“Acabei me envolvendo nas drogas, um lugar que eu procurei como escape, me prejudicando ainda mais”, essas são palavras de F. D., um monitorado por tornozeleira eletrônica, acompanhado pela Central Integrada de Alternativas Penais de Cruzeiro do Sul (Ciap/CZS), que está há um mês na comunidade Reviver, para o tratamento de drogadição.
Ele entende que o vício o levou para uma vida diferente da que gostaria de viver e, por isso, tenta seguir o tratamento decretado por ordem judicial. Ele é um dos 16 casos — desde que a Ciap de Cruzeiro do Sul começou a funcionar em agosto de 2023 — que foram encaminhados para comunidades terapêuticas, visando tratar vícios.

O Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) acompanha pessoas que cometeram pequenos delitos, que estão em alternativas penais e egressos do sistema prisional no tratamento de dependência química, com o objetivo de promover a ressocialização, a conscientização e a responsabilização por seus atos.

O tratamento é indispensável, visto que o vício em álcool e outras drogas é comum entre pessoas que cometem algum tipo de crime e, em diversos casos, é a causa dos delitos. É o que explica a coordenadora da Ciap de Cruzeiro do Sul, Nayana Neves: “É importante trabalhar a raiz do que gera o problema na vida do indivíduo, fazer um tratamento contra a dependência química. Trabalhar o indivíduo quando ele comete pequenos delitos é primordial para a ressocialização e nós temos essa parceria com a comunidade Reviver aqui em Cruzeiro do Sul, que é bastante atuante, desde que a Ciap foi implantada, acolhendo as pessoas em alternativas penais diante de uma determinação judicial”.

F. D. afirma, ainda, que acredita que o tratamento vai mudar a sua vida. “Todo mundo pensa que é só um lugar para tratar de droga. Não! Aqui são problemas psicológicos, são traumas da vida, depressão, e eu acredito que com o tratamento que a gente recebe aqui, com carinho, o amor que o pastor Elians dá para a gente, eu tenho certeza que eu vou sair uma pessoa daqui mudada e renovada, uma nova criatura”.

Há 16 anos como gestor da comunidade terapêutica Reviver, o pastor e assistente social, Elians Monteiro, explica que manter uma rotina, é parte essencial no tratamento dos internos: “Você vai achar que a espiritualidade é só fé, mas tem que ter obra, tem que se ocupar. E as nossas atividades e práticas inclusivas vão desde de um simples trabalho, que eu digo que é até simples, mas é fundamental para a inclusão deles, para a ressocialização deles, para ter um bom desenvolvimento durante o momento que estão aqui acolhidos. Tem a rotina, tem os seus afazeres, tem as suas ocupações. Eu creio que isso proporciona mais dignidades a eles”.

Os internos seguem uma rotina bem definida, com horários para tudo, desde a laborterapia, explicada pelo gestor da comunidade, em que os internos realizam atividades como cozinhar, limpar a casa, rastelar o quintal, cuidar da horta, onde plantam parte da comida que é consumida por eles. Além de momentos para exercer a espiritualidade, onde participam de cultos, onde podem estudar a bíblia, etc. Bem como horário para aula de violão e espaço para o lazer, com musculação, futebol, jogos de tabuleiro, etc.




