Acre está entre os três Estados finalistas de prêmio de ações preventivas a hepatites

O Prêmio Inovações em Virologia 2012, incentivo à Prevenção e ao Tratamento do HIV/Aids e Hepatites Virais, tem como objetivo incentivar e reconhecer ações, métodos e programas de prevenção e tratamento dessas doenças.

A iniciativa é do laboratório Bristol-Myers Squibb, Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Hepatologia, e este ano tem como tema “Inovação – Uma Busca Constante”. Foi escolhido em razão de o HIV/Aids e as hepatites virais terem mudado seu perfil. No caso da Aids, por exemplo, as novas terapias existentes aumentaram a longevidade e a expectativa das pessoas em tratamento.

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A não-adesão de pacientes ao tratamento medicamentoso talvez seja uma das mais difíceis na prática clínica, e, segundo a organização, somente por meio de abordagens inovadoras esse quadro poderá ser alterado.

A premiação é relativa às ações, métodos e programas em vigor durante o ano de 2011/2012, tendo em vista a prevenção do contágio pelo HIV e hepatites ou a disseminação de informações sobre as consequências das doenças e benefícios dos seus tratamentos, sendo esses de caráter contínuo, ou seja, sem prazo determinado de vigência. É direcionado às instituições de saúde públicas ou privadas, organizações não-governamentais (ONGs) e demais entidades que atuam no combate e prevenção do HIV/Aids e hepatites virais.

O Estado do Acre é considerado uma região de moderada a alta prevalência para as hepatites B, C e Delta. Em Rio Branco, são realizados os atendimentos especializados para Hepatites na Unidade de Fígado e Doenças Tropicais do Serviço de Assistência Especializada do Hospital das Clínicas.

Hoje são atendidos nesse serviço 2.299 pacientes com diagnóstico de hepatite B, 2.378 com hepatite C e 459 com hepatite Delta em consultas ambulatoriais, realização de coleta de amostra biológica para exames de rotina e aplicação de medicações especificas para hepatite no polo de aplicação.

Parcerias que deram certo

Desde 2006, já foram realizados 86 transplantes de fígado em pacientes do Acre, cinco deles só este ano. Os transplantes são realizados em São Paulo, em parceria com o Hospital Bandeirante e a Beneficência Portuguesa.

Uma parceria com o grupo de Salvador (BA) com vários projetos de pesquisas e com o grupo Hepato de São Paulo permite que profissionais venham mensalmente a Rio Branco para fazer avaliação pré e pós-transplante dos pacientes cirróticos ou com hepatocarcinoma. O serviço tem se consolidado, sendo hoje referência regional e nacional.

A infectologista Cirley Lobato inscreveu o projeto com a descrição do funcionamento do Serviço de Assistência Especializada (SAE), do Hospital das Clínicas, detalhando todo o serviço de atendimento e acompanhamento do paciente.

“Para a equipe, é uma felicidade muito grande ter ficado entre os finalistas porque é um reconhecimento do nosso trabalho. Isso mostra que estamos no caminho certo”, diz Lobato.

A organização não divulgou os outros Estados que estão concorrendo com o Acre, cujos nomes só serão anunciados no dia do evento, em 16 de junho, em Salvador. Cada categoria vencedora vai ganhar um prêmio de R$ 15 mil para ser investido no programa/projeto apresentado.

O Modelo do Acre: Inveja e Orgulho

Com o título acima, a edição do mês de maio da revista Boletim SBH, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, destaca o trabalho realizado com excelência pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE), no Hospital das Clínicas. O texto enfatiza o serviço de saúde, a atenção dos funcionários com os pacientes e até a decoração, que tem a finalidade de acolhimento com seus tons verdes e a cortina de água. Segundo a publicação, no SAE os pacientes são tratados em um serviço exemplar.

Há consultórios para atendimento psicológico, de enfermagem, assistência social e nutrição, salas de pré-consulta, para coleta de exames e processamento de material, brinquedoteca, auditório, sala de pesquisa e farmácia para dispensação de antivirais.

A publicação diz ainda que os cirróticos com ascite refratária não penam como no resto do Brasil e que o atendimento é integral – todo o procedimento é feito no mesmo local e o paciente não fica como uma ‘bola de pingue-pongue’, como nas grandes cidades do Sul brasileiro.

Outro destaque é para o trabalho do governador Tião Viana, que em 1999, quando ainda era senador, convidou o professor José Tavares Neto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o hepatologista Raymundo Paraná, do mesmo Estado, para virem a Rio Branco. Juntos, planejavam fazer a primeira Escola Médica e o primeiro programa de vacinação universal contra a hepatite B, que foi absoluto sucesso, com mais de 90% da população atingida, diz o texto.

Logo depois seria implantado, com o apoio do MEC, um projeto de Mestrado Interinstitucional entre a UFBA e a Secretaria de Estado de Saúde, a fim de preparar professores para a futura Escola Médica. “Fizemos no Acre diversos cursos de capacitação para clínicos e infectologistas em hepatites virais e outras doenças hepáticas e contamos com o apoio dos gastroenterologistas, especialmente nas hemorragias digestivas. Foram consolidados apoios para o diagnóstico biomolecular, autoanticorpos e estudo histopatológico do fígado. Foram feitos treinamentos em biópsia hepática, com a leitura no laboratório de Patologia do Fígado da Fiocruz da Bahia”, diz o médico Raymundo Paraná.

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