Depasa prepara medidas para evitar desperdício de água na capital

LSP_7744
Duas estações de tratamento produzem cerca de 1.500 litros de água por segundo (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Segundo o Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa), no Acre cerca de 90% das residências recebem água dos sistemas de abastecimentos do Estado. As demais usam meios alternativos, como poços.

Em Rio Branco, as duas estações de tratamento de água (ETA) produzem cerca de 1.500 litros por segundo, o suficiente para abastecer uma cidade com mais de 800 mil habitantes. Mas, se a capital produz água suficiente, por que há carência em algumas regiões?

O biólogo Filogônio Cassiano Ribeiro, o “Filó”, que há 37 anos trabalha no sistema de abastecimento do Estado, explica que o motivo: “Somente em Rio Branco, mais da metade da nossa produção é desperdiçada, seja por vazamento ou consumo inconsciente, o que prejudica o abastecimento, sobretudo de regiões mais altas. Além disso, há ligações clandestinas e inadimplência”.

De acordo com estudos do Instituto Trata Brasil, uma organização formada por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos, 62,47% da água produzida em Rio Branco é desperdiçada.

Para o diretor-presidente do Depasa, Edvaldo Magalhães, essa porcentagem é inexata. “O ato de fazer uma ligação clandestina ou não pagar uma fatura não pode ser considerado desperdício, mas uma perda financeira para o governo”, avalia. O Departamento estima que o desperdício real esteja em torno de 40%.

Para Magalhães, a hidrometração é a principal medida para combater esses males. O programa Ruas do Povo realiza essa correção, pois, além da pavimentação das ruas, leva saneamento básico.

Respaldado pela captação de recursos emergenciais junto ao governo federal por ocasião da cheia, o Depasa prepara um programa de reparos da rede de abastecimento, o que diminuirá as perdas. Além disso, haverá a instalação de novas adutoras, o que proporcionará mais efetividade nos sistemas de reservação.

“O combate ao desperdício deve ser feito em várias frentes. Primeiro temos que universalizar a hidrometração, fazer campanhas educativas, e por último, uso dos instrumentos coercitivos, como notificações e multas”, esclarece.