Acre livre da Febre Aftosa

Campanha de vacinação do gado acreano tem início este mês para manter o Estado como Zona Livre da doença

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O rebanho acreano é formado por mais de 2,5 milhões de cabeças e o Estado é considerado Zona Livre de Aftosa desde 2005 (Foto: Angela Peres/Secom)

O rebanho acreano é formado por mais de 2,5 milhões de cabeças e o Estado é considerado Zona Livre de Aftosa desde 2005. Para manter essa importante classificação para o mercado de produtos bovinos do Acre, o Instituto de Defesa Agroflorestal do Acre (Idaf) já autorizou as casas agropecuárias do Estado a venderem a vacina contra a febre aftosa aos produtores desde a última sexta-feira de abril. Maio é o mês da primeira etapa da campanha de vacinação – a segunda acontece em novembro.

Desde 1999 não é registrado nenhum caso de febre aftosa no Estado. No ano passado, 96% do rebanho acreano foi vacinado. Continuar combatendo a febre aftosa no Acre é uma tarefa que exige logística. Por ser um Estado de fronteira com a Bolívia e o Peru, que não são zona livre, todo cuidado é necessário para que essa condição seja mantida e o mercado consumidor não seja afetado.

Luiz Augusto do Valle, presidente do Idaf, conta que o Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa começou em 1999 com o então governador Jorge Viana, já atendendo uma reinvindicação da classe. Até então, o Acre era classificado como Zona de Risco Desconhecido, o que é muito pior do que as outras classificações de segurança. “O amplo esforço fez com quem em 2005 tivéssemos o reconhecimento do Ministério da Agricultura e da Organização Mundial de Saúde Animal, sediada em Paris, do Acre como Zona Livre de Febre Aftosa”, conta Luiz do Valle.

Vale lembrar que em torno de 85% das propriedades no Estado com criação bovina possuem no máximo 100 cabeças de gado. Luiz do Valle conta como isso valoriza o pequeno produtor e melhora a concorrência no mercado, já que 70% da carne bovina processada no Acre é para consumo externo, ficando apenas 30% para consumo interno. Ter o Acre fora da Zona Livre de Aftosa causaria inúmeros problemas à exportação, mesmo porque o mercado interno não tem capacidade de absorver toda a nossa produção.

O rebanho bovino acreano é em sua maioria de gado de corte da raça Nelore, a preferida dos criadores. Embora seja fundamental para garantir exportação de carne bovina, o status de Zona Livre serve para garantir que a população está consumindo carne de boa qualidade.

Assim, o principal papel do Idaf consiste em coordenar e fiscalizar a vacinação, mesmo que ela seja realizada pelo próprio produtor, para manter o Acre como Zona Livre de Aftosa. Ter menos de 90% do rebanho gado vacinado já faz com o que o Estado seja desclassificado como Zona Livre. Não é uma tarefa fácil, tendo em vista que o Amazonas possui Risco Alto e a Bolívia, o Risco Não Satisfatório. Porém, o município amazonense de Guajará, situado a 16 quilômetros de Cruzeiro do Sul, diferentemente de outros municípios como Ipixuna, situado no Baixo Juruá, tem o mesmo status que o Acre.

Vacinação boliviana

O presidente do Idaf, Luiz Augusto do Valle, esteve presente no dia 2 maio, na Bolívia, no Departamento (Estado) de Pando, para o lançamento da campanha de vacinação contra a febre aftosa no país, que tem pretensões de intensificar ainda mais a campanha, valorizando assim seu gado e as possibilidades comerciais que surgem a partir de então. A Bolívia deseja ter seu reconhecimento interno de Zona Livre até 2014 e o reconhecimento internacional até 2015.

Além disso, o Acre também vai contribuir com ajuda na campanha de vacinação boliviana. O Idaf se comprometeu com o cadastro de propriedades no lado boliviano junto aos municípios de Plácido de Castro e Capixaba. Na Bolívia, toda a vacinação será feita por ação do governo, diferente do Brasil, que estimula o próprio produtor a vacinar o seu gado.

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