Escola Pimentel Gomes promoveu a conscientização social com trabalho realizado por alunos e professores

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Manter as crianças na escola e fazer com que elas cheguem ao mundo do trabalho no devido tempo. Foi com este pensamento em mente que a equipe da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes desenvolveu o seu Projeto de Erradicação do Trabalho Infantil (Foto:Eunice Caetano)

Manter as crianças na escola e fazer com que elas cheguem ao mundo do trabalho no devido tempo. Foi com este pensamento em mente que a equipe da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes desenvolveu o seu Projeto de Erradicação do Trabalho Infantil, trabalhando com a proposta “Trabalhar é correto, desde que seja lícito e no tempo certo”.

Trata-se de um projeto inovador no Estado, tendo apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) para sua criação, na forma da Procuradora Marielle Rissane Guerra Viana. Idealizado pela coordenadora escolar Ednilza Rocha, o trabalho contou com dois meses de atividades com os alunos que frequentam o quinto ano do ensino fundamental, sendo realizadas palestras, exposições fotográficas e pesquisas dentro e fora da escola sobre a exploração do trabalho infantil.

O principal motivo que leva as crianças para este tipo de prática é a necessidade financeira, o que levou o trabalho também para a comunidade próxima das áreas da escola, convidando os pais dos alunos para presenciarem a conscientização que as atividades propuseram: de que crianças e adolescentes devem se preparar adequadamente para suas futuras profissões, não devendo abrir mão dos estudos nem das atividades escolares.

"Com este trabalho, buscamos alertar as pessoas sobre a importância dos estudos na preparação da criança para um futuro adequado, enfatizando sempre que as crianças não devem lidar com responsabilidades que não são próprias delas, tanto no Acre como em qualquer lugar do mundo", destaca a coordenadora Ednilza. "Dentro da própria comunidade, encontramos casos onde crianças enfrentavam situações que as faziam diminuir a presença escolar, ou mesmo abandonar a escola, para conseguir se sustentarem".

E não só  problemas educacionais são consequências do trabalho infantil. Problemas de saúde, como dores musculares e deformações na coluna, foram constatados por profissionais da saúde que realizaram pesquisas acerca do tema. Além de dificuldades físicas, a prática do trabalho antes do tempo devido também pode acarretar em interferências negativas no desenvolvimento emocional e social das crianças.

A professora Ana Helena conta que, no começo, a falta de orientação e de materiais didáticos dificultou o trabalho do tema com os alunos, mas que, com o apoio do MPT e dos outros parceiros do projeto, como a Secretaria Estadual de Educação e Esporte (SEE) e o Conselho Tutelar, as crianças começaram a realmente compreender o tema do projeto. "Com o passar das semanas, as crianças foram adquirindo um verdadeiro interesse pelo assunto, compreendendo realmente os direitos e deveres que possuem e que devem ser respeitados e cumpridos, todos trabalhados em conjunto com as outras disciplinas", explica.

Samuel da Silva Carneiro, aluno da professora Ana Helena, aprendeu coisas importantes sobre o fortalecimento da cidadania e da valorização das crianças. "É importante alertar as pessoas sobre a situação que algumas crianças enfrentam, sendo afastadas dos estudos para trabalhar. Fomos avisados para denunciar quando soubéssemos de casos assim em nossa vizinhança".

A diretora da instituição, Sanny Andrea, também felicita a equipe e os alunos que se empenharam durante estes dois meses de dedicação e empenho. "A nossa escola abraçou este projeto na esperança de que a comunidade venha ter o entendimento de que a educação é uma das ferramentas mais importantes para o crescimento pessoal e profissional do ser humano", declara a diretora.

Entre as conquistas do projeto, está a premiação de um data-show e um notebook para a secretaria da escola, além de um curso de Gestão Pública oferecido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) para a coordenadora Ednilza Rocha. A cerimônia oficial da finalização do projeto está planejada para o dia 10 de novembro, no auditório da SEE.