O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), realizou nesta quarta-feira, 28, uma reunião com as lideranças do Igarapé São Francisco para apresentar o Programa de Resiliência Socioambiental. O encontro ocorreu no Instituto Federal do Acre (Ifac), Campus Baixada do Sol, localizado na Transacreana, em Rio Branco.
O encontro teve como objetivo apresentar os fundamentos do programa e os benefícios previstos para a comunidade, reforçando o compromisso do Estado com a transparência das ações e com a participação social na gestão das áreas protegidas.

Na ocasião, foi apresentado o contexto de criação do projeto, destacando sua origem a partir de demandas locais e de compromissos assumidos pelo Brasil nos âmbitos nacional e internacional, voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas, eventos extremos, à conservação ambiental e ao fortalecimento da governança socioambiental.
Ao longo do encontro, foram destacadas as ações estratégicas que serão desenvolvidas na Área de Proteção Ambiental (APA) , envolvendo conservação ambiental, recuperação de áreas degradadas, fortalecimento da segurança hídrica, promoção da segurança alimentar, incentivo à bioeconomia sustentável e promoção da igualdade de gênero, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população e para a preservação dos ecossistemas acreanos.

Ao final do encontro, os gestores da Sema apresentaram as etapas já definidas e os próximos passos para a implementação das ações no território, destacando como as iniciativas previstas contribuem para o desenvolvimento sustentável da região, ao conciliar proteção ambiental, inclusão social e geração de renda para as comunidades locais.
Impacto do Projeto na Comunidade
O Programa de Resiliência Socioambiental prevê um impacto quantitativo e qualitativo significativo nas Áreas de Proteção Ambiental Igarapé São Francisco e Lago do Amapá, com foco no fortalecimento das comunidades e na conservação dos recursos naturais. Estão projetadas mais de 300 pessoas capacitadas, sendo 100 voltadas ao fortalecimento da governança territorial e mais de 200 qualificadas em atividades ligadas à bioeconomia, ampliando as oportunidades de geração de renda sustentável e o protagonismo local.
No eixo de Governança, o programa tem como objetivo fortalecer a gestão participativa e inclusiva das APAs, com ênfase na igualdade de gênero, que prevê a capacitação de 100 pessoas, a elaboração de um plano de educação e sensibilização ambiental voltado aos moradores.

Já o Eixo de Restauração Florestal busca ampliar a resiliência ambiental e reduzir riscos socioambientais, aliando ações de recuperação ecológica ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). As ações incluem a proteção de pelo menos 20 nascentes e a implantação de 30 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs).
No Eixo de Segurança Hídrica, o programa prevê investimentos em infraestrutura resiliente e no uso de tecnologias para adaptação e mitigação de eventos climáticos extremos. Entre as principais entregas estão a construção de 160 fossas para saneamento básico, 15 sistemas de tratamento de água, aquisição e instalação de uma plataforma de monitoramento de dados hidrometeorológicos nas APAs, fortalecendo a proteção das comunidades frente a cheias e períodos de seca.

O Eixo de Bioeconomia Justa e Sustentável tem como foco o incentivo à produção extrativista e da agricultura familiar orgânica, aliando conservação ambiental ao desenvolvimento econômico e ao turismo de base comunitária. Estão previstas a estruturação de 200 unidades produtivas e capacitação de 200 pessoas em bioeconomia, promovendo inclusão social, geração de renda e valorização dos saberes tradicionais.
O que disseram
“Dialogamos diretamente com quem cuida das nossas APAs. Por meio do Programa de Resiliência Socioambiental, executado em parceria com a Unesco e com recursos do Fundo Brasil-ONU, estivemos na APA do Igarapé São Francisco para falar sobre como preparar essas comunidades para enfrentar eventos climáticos extremos. Precisamos estar próximos das comunidades, dialogar, compreender os problemas reais do território e avançar na construção de soluções que tornem esses espaços mais adaptados e resilientes às mudanças climáticas”, destacou o secretário do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho.

“A igualdade de gênero é um eixo transversal do projeto e está presente em todos os eixos frentes, como governança, segurança hídrica, restauração ambiental e, principalmente, a bioeconomia. Nosso objetivo é fortalecer grupos de mulheres, pessoas com deficiência e populações indígenas, que estão entre os mais vulneráveis e os que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas”, explicou a consultora da Unesco, Larisse Cruz.

“Foi muito satisfatório participar desse momento, porque a escassez hídrica tem afetado diretamente as comunidades. Até mesmo nossos amigos indígenas, que antes não enfrentavam esse problema, ficaram sem água no ano passado. Com a execução desse projeto apresentado pela Sema, acredito que haverá uma grande mudança para a zona rural, que sofre intensamente com a falta de acesso à água”, destaca a produtora rural Raimunda Nonata.

“Esse projeto é muito importante. Para mim, é uma honra estar junto fortalecendo a APA São Francisco, porque ela é uma necessidade para o povo, não só para mim. Proteger a APA é proteger a floresta e também a nossa medicina tradicional. Quando trabalhamos juntos, com o Estado e outros parceiros, os resultados são melhores para todos”, explicou o Pajé Ninawa Huni Kuin.

Saiba mais
O Programa de Resiliência Socioambiental é fruto de uma parceria entre o governo do Acre, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Fundo Brasil-ONU, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal (CAL), e é executado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com doação do governo do Canadá.











