A Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Acre (Ageac) intensificou o diálogo, na manhã desta sexta-feira, 30, com a bancada federal acreana para apoiar, em articulação com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e com o Ministério dos Transportes, ações de manutenção da BR-364, no trecho entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Principal eixo terrestre de integração do estado, a rodovia concentra o deslocamento diário de passageiros, veículos de serviço e cargas, conectando a capital ao interior e garantindo o abastecimento de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros insumos essenciais aos municípios.

Responsável por regular e fiscalizar o transporte intermunicipal de passageiros, a autarquia acompanha de forma contínua o funcionamento das linhas autorizadas, avaliando horários, desempenho da frota e o tempo médio de viagem para assegurar regularidade e qualidade no atendimento.
As fiscalizações realizadas ao longo da BR-364 e os registros encaminhados por operadores e usuários indicam reflexos diretos na segurança viária. Foram observadas ocorrências como acidentes, avarias mecânicas, veículos danificados e interrupções de viagem em trechos com buracos e desgaste do pavimento, situações que exigem redução de velocidade e aumentam o risco operacional do percurso.
Essas condições também interferem no tempo de deslocamento. Em determinados períodos, o trajeto entre a capital e o interior, tradicionalmente realizado em cerca de 12 horas, pode chegar a até 22 horas, exigindo reorganização de horários e replanejamento das linhas pelas operadoras.
Além do tempo de viagem, a situação da rodovia repercute diretamente na logística de abastecimento. Entidades do setor de transporte apontam que as dificuldades no percurso elevam os custos operacionais e podem gerar impacto de até 30% no valor do frete, reflexo que chega ao comércio local e pressiona o preço final das mercadorias e das passagens.

Segundo o presidente da Ageac, Luís Almir Brandão, os efeitos são sentidos diretamente pela população. “A situação da BR-364 impacta diretamente o custo de vida no Acre. O alto preço dos insumos que chegam ao estado pressiona o transporte, encarece as passagens e afeta empresários, trabalhadores e, principalmente, a população que depende desses serviços todos os dias. A Agência Reguladora, junto ao governo do Estado, mantém diálogo permanente com o setor e busca soluções para reduzir esses impactos, mas sabemos que a resposta definitiva passa pela recuperação completa da rodovia”, afirmou.
Há ainda pontos específicos que exigem intervenções prioritárias. No quilômetro 722, o Dnit reconheceu situação de emergência após danos provocados pelas chuvas, com erosões e comprometimento do pavimento, demandando ações imediatas para restabelecer a trafegabilidade e garantir mais segurança aos usuários.
Brandão acrescentou que a mobilização institucional busca dar celeridade às providências nos órgãos federais. “Por isso, estamos mobilizando a bancada federal e o Ministério dos Transportes para garantir celeridade nas obras de asfaltamento. Uma estrada em boas condições contribui para prevenção de acidentes, redução do preço do frete e dos produtos em geral; otimiza o abastecimento aos municípios isolados e propicia mais dignidade para quem vive nas regiões mais distantes. Essa é uma demanda coletiva, do transporte e de toda a sociedade. O Acre precisa de uma solução estruturante e permanente, não apenas ações paliativas”.
Com o encaminhamento das demandas à bancada federal, a Ageac abre diálogo com os órgãos responsáveis e acompanha as tratativas para viabilizar melhorias na BR-364.




