Assembleia Legislativa pode votar pela permanência do gentílico ‘acreano’

Deputados reuniram intelectuais, estudiosos e membros da Academia Acreana de Letras, em sessão solene, nesta quinta-feira (Foto: Angela Peres/Secom)
Deputados reuniram intelectuais, estudiosos e membros da Academia Acreana de Letras, em sessão solene, nesta quinta-feira (Foto: Angela Peres/Secom)

O uso oficial do gentílico ‘acreano’ em substituição ao ‘acriano’, proposto no país desde 2013 com a vigência do Novo Acordo Ortográfico, foi tema de debate nesta quinta-feira, 30, na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), a pedido do deputado Daniel Zen (PT) e dos membros da Academia Acreana de Letras e da Academia Juvenil Acreana de Letras.  O subchefe da Casa Civil, Andrey Hollanda, acompanhou a sessão.

Na ocasião, Zen apresentou projeto de lei (PL) de sua autoria que prevê a adoção definitiva da palavra ‘acreano’, em vez da oficial ‘acriano’, em documentos, livros e quaisquer artigos redigidos em língua portuguesa. A ideia encontra respaldo nas diversas instituições culturais e tem também o apoio do governo do Estado.

“As academias são as instituições da sociedade civil que avocaram para si a responsabilidade pelo cuidado com o emprego da língua portuguesa, e por serem os guardiões das letras, prestam grandes serviços para a comunidade”, pontuou Zen em seu discurso de abertura da sessão, presidida pelo presidente interino, o deputado Raimundinho da Saúde (PTN).

Além de grandes escritores e estudiosos da literatura e da história locais, mais de 60 estudantes da escola de ensino médio José Rodrigues Leite acompanharam a sessão desde a galeria.

Eles ouviram da professora Luísa Karlberg Lessa, presidente da Academia Acreana de Letras, que “um gentílico não se submete à força de um acordo ortográfico, já que ele vem do povo, quem o representa”.

Para Lessa, “a língua é a mais extraordinária das engrenagens e por onde circulam todas as coisas do povo”.

“E quanto ao nosso ‘acreano’, ele já foi consagrado pelo uso regional desde o século 19, de modo que deixar de usá-lo é como apagar da memória linda de nossa história um pedaço da epopeia acreana”, completou a escritora.

Já o secretário-adjunto de Educação, Moisés Diniz, que também é membro da Academia Acreana de Letras, ressaltou que as discussões em torno da manutenção do antigo gentílico são importantes para um avivamento da história do estado. “Não venham brincar com a voz rouca de nossos pais”, diz ele, referindo-se aos antepassados, em sua maioria seringueiros nordestinos que aqui formaram quase toda a sociedade acreana.

E classifica o dispositivo do deputado Zen, que poderá validar novamente a forma gentílica antiga, como “mais uma conquista do povo do Acre”.

Próximos encaminhamentos

Segundo o subchefe da Casa Civil, Andrey Hollanda, o PL deverá passar pela Comissão de Educação da Aleac, na próxima quarta-feira, 6. Após tramitar nas comissões exigidas, se for aprovado, será remetido para sanção do governador Tião Viana.

“O próximo passo é passar pela Comissão de Educação da Aleac, que servirá para dar publicidade ao andamento desse processo, já que uma das preocupações apontadas pela Academia Acreana de Letras é exatamente a publicização do projeto, já que há uma preocupação do reconhecimento desse ato em âmbito nacional”, observa Hollanda.