Esperança: mãe que pede paciência

O artista brasileiro Lenine entoa em linhas tênues de uma canção: “a gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência”, que, servindo como mantra, deve ser praticado por todos, principalmente neste momento de esperança, proporcionado pela chegada da vacina contra a Covid-19.

Estamos cansados, é verdade. Novos hábitos nos foram impostos, esses que deveríamos, desde a infância, ter internalizados: higiene das mãos, respeito ao espaço do outro – o distanciamento social – pedir permissão ao tocar e abraçar alguém, por mais próximo que a pessoa seja.

A vacina chegou, estamos a passos curtos de conseguir nossa carta de alforria, mas ela pede que tenhamos paciência. A vacinação é organizada por fases, a nossa vez chegará, e, enquanto isso, a mãe esperança diz: “Filho, eu estou aqui. Te peço um pouco mais de paciência”.

Em todas as redes sociais, no que se refere a postagens relacionadas à vacinação contra a Covid-19, eufóricos, os internautas questionam: quando chega a vacina para todos? Por que o grupo fulano ou sicrano não está incluso? Em meio à pressa para deixar a máscara de lado, esquece-se o principal: a vida.

A paciência atua aqui como uma ferramenta para salvar vidas, porque mesmo ao atingir a cobertura vacinal ansiada pelos governos, nós temos que seguir com as medidas de prevenção ao coronavírus, com o uso das máscaras, do álcool em gel e do distanciamento social.

Na verdade, essas medidas devem ser aprendidas e virar uma cultura, que é o cultivo, pois o coronavírus vai passar, vai virar mais uma aérea epidemiológica como a febre amarela e dengue, por exemplo. Nesses casos, deixamos de lado as medidas e protocolos para evitá-las? Não.

Em todas as outras pandemias vivenciadas pela humanidade, lições nos foram deixadas, um exemplo simples é a fervura da água. E, assim como temos que esperar o líquido atingir o ponto de ebulição para que vírus e bactérias sejam eliminados, temos que praticar a virtude da espera, para que possamos, enfim, respirar sem risco à vida do outro e à nossa.

As orientações e protocolos em relação ao combate da proliferação do vírus são baseados em evidências científicas, estabelecidas por pessoas que dedicam todo o tempo para garantir a segurança em saúde e, agora, a imunização da população com eficácia.

Temos que esperar a nossa vez porque existem grupos que são mais suscetíveis ao vírus, mais suscetíveis à morte.

Taís Nascimento é jornalista da Secretaria de Estado de Saúde