 26 anos, é uma das formadoras/mediadoras contratadas pela instituição, por meio de processo seletivo, para esta empreitada. Especialista em Vigilância Sanitária, Biossegurança, Docência do Ensino Superior e MBA em Gestão de Pessoas, há cinco anos, ela atua na docência e na formação de profissionais no ensino superior e técnico profissional.

Segundo ela, atualmente, o Brasil conta com mais de 80 mil farmácias e esse número vem crescendo a cada ano. “O setor farmacêutico, diferente da maioria, não é diretamente afetado pela crise. Assim, a expansão das redes de farmácias cria a demanda por novas vagas constantemente. Uma dessas vagas é a do balconista de farmácia”, diz.

Oportunidades no mercado

No âmbito profissional desta categoria, é importante destacar levantamentos que apontam uma média salarial entre R$ 1.500,00 e R$ 2.500,00. Todavia, ainda não existe um piso salarial nacional definido para a profissão balconista de farmácia.

De acordo com a biomédica, o valor da remuneração depende de alguns fatores. “Os salários e benefícios [vale-transporte, auxílio-refeição, vendas etc.] dependem da empresa em que o profissional atua, da jornada de trabalho que ele faz e do nível de experiência que apresenta, daí a importância da profissionalização”.

 

O mercado de trabalho para balconistas de farmácia abrange desde drogarias a unidades de pronto-atendimento Foto: Divulgação

Um dos elementos atrativos aos alunos do curso é a variedade de oportunidades no mercado de trabalho. Além de atuarem em farmácias e drogarias, o atendente também pode trabalhar em farmácias de manipulação, farmácias de hospitais, unidades básicas de saúde, farmácias populares e pronto-atendimento.

A importância do conhecimento técnico

Durante a ministração das aulas ofertadas pelo Ieptec, atualmente, todas na modalidade online, busca-se sempre enfatizar sobre os requisitos técnicos e pessoais inerentes a um bom balconista de farmácia. Entre eles, está a cordialidade e cautela em lidar com os mais diversos perfis de pessoas que chegam ao estabelecimento, além de zelar pela confiança que se deve passar ao cliente. “Muitas pessoas estão ali em busca de ajuda e amparo aos seus problemas de saúde”, ressalta.

Mas, apenas um bom atendimento não é suficiente em uma profissão como esta. É aí que entra a profissionalização. Habilidades básicas relacionadas ao conhecimento técnico sobre medicamentos, orientações sobre sua utilização, tradução de receitas, seus efeitos benéficos, colaterais e terapêuticos, saber diferenciar receita controlada de não controlada, tudo isso mesclado a técnicas de vendas, são algumas das competências do profissional qualificado.

“No curso, nossos alunos estudam sobre especificações dos medicamentos, nomes dos laboratórios, técnicas de atendimento com princípios éticos, legislações farmacêuticas e legislações sanitárias, condicionamento de medicamentos, processos de trabalhos em farmácias e outros assuntos específicos”, conta a formadora.

O que diz a legislação brasileira

A legislação brasileira não especifica nenhuma necessidade de cursos de qualificação para atuar como balconista de farmácia; porém, na prática, as empresas costumam exigir comprovação de ensino e priorizar a qualificação profissional, já que esse mercado é eminentemente técnico.

Presidente da instituição acompanhado de equipe técnica, mediadores e convidados Foto: Ascom/Ieptec

Para o presidente do Ieptec, Francineudo Costa, obter uma qualificação profissional é uma boa estratégia para se destacar no mercado de trabalho, sobretudo em uma profissão que exige tanto conhecimento técnico farmacêutico e de biossegurança.

“É importante que nossos jovens ingressem em cursos profissionalizantes que lhes darão melhores chances e oportunidades no dia a dia, na profissão, na vida”, disse.

Os cursos

Os cursos ofertados pelo Ieptec tiveram as inscrições encerradas no mês de maio. A previsão para novas turmas depende da pactuação com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do Ministério da Educação (MEC), que se encontra em fase de negociação.

A intenção é que iniciativas como estas façam com que a educação profissional no estado se fortaleça e se consolide diariamente para ampliar e democratizar a oportunização de qualificação técnica e profissional à sociedade acreana.