Com foco no clima e na convivência escolar, ética, competências pedagógicas e socioemocionais; agentes de portaria, auxiliares de biblioteca e auxiliares escolares de unidades de ensino da zona urbana e rural de Rio Branco participam, de segunda a quarta-feira, de 2 a 4, de uma Formação Continuada para Servidores Não Docentes, realizada no Colégio Acreano, na capital.

A iniciativa contempla 328 servidores e integra a política de valorização profissional da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), reconhecendo o papel fundamental das equipes de apoio no cotidiano das escolas.
Segundo a chefe do Departamento de Formação e Assistência Educacional, Lídia Maria Cavalcante, a formação é totalmente presencial para garantir inclusão e efetividade no processo de aprendizagem.

“Esse público é composto por servidores com diferentes níveis de escolaridade. Alguns têm proficiência em leitura e escrita, outros apresentam dificuldades. Por isso, utilizamos metodologias ativas e interativas, que não exigem necessariamente leitura ou escrita nos moldes esperados de um professor”, explicou.
Valorização que impacta trajetórias
Com 34 anos de atuação na educação, a auxiliar de portaria da Escola João Paulo II, Verinha Souza da Silva, de 63 anos, participou da formação com entusiasmo. “Eu nunca quero ficar para trás. Não é a idade que define se a gente pode aprender ou não. O mundo muda, e a gente tem que acompanhar. Essa formação é maravilhosa”, afirmou.

Ela destacou ainda a importância de ser incluída em processos formativos. “Eu me sinto lisonjeada e privilegiada. Muitas vezes as formações são só para professores, mas nós também somos educadores.”
Na Escola Marina Vicente Gomes, no bairro Boa União, a auxiliar de secretaria e biblioteca Rosângela Vieira Torres, de 60 anos, atua há 35 anos na educação e reforça que o aprendizado se reflete diretamente no cuidado com os estudantes.

“Tudo que a gente aprende com amor, a gente devolve com amor. A gente incentiva, acolhe, orienta. Muitos alunos dizem que só continuaram estudando porque foram incentivados”, relatou. Para ela, participar da formação é uma forma de reconhecimento. “É muito importante, porque mostra que não somos esquecidos”.
Metodologia construída a partir da vivência dos servidores
Todos os materiais utilizados na formação foram produzidos pela equipe do Centro de Formação da SEE, formada por assessores e formadores especializados. A matriz do curso foi elaborada a partir da escuta prévia dos próprios servidores, respeitando suas experiências e necessidades reais dentro da escola.
Os componentes curriculares incluem temas como:
- Clima e convivência escolar;
- Saúde mental e inteligência socioemocional;
- Relações humanas saudáveis na escola e na vida;
- Introdução à psicologia escolar e desenvolvimento humano;
- Ética no ambiente de trabalho;
- Competências profissionais dos servidores não docentes;
- Direitos humanos, diversidade e enfrentamento às violências no ambiente escolar.
A formação conta ainda com a participação da Divisão de Psicologia Escolar e Educacional, que aborda questões relacionadas à saúde mental e às competências socioemocionais.
“É uma formação pedagógica e profissional, mas também humana. Muitos desses servidores nunca tiveram acesso a formações como professores e gestores. Eles se sentem valorizados e reconhecidos”, destacou Lídia.

Após a etapa em Rio Branco, a formação será ministrada para os servidores dos municípios do interior. A formação será concluída com a certificação dos participantes na quinta-feira, 5, no auditório da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), a partir das 8h.















