Projeto Olhares que acolhem possibilita encontro de filhos com mães privadas de liberdade

O dia amanheceu diferente para 12 detentas que cumprem pena no Presídio Feminino de Rio Branco, isso porque, uma iniciativa do governo do Estado do Acre, por meio do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), proporcionou um encontro especial entre mães que não podiam ver seus filhos devido a distância. O projeto Olhares que acolhem, tem o objetivo de fortalecer os vínculos afetivos e oferecer um dia inesquecível tanto para as mães, quanto para os filhos. O tão esperado encontro foi realizado na quinta-feira, 9, na Sede do Tribunal de Justiça de Sena Madureira.

Mãe não via filhos há seis anos. Foto: José Zayra Amorim/Ascom Iapen

A detenta M.A. contou que estava ansiosa por este dia. Um dos seus maiores sonhos era reencontrar os filhos que não via há seis anos. O momento chegou e o abraço que estava guardado há tanto tempo, também. O choro e o sorriso foram inevitáveis. Por um momento, M.A. pode dar colo a quem tanto queria. “Não é fácil, de jeito nenhum, mas eu só posso agradecer pela oportunidade de estar aqui, é uma alegria muito grande estar com meus filhos”.

Detenta agradeceu a oportunidade de estar ao lado dos filhos. Foto: José Lucas Gaia/Ascom Iapen

Quem também não poupou lágrimas, muito menos abraços, foi a detenta M.R., afinal, o encontro estava marcado com seus sete filhos. Cinco deles estavam presentes no local esperando por ela. “A mãe ama vocês, a mãe vai sair pra cuidar de vocês”, disse a detenta emocionada, enquanto abraçava as crianças.

Filhos de detentas moram em Sena Madureira e Manoel Urbano. Foto: Zayra Amorim/Ascom Iapen

“É que eles moram em Manoel Urbano. Eu não vejo meus filhos tem bem dois anos e sete meses já. Eu só quero sair de lá pra poder cuidar dos meus filhos, dar o melhor pra eles. Eu não quero que eles sigam a vida que eu segui. Eu quero dar o estudo pra eles, pra eles serem pessoas diferentes. Não fazer o caminho que eu fiz. Eu quero que eles sejam pessoas melhores do que eu”.

Chefe da Divisão de Assistência Social e Atenção à Família, Cláudia Costa explicou sobre o projeto. Foto: José Lucas Gaia/Ascom Iapen

A chefe da Divisão de Assistência Social e Atenção à Família, Cláudia Costa, explicou que esta é a segunda edição do projeto Olhares que acolhem. O projeto, segundo ela, tem o intuito de aproximar e reafirmar laços familiares. “O Iapen entende isso como uma das formas de contribuir com a ressocialização dessas mulheres, diminuir os impactos psicológicos que tanto elas quanto essas crianças vivenciam por conta da distância. Eu agradeço o apoio do Tribunal de Justiça, que de pronto, desde o ano passado, autorizou a vinda dessas mulheres, entendendo com olhar sensível a necessidade da efetivação do projeto. E agradeço também o apoio da Prefeitura que trouxe para cá alguns familiares que moram em Manoel Urbano.”

Diretor de Reintegração Social do Iapen descreve o projeto como gratificante. Foto: José Lucas Gaia/Ascom Iapen

O diretor de Reintegração Social, André Vinício Assis, disse que desenvolver o projeto Olhares que acolhem é gratificante. “O sentimento é de dever cumprido. O Iapen entende essa necessidade e a importância de colocar esse projeto no nosso planejamento. Poder proporcionar esse momento a elas é gratificante e emocionante”, ressaltou o diretor.

Diretora do Presídio Feminino de Rio Branco falou sobre a importância do Projeto. foto: José Lucas Gaia/Ascom Iapen

A diretora do Presídio Feminino de rio Branco, Jamilia Souza explicou que a distância com os familiares é o que mais entristece as detentas. “Não poder ver os filhos é o que mais deixa elas aflitas, porque com o tempo os laços familiares vão se perdendo e as crianças tendem a esquecer um pouco da figura materna, então com esse projeto, nós estamos contribuindo para que esses laços continuem firmes”.

Detenta afirma que voltará transformada para cuidar de seus filhos Foto: Zayra Amorim/Ascom Iapen

Mais que aproximar, o projeto Olhares que acolhem, tem a função de transformar. “Quando eu sair eu vou mudar, eu já mudei! Eu vou cuidar dos meus filhos e viver a minha vida, não quero mais isso, porque não é fácil tá longe da família da gente, é uma dor difícil de suportar”, relatou a detenta M.A.

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